<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202</id><updated>2011-04-21T20:57:12.050+01:00</updated><title type='text'>Desabafos de Marvão</title><subtitle type='html'>O convite de um amigo para desabafar na Rádio Portalegre, todas as quartas, às 7.30h, 10.30h, 13.30h, 17.30h, 23.30h, levou-me também a criar um espaço, na blogosfera, onde possam ficar registados os textos da versão radiofónica. Espero que gostem e já agora, se não for pedir muito, que vos dê que pensar. Um abraço...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-8437140555957529029</id><published>2007-05-24T01:23:00.000+01:00</published><updated>2007-05-24T01:24:23.331+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os Desabafos terminaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui - &lt;a href="http://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.com/"&gt;http://vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vindos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-8437140555957529029?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/8437140555957529029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=8437140555957529029' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8437140555957529029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8437140555957529029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/05/os-desabafos-terminaram.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-8182393570472554931</id><published>2007-05-22T18:47:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:53.869Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;34º Desabafo – 22 de Maio de 2007 – “Farewell, Goodbye!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067443750399712098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RlMtPhXZG2I/AAAAAAAAADs/Ji8MvM7eUnY/s320/34%C2%BA+DEsabafo-+22+de+Maio+de+2007+-+Farewell,+Goodbye!.jpg" border="0" /&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E eis que ao fim da trigésima quarta jornada, nos encontramos no término da temporada 2006/2007 da rubrica “Desabafos”. Foi um desafio muito motivador mas bastante exigente pela regularidade e pela necessidade de uma produção semanal constante. Devo confessar-vos que mesmo para uma pessoa como eu, naturalmente extrovertida na fala mas que se encontra mais cómoda do que nunca no acto solitário da escrita, foi por vezes difícil cumprir este repto da forma que seria mais desejada… ou porque os compromissos familiares e profissionais obrigavam a longas incursões noite dentro, na árdua tarefa produtiva; ou porque a semana foi parca em assuntos de interesse; ou porque os próprios temas davam mais ou menos azo a desenvolvimentos. Não foi, de facto, fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que sempre que pude fiz um esforço para acompanhar as crónicas bem fundamentadas dos meus ilustres colegas de tribuna, sei que provavelmente adaptei um estilo mais pessoal, mais informal, menos político, menos directo que os seus. Sei que fui de alguma forma criticado por particularizar demasiado, por adoptar um cunho vincadamente pessoal mas isso acaba de alguma forma por ser indissociável da minha própria maneira de ser e de viver. Sendo a crónica o mais livre de todos os estilos, aquele em que nos podemos livremente apropriar de trejeitos e maneirismos, de truques e artimanhas para enaltecer ou defender uma visão muito pessoal da realidade, fiz sempre por tentar levar um pouco de mim para que também os outros se pudessem entregar na sua própria análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que por vezes fui demasiadamente extenso, mas a paixão fala mais alto e como diz o povo, “conversa puxa conversa”. É fácil deixarmo-nos levar ao sabor da pena ou ao longo do teclado, conforme calhasse melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes fui insólito e controverso e foi nessas alturas que mais tive o grato prazer de ser questionado por opiniões diferentes da minha. Sim, porque o grande objectivo desta empreitada, se bem se lembram, sempre foi, mais do que convencer, o fazer pensar, o fazer reflectir e o contribuir para a discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes fui polémico e deixei à solta uma certa rebeldia latente reconhecida por quem me conhece bem, mas entreguei-me sempre de alma e coração e esforcei-me por dar o melhor de mim numa perspectiva abnegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um longo processo de aprendizagem pessoal que se desenrolou continuamente na medida em que me levou muitas vezes a arquitectar conjunturas e estratégias, a reunir argumentos e a dissecar possíveis temas a abordar, nas horas e nos sítios mais improváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em jeito de conclusão e porque vem na mesma linha de raciocínio, gostaria de vos falar numa amizade que fiz recentemente e me ajuda, de alguma forma, a ilustrar o que me vai na alma neste derradeiro comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o Paul num final de tarde, no Café do Manuel Ventura, quando um imenso pôr-do-sol dourado envolvia a paisagem de Marvão e os primeiros grandes calores do ano se faziam sentir. Há poucos dias, pois. O Paul, do alto do seu metro e noventa e os seus, presumo eu, cinquenta e muitos anos de idade, correspondia visualmente àquilo que muitos de nós preconcebem como um inglês típico. Mais típico que ele deve ser, na verdade, impossível, porque nem os chinelos de Verão com meias de Inverno por baixo falhavam. A franja grisalha adornava-lhe a testa e caía de par em par para os lados, antes de se aninhar atrás de duas orelhas bem britânicas. Tinha um ar simpático e o seu sorriso aberto mostrava a dentição desalinhada e amarelecida por tanto chá, digo eu. Detrás dos óculos graduados, fitava-nos um olhar atento e vibrante que acompanhava tudo aquilo que dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Paul é proprietário de uma peixaria no sul de Inglaterra e é já um inveterado por Marvão, para onde se retira desde há alguns anos a esta parte, para dar largas à sua grande paixão: a pintura. Detentor de um extraordinário british accent, debitava na estilosa pronúncia cockney, um inglês muito difícil de captar aos primeiros minutos. Mostrou-se de trato afável e muito sociável, exprimindo desde logo a sua admiração pelo nosso burgo que eu me esforçava por traduzir aos meus interlocutores imediatos que a ouviam com a mesma atenção com que ouvem um relato de futebol. Contou pormenores das suas anteriores estadias, falou do seu octogenário pai que desta vez ficou por terras de sua majestade e revelou o seu ecletismo ao recordar os concertos de música clássica que via em Londres e as exposições que devorava sempre que podia. Falou-me de Picasso e Monet, de El Greco e dos seus heróis das tintas e dos pincéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me que em relação à vila de Marvão, o que mais o impressionava era a luz e que a sua grande ambição era conseguir captar na tela a forma com as diferentes tonalidades se fundem na linha do horizonte, o que na minha tabela classificativa, o fez subir ao topo e me deixou com um nível de expectativas enormíssimas quanto ao seu talento. Educado e respeitador, convidei-o a assistir à emissão em directo da Antena 1, a partir do nosso castelo, na qual aguentou estoicamente a conversa da qual não percebeu patavina, para poder de seguida admirar o talento imensurável do novo “Quarteto em Mim” que há dias deslumbrou Portalegre. “They’re absolutely gorgeous”, disse-me emocionado no final, com a satisfação no rosto de um faminto que acabou de devorar um “bife à Portugália”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui-me cruzando com ele por diversas vezes, tendo sempre o extremo cuidado de não incomodar a sua catarse criativa. Via-o ao longe, com uma enorme quantidade de tintas e pincéis espalhados à sua volta pelo chão. Punha-se de pé, ria-se da perspectiva, encenava um bailado criativo que era engraçado de se contemplar, sobretudo quando gesticulava as formas abstractas que desenhava no ar. A minha ansiedade de poder vislumbrar um rabisco que fosse era enorme e fui-me aguentado como podia. Ele sorria e dizia que sim com a cabeça, o que para mim significava que a coisa ia. Nunca quis ser indelicado e ia aguardando. Até ao dia em que o vi sentado de frente à Pensão D. Dinis, prontinho para a plasmar no papel. Chamou-me. “Wanna take a look?”. “Sure!”, respondi, apressado. Acho que ganhei então a sua confiança. Não devo ter conseguido disfarçar a desilusão estampada no rosto quando cheguei ao pé. Sei que não sou entendido em pintura, e longe de mim querer julgar alguém pelo que faz mas o que vi então, não era nada do outro mundo, acreditem. O pobre, presumo que acometido pelo desalento disse-me: “it’s only a draft!”. “Oh, I see”, respondi-lhe esperançado e retribuindo a simpatia num sorriso, porque mesmo que fosse apenas um rascunho… era, acreditem, um mau rascunho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo deu-me que pensar e lembro-me de ter ficado por diversas vezes a admira-lo em silêncio, sem que me visse, ao longe, vendo o prazer que parecia estar a ter. Transmitia-me a clara sensação que poderia ficar ali o resto da vida, agarrado aos seus tarecos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei por mim a pensar na lição do Paul que é no fundo um espelho daquilo que tentei fazer aqui nos desabafos: o trabalho final pode não ser grande coisa, mas o prazer que retirei fez tudo valer a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fundo, na nossa própria vida, o segredo para a felicidade de que tantas vezes aqui falei, pode ser mesmo esse: “não nos preocuparmos tanto com o resultado final, mas mais com o prazer que sentimos ao longo do percurso, vivendo cada dia como se fosse o último!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei de despedidas. Preferi sempre um “até já” ao triste dramatismo de um “adeus”. Foi o que disse ao Paul e é o que digo a todos os ouvintes e leitores que me acompanharam ao longo de todo este tempo, agradecendo em especial aos que tiveram a amabilidade de a mim se dirigirem, para me felicitar por uma ou outra mensagem, para me dizerem que me compreenderam, para me contestarem, para me incentivarem e para serem a minha maior motivação. Um grande BEM HAJAM e até sempre! Oxalá nos voltemos a encontrar por aí um dia, nas curvas e contracurvas das nossas vidas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-8182393570472554931?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/8182393570472554931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=8182393570472554931' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8182393570472554931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8182393570472554931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/05/34-desabafo-22-de-maio-de-2007-farewell.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RlMtPhXZG2I/AAAAAAAAADs/Ji8MvM7eUnY/s72-c/34%C2%BA+DEsabafo-+22+de+Maio+de+2007+-+Farewell,+Goodbye!.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-5572106630188030335</id><published>2007-05-15T17:54:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:54.027Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;33º Desabafo – 16 de Maio de 2007 – “Os reveses da fortuna”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5064832567187602562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="158" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RknmYp4L_II/AAAAAAAAADk/5rbiqQhHQgU/s320/armacao2.jpg" width="284" border="0" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Embora não passe de uma ideia, a possibilidade de estar no sítio certo à hora certa agrada a quase toda a gente. Já muito se escreveu e se falou acerca desta contingência que sendo apenas uma mera coincidência ou fruto de uma extraordinariamente rara conjugação astral, tem a apetecível capacidade de mudar, em apenas alguns segundos, a vida de qualquer um. Nos filmes, nos livros e até nos jornais, chegamos a comover-nos com os relatos emocionados de aqueles que passaram em fracções de segundos e por mero acaso, a olhar para a estrada da vida com uma perspectiva completamente diferente. Nos dias que correm e não deixa de ser um sinal dos tempos, estes novos filhos da fortuna nascem muitas vezes pela via do famoso boletim, onde se colocam as cruzinhas com a precisão de quem faz um Arraiolos secular, descobrindo a combinação que lhe escancara as portas da fortuna e do paraíso na terra. Estando no sítio certo à hora certa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerca desta temática, não resisto a partilhar convosco uma história que me aconteceu há muitos, agora que penso nisso, parecem mesmo ser muitos anos, talvez há mais de quinze. Na minha adolescência vivi sempre muito próximo de uns primos paternos que habitavam na minha aldeia. Como tinham casa no Algarve e lugar de sobra no apartamento, convidavam-me sempre para acompanhá-los nas férias, o que me sabia que nem ginjas porque geralmente quando regressavam, em Setembro, era quando avançava a minha família para a mesma Armação de Pêra, fazendo de mim, à mercê da sorte, um veraneante de pleno direito e a tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dada altura e quando chegados à praia, sempre, sempre só depois de almoço e depois de descanso apressado para nos recompormos das longas noites algarvias, apercebemo-nos de um boato que inundou literalmente a praia: dizia-se então que um famosíssimo empresário na área das máquinas de diversão que por acaso era nosso conterrâneo lagóia, tinha perdido, num mergulho mais descuidado, os seus óculos de estimação com armação de avultado valor sendo que na opinião de alguns veraneantes eram banhados a ouro, enquanto outros juravam a pés juntos serem totalmente maciços, amarelinhos, caríssimos!, apesar de nunca sequer os terem visto antes. Mas bem, sabem como é esta história dos boatos, ainda a verdade se está a vestir para sair de casa, já o boato deu duas voltas ao bairro. O que aumentou ainda mais a loucura que se seguiu em toda a praia, foi o facto de fontes seguras terem adiantado que haveria uma recompensa interna, proposta aos dois filhos varões do perdulário progenitor, caso encontrassem o bendito par de gafas. Debaixo dos toldos e dos guarda-sóis, falava-se em cifras astronómicas que fizeram empolar o valor do objecto. Enquanto uns já lhe incrustavam raras pedras preciosas, outros falavam da sua impressionante carga aurífera, sendo que o que ia tornando esta na caça ao tesouro mais louca das últimos anos foi a notícia que a recompensa não estava confinada às paredes do lar mas se estendia a quem os encontrasse, fosse ele quem fosse. O meu grupinho de amigos de Verão não escapou à febre e também ali, deitados nas toalhas à lazeira do sol e de corpos salgados, não se falava noutra coisa. Em longas tardes de debate, desenharam-se no ar os inúmeros cenários possíveis com propostas mais ou menos clarividentes. Definiram-se estratégias, estudaram-se as marés, reconstituíram-se os passos do suspeito antes de entrar na água (afinal ele costumava ficar bem perto de nós), enfim, passou-se o tempo com ânsia e a tarde de trabalho terminava sempre com relatos das enormes jantaradas só de marisco que haveríamos de fazer um dia quando a massa estivesse do nosso lado. Não! Esta não nos podia escapar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passaram-se os dias e nada. A busca desvaneceu. O assunto de moda na praia mudou e também nós, os últimos resistentes, já pensávamos que os benditos óculos ficariam para sempre perdidos na imensidão azul do fundo do mar, arrastados pelas marés e pelas correntezas profundas, para engrandecer ainda mais os incalculáveis tesouros de Neptuno, presos na gruta de uma sereia ou no casco de um galeão submerso, daqueles que só vemos nos documentários do National Geographic. Até que num fim de tarde desacreditado, quando todas as esperanças se esfumavam e um pôr-do-sol dourado inundava toda a baía, decidi dar um último mergulho solitário antes do regresso tardio a casa, enquanto os demais colegas arrumavam o estojo. Ao caminhar no areal, um dos três banhistas nortenhos que desfrutavam, resistentes e divertidos, das águas tépidas do entardecer, gritou de espanto, deixando escapar algumas vociferações ao pisar um objecto estranho que se encontrava submerso. A princípio, não sei se por tanto tempo já ter passado, não associei os factos, mas assim que ouvi o relato admirado que fez aos seus pares, estranhando uns óculos amarelos ali bem à mão de semear, virei-me quase por instinto e respondi apressadamente que eram meus, agradecendo enquanto recuperava a carga valiosa e saindo de cena quanto antes sem lhes dar tempo de perceber como é que um rapazinho tão jovem ousava usar um modelo tão rebuscado. É claro que à medida que me aproximava da restante pandilha com ar vitorioso, para ser recebido em êxtase absoluto, já ia mentalmente elaborando a minha versão da descoberta, aliás, a única versão, a versão oficial do achado até à revelação de hoje, em que havia um único totalista heróico. Eu próprio me desloquei à residência de férias do senhor e devolvi em mão o seu a seu dono tendo então a devida recompensa ficado em stand by durante diversos dias de expectativa e incertidão para todo o grupo: “saberei agradecer”, disse ele. Até que chegou uma manhã em que alguém se dirigiu a mim e me convidou a chegar perto do retiro balnear do nosso amigo que para espanto meu, retirou de um saco um embrulho quadrangular, de formas suspeitas e a deitar por terra todos os planos por nós elaborados. Agradeci submisso e resignado e regressei tentando disfarçar o ar cabisbaixo que encheu de espanto a minha comitiva que há minutos se tinha despedido de mim com palmadinhas nas costas e de piscadelas de olho. Era um tabuleiro de xadrez. Um tabuleiro de xadrez. Mas não um tabuleiro qualquer, senão um daqueles de fim de colecção, com uns anitos em cima (apesar de impecavelmente novo) como os que se vendiam então na rua do comércio. Desde então, a minha noção de estar no lugar certo à hora certa é um pouco mais assombrada e vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se é assim estar no lado certo, bem pior será certamente experimentar a terrível sensação de estar no local errado, à hora errada e muitos desses relatos têm-me chegado agora através da imprensa escrita. Da ruptura do antigo director do jornal Expresso com o patrão Balsemão, nasceu um semanário Sol que acalentou válidas expectativas mas se revelou uma difusa versão “Correio da Manhã” do semanário de referência. Ainda assim, apresentou algumas inovações dignas de realce, uma das quais confesso, me passou ao lado nos primeiros números e tem por título “Conversas na prisão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceito que possa ser preconceito, mas a verdade é que desde criança sempre pensei que só ia preso quem fosse de facto muito, muito mau e merecia a sorte de se ver privado do valor absoluto da liberdade. Nestas “conversas na prisão” tenho-me apercebido que nem sempre é assim, tenho aprendido que muitas vezes, a linha que separa a legalidade da marginalidade é muito ténue e que basta um golpe trágico do destino para fazer até o mais exemplar cidadão cair na desgraça de ver ruir à sua volta o que levou anos de árduo sacrifício a construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sei que muitos dos que se vêm ali retratados nasceram com má estrela e não conheceram na vida outro caminho que não o fora-da-lei: foram crianças maltratadas e abusadas pelos pais, obrigadas a roubar e a lutar para sobreviver, ou até por vezes, pais e mães cativos da sôfrega dependência dos seus filhos, impelidos na sua voluntária paternidade a darem o que tinham e não tinham, a colaborarem como correios ou passadores para poderem angariar os fundos que alimentavam a sua própria desgraça. Desses, infelizmente, já todos ouvimos quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as que a mim mais me impressionaram, foram precisamente as histórias dos que viram por erros tantas vezes momentâneos, a roda da sua vida dar uma volta de 360º. Recordo a história do professor de aeróbica e do amigo que mesmo sem consumirem álcool ou drogas, levaram a diversão de um aniversário ao limite de se vestirem de agentes da autoridade em rusga informal por entre as prostitutas das ruas de Lisboa e acabaram por se exceder na encenação trágico-cómica que roçou o abuso e a extorsão e os engavetou de vez. Lembro também a história do cidadão pacato, perseguido pela cega teimosia de um outro, de maiores proporções e enorme aversão, que culminou com um confronto nocturno de trágico desfecho quando a navalha tantas vezes usada para um petisco com amigos ou para um lanche informal, perfurou mortalmente o coração do Golias, num golpe certeiro e movido pelo medo e pela raiva, que colocou o frágil autor atrás das grades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de todas os relatos, impressionou-me sobremaneira um recentemente publicado, de um electricista da Figueira da Foz que num acidente num entroncamento vitimou dois peões, um dos quais viria a falecer no hospital. Apesar de ainda hoje defender que foi uma falha mecânica que esteve na origem da ocorrência, nunca o conseguiu provar em tribunal e acabou ele por ser traído por dois copos de vinho e um meio Whisky, que originaram os 0,71 l/g detectados no teste de alcoolemia e se traduziram numa pena de dois anos e meio de prisão por homicídio por negligência. Estar no sítio errado, no momento errado pode significar isto mesmo, que duas ou três imperiais bebidas de relance com um amigo que não se vê há muito, podem mesmo ser veneno fatal que nos pode matar ou marcar para sempre. Neste caso concreto, o visado teve a coragem de, assim que teve conhecimento que o seu recurso não iria ser atendido, se ir entregar à prisão que lhe parecia mais conveniente, depois da análise exaustiva de quase todas elas e porque nunca teve inibição real de conduzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou assim, num breve espaço de tempo, de respeitado pai de família a assassino a abater, a ser a escória, um pária, um condenado ao ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que mais me preocupa no final é que, seja por ciúme ou vingança, por ódio ou excesso de zelo, por descuido ou inadvertência, caminhemos tantas vezes no limite de tudo sem que nos apercebamos que às vezes, o perigo espreita mesmo ao virar da esquina e a facilidade com que a sorte pode mudar, para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-5572106630188030335?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/5572106630188030335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=5572106630188030335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/5572106630188030335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/5572106630188030335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/05/33-desabafo-16-de-maio-de-2007-os.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RknmYp4L_II/AAAAAAAAADk/5rbiqQhHQgU/s72-c/armacao2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-2512594467239574110</id><published>2007-05-08T19:03:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:54.166Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;32º Desabafo – 9 de Maio de 2007 - Viagem da Madeira, passando pelo horror algarvio e de bicicleta para o CAEP&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062252683412110434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RkC7_p4L_GI/AAAAAAAAADU/JuK5Mb7l4T4/s320/Untitled-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;A estas horas, Alberto João Jardim deve estar a rebolar-se de gozo em júbilo absoluto, fazendo caretas aos do “contenente”, como ele gosta de nos chamar, brindando de tacinha na mão, rindo-se da nossa carita de parvos. Enquanto o governo cá do sítio nos impinge congelamentos de carreiras e sacrifícios redobrados num esforço suplementar para atingir metas e parâmetros que não nos envergonhem perante os nosso parceiros europeus, o dono e senhor dos reinos da Madeira grita, de barriga de fora e de olhos esbugalhados, em cada inauguração que amealha, que lhe reforcem a mesada para que a obra e o desenvolvimento para os seus seja cada vez mais e melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos assim impávidos e serenos, todos nós, desde a mais alta figura de Estado ao mais débil contribuinte, à constante onda de insultos e provocações, pagando e calando, com a passividade do caixa de óculos da turma que entrega os seus melhores berlindes de mão beijada ao gordo desdentado do ano a seguir. O homem deu-se ao luxo de se despedir para regressar e voltar a tomar conta do galinheiro perante a passividade geral, brincando com estatísticas e votações, embaralhando e voltando a dar com a certeza de quem sabe que os trunfos lhe voltarão a sair em mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que mais me impressiona no meio desta história toda é que na Madeira não vivem só as pessoas de baixos recursos que vemos eufóricas nas desbundas etílicas em que se transformam geralmente as suas campanhas e os seus comícios. Na Madeira vivem também muitas pessoas informadas e preocupadas, muitas pessoas que acompanham o processo de perto e que só podem ser coniventes com a situação porque o motivo que têm é muito forte e não pode ser outro que não o preço do progresso. Para obter aquelas percentagens, deve haver muito boa gente que faz figura de mulher traída e finge não saber de nada para poder manter a ostentação e o luxo, esquecendo que partilha a cama com quem a trai, aguentando estoicamente o ogre obsoleto que dirige os seus destinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos que por detrás daquele Carnaval mediático, há muito envelope e muito compadrio, muita conivência e muito jogo duplo. Políticos e empresários de provas dadas na nossa praça, que o criticam e repudiam nos ciclos mais íntimos de amigos, curvam-se com subserviência perante a eminência parda, quando o bailinho lhe agrada e os ajuda a engordar os extractos. Meus amigos, os parvos pedem a Deus que os leve! O mundo é mesmo assim e está bom é para estes que se sabem desenrascar. Isto não são tempos para éticas e etiquetas. Em tempo de guerra não se limpam armas e como dizia o velhinho: “os que sobrevivem não são ao mais espertos, mas sim os que melhor se sabem adaptar às situações”. Toma lá que é democrático!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá pela península, o drama da pequenita Madeleine McCann, roubada do seu leito familiar por mãos malévolas enquanto dormia, enche-nos de horror. Não acredito que haja alguém no mundo que seja pai ou mãe e não suspire bem no fundo do coração cada vez que houve uma história assim, ao imaginar por cruéis fracções de segundo que o desaparecido poderia ser o seu ou a sua. Não deve haver nada mais doloroso que ver partir um filho na frente ou saber que se perdeu para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem foi o pai ou a mãe que num dia qualquer de mais movimento ou mais confusão não sentiu, por milésimas de segundo que fosse, a terrível angústia de não os ver por momentos? Quando num centro comercial, num espectáculo, numa piscina ou romaria, de vez em quando lá vem aquele aperto mitral, aquela dor tão funda de não a ver, de sentir ter sido fintado pela sua vertiginosa rapidez natural e espontaneidade. Mas o sentimento de alívio que se segue quando o olhar os localiza, tranquiliza-nos e faz-nos sempre esquecer como foi, porque na verdade, é impossível estar sempre perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentei há dias as palavras de um notável pedagogo espanhol de visita ao nosso país para apresentar o seu último trabalho. Dizia ele aos micros da rádio em jeito de conselho final que “não tentem ser uns pais perfeitos. Deve ser terrivelmente entediante”. E nós sabemos que à medida que eles aprendem a crescer, nós aprendemos a educá-los. É um processo bilateral que decorre em paralelo e onde acertamos sempre por tentativas e erros. Bem sei que muitos apontam já neste caso, o dedo acusador aos progenitores por terem deixado os rebentos a sós. Confesso que não sou capaz de o fazer. Provavelmente não os deixaria assim, mas tampouco sou capaz de lhe apontar seja o que for. Estavam próximos, tinham contacto visual com a entrada, vigiavam-nos visualmente de meia em meia hora, não se pode dizer na verdade que tivessem sido displicentes mas sim presas fáceis para um lobo vestido com a pele de cordeiro. Não tenho a pretensão de ser inspector da Pêjota e longe de mim querer ser dono da verdade, mas estes olhinhos que a terra há-de comer já passaram centenas de horas colados ao ecrã, seguindo policiais e séries do género. Na minha cabeça e no cinema, já aprendi também a apanhar muito malandro e fascina-me o poder entrar na sua mente para saber como pensam. Nunca mais me esqueço da grande certeza que fundamenta o edifício do ex-libris do género, pelo qual sou tão apaixonado. Se bem se recordam, no “Silêncio dos Inocentes” de Jonathan Demme, a agente Clarice Starling era ajudada por um psicopata que lhe deu a pista-chave para capturar o assassino do momento: “ele quer aquilo que cobiça e só se pode cobiçar aquilo que se vê”. Cá para mim, a solução pode muito bem ir por aqui. A forma como o crime foi posto em prática revela um conhecimento profundo dos hábitos da família; a quase total ausência de pistas denota uma apurada planificação e uma actuação metódica; a escolha de apenas um dos três filhos revela que o desejo mandou mais que o dinheiro, que o alvo do rapto estava já previamente definido. Palpita-me que o cérebro, se não também o executante, pode bem ser conterrâneo dos visados. Resta-nos apenas desejar que fosse quem fosse, que seja apanhado a tempo e horas de a salvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas notas finais para o distrito. A primeira, a pedido de muitas famílias, para felicitar os Ases do Pedal por mais uma excelente maratona, num fim-de-semana que invadiu Portalegre de bicicletas e desportistas e nos colocou bem no centro das atenções de todo o país. Quase cinco mil participantes numa das maiores provas do género realizadas no continente europeu, feita quase exclusivamente por amadores e amantes da modalidade. Coisa rara nos dias que correm, afinal ainda há associativismo para quem acredita. Organização apurada e milimétrica de orgulhar todo o distrito. Um abraço muito especial para o meu amigo Vilela e para a sua rapaziada, sempre bem disposta e cooperante onde quer que vá, fomentando amizades e boa onda. Um chapada de luva branca no pretensiosismo de muitos passarões nacionais que se dizem profissionais na organização de eventos, provando que vale mesmo sempre a pena quando a alma não é pequena e que grande é a paixão desta malta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra nota altamente positiva para o nosso Centro de Artes do Espectáculo, para a Câmara de Portalegre, para o vereador Polainas e sobretudo para o grande Joaquim Ribeiro, tantas vezes escondido na sombra da sua nobre timidez e profissionalismo, mas sempre ao mais alto nível numa programação digna de capital. Ainda há poucos dias ali me arrepiei com esse enorme Camané que provou a uma sala cheia, por A+B, que os homens podem ser gigantes de tamanho sendo pequenos de altura; e já agora me deleito entusiasmado ao sorver a informação dos cartazes do que vem a seguir: grande teatro, grandes concertos, grandes espectáculos! Os novos valores e os talentos consagrados, a fina flor da fruta em termos de produções nacionais e internacionais, la créme de la créme mesmo à mão de semear. Bem hajam e que nunca baixem a guarda porque nós vamos ficar redondinhos de tanta fartura e vamos sempre querer mais!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-2512594467239574110?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/2512594467239574110/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=2512594467239574110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2512594467239574110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2512594467239574110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/05/32-desabafo-9-de-maio-de-2007-viagem-da.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RkC7_p4L_GI/AAAAAAAAADU/JuK5Mb7l4T4/s72-c/Untitled-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-4702797042732682191</id><published>2007-05-01T16:10:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:54.360Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;31º Desabafo – 2 de Maio de 2007 – À procura de nós próprios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5059611278525070402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RjdZpp4L_EI/AAAAAAAAADE/QvjFp68jDXY/s320/pensador.gif" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Passamos pouco tempo connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos pouco com nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos a correr e nesse vai-vem acelerado mal damos pela nossa existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chega ao fim do dia e nos deitamos, assim que pousamos a cabeça na almofada, sucumbimos atordoados ao cansaço acumulado que descarregamos num sono profundo. Dormimos a correr, para que possamos acordar cedo e temos com frequência que fintar as insónias inconvenientes que espreitam sempre oportunas, por uma ida à casa de banho a meio da noite, para nos estragar o dito repouso. É nessa inesperada cilada nocturna que muitas vezes temos de enfrentar as preocupações que fingimos esquecidas durante o dia. De manhã, assim que toca o despertador e mal abrimos os olhos para receber a primeira luz, já a cabeça leva meio organizada a nossa agenda, dando-nos instruções para o resto da jornada, para que nada falhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio não perdoa e as primeiras horas da manhã são tudo menos fáceis. O cenário é sempre mais preocupante para quem tem filhos pequenos e se forem mais que dois, a ajuda suplementar é sempre mais que aconselhada. Entre acordá-los, lavá-los e vesti-los, entre o pequeno-almoço e a repetição das mesmas tarefas connosco, gastamos de rajada grande parte das reservas de energia acumuladas para todo o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos aos empregos cansados, muitas vezes sem vontade de aturar o chefe e os colegas, os funcionários e os clientes e levamos a jornada de empreitada para ver se nos despachamos mais depressa mas, nem por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali corremos para casa com paragem obrigatória para apanhar a descendência no Jardim-Escola, Infantário ou Ludoteca mais à mão. Quando ali chegados, iniciamos nova ronda de trabalhos acrescidos: as senhoras com a preparação dos jantares, os maridos que chegam sempre um pouco mais tarde, apoiando nos deveres ou em arrumações de última hora e isto se forem o suficientemente prestáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas viagens de carro não falamos porque o rádio não nos deixa. Às refeições não nos ouvimos uns aos outros porque a televisão que já nos invadiu os quartos, reina à muito mais tempo nas nossas salas e cozinhas. No serão, mergulhamos cada um nos seus entreténs: o homem no jornal ou na bola, a senhora na novela ou no trabalho manual, o petiz ou a princesa no Nenuco ou na Playstation e no encerramento dos trabalhos, é virar e dar outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes vivemos dias inteiros sem olharmos bem nos olhos uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase sempre o que interessa é o tamanho do plasma na sala, a gama da viatura, os requisitos do portátil, o destino de férias, a escola de línguas, as toilettes e o chalet. Mas quantos de nós não terão ainda ouvido da boca de um amigo, de um vizinho, de um familiar ao qual a saúde ou a sorte ou as duas pregaram uma partida e esteve por momentos mais para lá do que para cá, que passou desde então a ver a vida com outros olhos, a prestar atenção aos pequenos pormenores até aí insignificantes: o som e o cheiro da chuva a cair na terra batida, a respeitosa imensidão do mar, o canto divino do rouxinol (como o que vive agora junto a minha casa), um pôr-do-sol numa tarde de Verão, a luz do luar numa noite fria de Inverno, o frescura de um gelado comido num relvado debaixo de uma árvore em Agosto, o sorriso de quem nos ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamechices, dirão alguns. Certamente, mas até ver. Também o outro dizia que a todos chega o tempo de acreditar em Deus: a diferença é que uns acreditam a vida inteira, outros só quando a vêm a abalar, mas mais cedo ou mais tarde, todos lá vão bater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estamos em Maio. Por falar nisso e para os católicos, Maio é o mês dedicado a Maria. Porque vem a propósito, recordo que há cinco anos atrás, precisamente por estas alturas, fui a Fátima a pé, sozinho, com uma mochila às costas. Não fui pagar uma promessa. Não fui cumprir um desígnio específico. Não fui numa missão negocial. Fui sobretudo em sinal de agradecimento e de minha livre e espontânea vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que para muitos este é um assunto controverso. Quem não acredita sentir-se-á certamente tentado a desligar da conversa, mas penso que nestas questões de fé, deve sobretudo prevalecer o respeito. Para mim, a fé está muito para além da existência da própria divindade. Há muito que defendo que a essência da fé está dentro do homem e potencia-se na sua capacidade de acreditar e de se superar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Fátima pois, de sacola às costas, comendo onde calhava e dormindo onde era possível. Nada tenho contra os peregrinos que avançam em grupo, que cantam, falam, convivem e rezam durante o percurso. Mas esta foi para mim, sobretudo uma jornada de silêncio e de busca, de pensamento e de descoberta interior. Voltando ao princípio da nossa conversa, sobre o tempo que passamos connosco, foi então que descobri a importância desse diálogo. Caminhando durante todo o dia, durante quatro dias, das 9 às 18h, passei a minha existência a pente fino. Sem um rádio, sem uma companhia, nada me restava senão esse ilustre desconhecido que vivia em mim e muito alcatrão pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costuma dizer-se que quando corremos um grande perigo, vemos a nossa vida passar-nos à frente em fracções de segundo. Nesse caso, foi uma degustação mais lenta, de muitas, muitas horas de recordações, conjecturas e suposições, desabafos, argumentações e conclusões. Sozinho nessa estrada onde ninguém me conhecia, longe de tudo e de todos, distante do conforto e do aconchego do lar, mergulhei em mim e quis saber mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que foi um dos desafios mais arrojados a que me propus, mas a sensação de paz e o alívio do dever cumprido, no final, tranquilizaram-me. Sentado na imensa escadaria do Santuário, admirando um pôr-do-sol dourado que enchia todo a Cova da Iria de luz, pensei que poderia ficar ali para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final desta missão, olhei para dentro e vi-me a mim. A recompensa foi conhecer-me um pouco mais e talvez melhor do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi então uma lição que me esforço todos os dias por não desaprender: que é preciso fazer um esforço diário para não perdermos o fio condutor que nos leva a nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que é tão importante fazermos um exame de consciência ao nosso dia antes de dormirmos, revendo o que fizemos de bom e onde estivemos pior. É por isso que é tão recomendável que programemos o nosso dia tranquilamente, antes de nos levantarmos, para que nos possamos superar. É por isso que devemos fazer umas caminhadas solitárias, para arrumar o sótão e prepararmos a jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, caro amigo(a), há quanto tempo não tem uma conversa consigo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-4702797042732682191?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/4702797042732682191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=4702797042732682191' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4702797042732682191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4702797042732682191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/05/31-desabafo-2-de-maio-de-2007-procura.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RjdZpp4L_EI/AAAAAAAAADE/QvjFp68jDXY/s72-c/pensador.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-4967553548316677205</id><published>2007-04-24T16:34:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:54.589Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt; 30º Desabafo – 25 de Abril de 2007 – Dias de Romaria&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057019101094140226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/Ri4kFEcU2UI/AAAAAAAAACk/FsW9ZJNP8J4/s320/30%C2%BA+Desabafo+-+25+de+Abril+de+2007+-+Dias+de+Romaria.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Quando o mês de Abril chega a meio, quando os dias se “esticam” em tardes longas já armadas em soirées de Verão, quando se aproximam os dias vinte, começa a cheirar a festas de São Marcos na minha terra natal adoptiva, Santo António das Areias. Esta realidade não será certamente muito diferente da que se verifica por essas terras do distrito e do país fora quando chega à altura do ano em que tempo é de homenagear o padroeiro ou a santinha da devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes tempos de São Marcos dei por mim a pensar em contingências / trivialidades que só dão mesmo vontade de desabafar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não querendo ser pessimista nem desolador, não querendo voltar a tocar na ferida a despropósito, não consigo evitar partilhar convosco a tristeza que me invade ao ser testemunha ocular da morte do interior e de todo um modo de vida. Por mais que digamos que não, que pode ser que a coisa mude, que a esperança é a última a morrer… pouco ou nada há a fazer para evitar o inevitável, e dói mesmo muito. Ao olharmos em volta, vemos que as pessoas são cada vez menos, cada vez mais idosas, a viver com cada vez mais dificuldades e ou acontece um milagre aqui e agora e já, ou o desfecho está bom de se ver. Já não me lembro do tempo em que a festa de São Marcos tinha um cunho marcadamente agrícola e rural, em que se benziam os animais e se pedia à divindade que protegesse campos e culturas, sementeiras e criações. Não sou desse tempo mas lembro-me bem quando era miúdo, de ver por aqui nestas alturas, muitas, muitas barracas e diversões que só nos visitavam precisamente a razão desta efeméride. Havia carros de choque e carróceis, barraquinhas de tiro ao alvo e ginjinha, muita pipoca e algodão doce e até o jogo da derruba das latas de refrigerantes com as meias cosidas, que qualquer um de nós podia recriar quando quisesse em casa, mas tinha ali outra magia, capaz de sacar um sorriso irónico da loura platinada que servia de assistente ao ver uma carambola bem medida. De ano para ano, vêm cada vez menos feirantes, cada vez mais tímidos e encolhidos, a queixarem-se que aquele já foi chão que deu uvas. A coisa chegou a tal ponto que se abalasse a roulotte das bifanas, se partisse a meia dúzia de marroquinos com tecnologia made in loja do chinês e se tirássemos as luzes da Praça, nem parecia que vivíamos a festa maior da maior das localidades do concelho em termos populacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em tempos de São Marcos percebi também que nem tudo é mau, que ainda há pessoas capazes de desinteressadamente se reunirem e trabalharem por um objectivo comum, pessoas que sem terem a certeza de um retorno imediato se dedicam a causas em que acreditam, deixam família e ócio para trás, ficam a dever muitas horas de sono à cama e batem o pé quando é preciso para organizarem um bom bailarico, um torneio de malha, um convívio de tiro ao prato ou mesmo uma bela tourada à antiga portuguesa capaz de encher a nossa praça outra vez e que bonita que estava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias de São Marcos em que a palavra de ordem é, mais que viver, conviver, nestes dias em que saímos de casa e procuramos uns pelos outros, confirmei a minha teoria que esta invenção do euro é uma espécie de doença de laboratório que os economistas das europas inventaram para nos explorarem um bocadinho mais. Ai que saudadinhas dos meus escudos… Como diziam as senhoras do anúncio, eu ainda sou do tempo em que quando se andava com uma notita de quinhentos no bolso, estava-se mais que garantido e até dava para assobiar e agora, com os arredondamentos mais que mágicos é ver as de 20, as de 10 e as de 5 a voarem do bolso para fora para nunca mais voltarem. E não me amolem nem me venham chamar retrógrado e antiquado porque com cafés a 140 paus e toda a gente bem disposta, não há bolsa nem conversão que resista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias em que se sai mais e se vê menos televisão, reparei que o mundo está cada vez mais parecido com as novelas brasileiras querendo eu dizer com isto que mesmo que se falhem 10 episódios, não há qualquer risco de perder o fio à meada porque gira o disco e toca o mesmo! Em 5 minutos de um noticiário de relance enquanto se mastiga qualquer coisa, vêm-se massacres desvairados nos Estados Unidos (que se auto-intitulam os mais civilizados do mundo e onde só não anda de pistola à cintura quem não quer!); lutas fratricidas na facção mais há direita da nossa direita política, caças ao skins por cá e aos votos em França, mortes, bombas e destruição, a cabeça do Fernando Santos numa bandeja; a campanha quase colonialista do Alberto João e uma ou outra variedade no final para terminar com um espírito bem disposto como convém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias fui também a Espanha em missão profissional com um amigo que por lá viveu e os conhece como ninguém e fiquei com vontade de emigrar quando me explicou a forma como os hermanos organizam os seus dias. Começam a jornada de trabalho às nossas 8 da manhã e largam à nossa uma para retomarem apenas no dia seguinte. Quando saem do serviço não dispensam o copo e o petisco de convívio com os amigos e colegas de trabalho, almoçam às duas da tarde… e depois? Depois nunca falham a famosa siesta e no resto do dia? Pergunto eu. No resto do dia? Vivem, que é o que nós tantas vezes nos esquecemos de fazer! Fazem o que lhe der la gana e quando trabalham, trabalham a sério porque só assim se explica os índices de produtividade e rendimento que fazem de Espanha uma das grandes potências da Europa, deixando-nos tantas vezes a tossir na poeira do seu rasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias de São Marcos e enquanto regressava embrulhado nestas minhas conjecturas, olhei para o cartaz das festas e para o grande baile de terça-feira, animado por uma óbvia orquestra espanhola e dei por mim a pensar se as politicamente incorrectas sovas que o nosso bravo Afonso Henriques espetou na mãezinha ao tempo da fundação da nacionalidade não teriam sido mais que a despropósito. Pelo menos nós aqui na Raia, safávamo-nos bem melhor com uma copla bem animada que com um faduncho entristecido daqueles que não é capaz de animar ninguém. A ver vamos o que isto ainda dá!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-4967553548316677205?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/4967553548316677205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=4967553548316677205' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4967553548316677205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4967553548316677205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/04/30-desabafo-25-de-abril-de-2007-dias-de.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/Ri4kFEcU2UI/AAAAAAAAACk/FsW9ZJNP8J4/s72-c/30%C2%BA+Desabafo+-+25+de+Abril+de+2007+-+Dias+de+Romaria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-8562387010880393227</id><published>2007-04-18T13:21:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:54.763Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;29º Desabafo – 18 de Abril de 2007 – “A maior das maravilhas”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054742761671467730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RiYNwrRnotI/AAAAAAAAACc/K923AFG1VNg/s320/29%C2%BA+Desabafo+-+18+de+Abril+de+2007+-+A+maior+das+Maravilhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;O castelo de Marvão é um dos 21 candidatos às 7 maravilhas de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se à primeira vista este é um tema cujo interesse poderia para muitos ser confinado às fronteiras limítrofes da realidade concelhia, o caso muda de figura se constatarmos que de todas as imensas riquezas patrimoniais, culturais e naturais do distrito de Portalegre, o castelo de Marvão é a única a concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo daqui e da pertinência do assunto, gostava de partilhar convosco alguns dados, algumas revelações e um ou outro pensamento sobre a temática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Antiguidade Clássica, longo período da história da humanidade situado entre o século VIII a.c. e o século V d.c., foram erguidas as chamadas sete maravilhas do mundo antigo, um importante conjunto de obras arquitectónicas e artísticas que testemunhavam a magnitude do trabalho e do espírito humano. Entre elas constavam as Pirâmides de Gizé, a mais antiga de todas as obras e a única que resistiu até aos nossos dias; os Jardins Suspensos da Babilónia, em que o mito e a fábula da sua verdadeira existência nunca se dissiparam ao longo dos tempos; a Estátua de Zeus, construída em ouro e marfim e adornada com pedras preciosas em Olímpia; o Templo de Artémis, em Éfeso, actual Turquia, dedicado à deusa grega da caça e dos animais selvagens; o Mausoléu de Halicarnasso, também um sumptuoso monumento fúnebre; o Colosso de Rodes, uma gigantesca estátua de 30 metros de altura e setenta toneladas de bronze dedicada ao deus grego Hélios, e o Farol de Alexandria, uma torre de mármore situada na ilha de Faros, no Egipto, destruída por um terramoto e cujos restos foram recentemente encontrados por mergulhadores depois de confirmados via satélite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa manteve-se durante séculos até que no ido ano de 1999, o suíço Bernard Weber, de 55 anos, um multimilionário dado a excentricidades que já foi director de museus, cineasta, piloto de aviões e cidadão do mundo que viajou pelos cinco continentes, decidiu meter mãos à obra para a criação de uma votação global destinada a escolher os novos sete monumentos símbolo do planeta para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitou a Unesco, pegou na lista do Património Mundial, um índice do legado cultural e natural do mundo inteiro, e dos 644 sítios elegeu 17. Depois e com recurso já à Fundação da Novas 7 Maravilhas, colocou a votação na Internet e pediu aos utilizadores do mundo inteiro que sugerissem outros edifícios que tivessem sido construídos pelo homem antes de 2000 e reflectissem a identidade do seu país. Daí resultaram perto de 200 monumentos apurados que foram reduzidos por um painel de famosos arquitectos aos 21 que constam da eleição e onde pontuam, por exemplo, a Acrópole de Atenas, a Alhambra de Granada, o Coliseu de Roma, o Cristo Redentor do Brasil, a Estátua da Liberdade de Nova Iorque, a Grande Muralha da China, as ruínas de Petra na Jordânia, o Taj Mahal da Índia ou a famosa Torre Eiffel de Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 7 do 7 de 2007, qualquer cidadão do nosso planeta com acesso à Internet pode aceder ao sítio das 7 maravilhas, facilmente detectável através de um motor de busca e escolher quais são para si as 7 maravilhas à escala mundial que devem ser eleitas, colaborando assim no primeiro grande voto global para a escolha dos novos ex-libris da humanidade. O resultado será registado num cd de ouro que será enviado para o espaço e quem poderá algum dia saber qual o efeito que irá surtir…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é que Portugal e Marvão têm a ver com toda esta história, perguntarão certamente alguns e com razão? Ora bem, se olharmos atentamente para um planisfério, Portugal, e mais concretamente a cidade de Lisboa, situam-se praticamente no centro, o que convém à visão unificadora que está na base da votação. Para escolher as novas jóias, nada melhor que o centro do mundo tal como o vemos nesta perspectiva. O facto de a cerimónia final ter lugar na Catedral da Luz já e uma verdade que me desculparão certamente por não comentar, evitando assim “bocas” que se antevêem menos simpáticos de alguns rivais clubísticos mas se me permitem, a escolha do local parece-me da maior justeza e nobreza e mais do que adequada ao nível dos melhores do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas bem, avancemos, como diz o outro. Temos pois que a 07.07.07, o mundo inteiro estará de olhos postos no Estádio da Luz para assistir à cerimónia que se antevê como a arrebatadora de todos os records de audiência televisiva de sempre. A coisa promete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que se aperceberam de todo este andamento, algumas empresas lusas ligadas à produção de eventos e ao mundo da publicidade colocaram as cabecitas a trabalhar na busca daquilo que é o objectivo último do seu trabalho: fazer dinheiro e gerar riqueza. E daqui saiu a brilhante ideia do: “espera lá, pá… se estes gajos vêm cá para o nosso país escolher as novas maravilhas do mundo, se está tudo em cima, se a coisa gera milhões, se não há nenhum ilustre representante português na nova elite, porque não escolhermos nós as 7 maravilhas de Portugal?” Igualmente simples e brilhante, não concordam? Esta vistosa manifestação do melhor espírito portuguesito de aproveitamento, justificada pela constatação académica que “copiar por quem faz bem não merece má nota” deu um estardalhaço que nem vos digo nem vos conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O método não foi preciso inventar porque, claro está, estava já tudo inventado! Pegaram-se nos 793 monumentos classificados pelo IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico); juntaram-se 7 peritos que seleccionaram 77 monumentos (a ideia do número 7 fica sempre bem!); e depois, um Conselho de Notáveis convidados pelas duas empresas promotoras, entre os quais contam historiadores, políticos, actores, sociólogos, gestores, jornalistas, cientistas e tudo o que melhor se pode esperar, escolheram os 21 monumentos finalistas que serão submetidos a votação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiveram até o cuidado, para que a coisa não descambasse em balelas, de convidar o inquestionável e mais que intocável Prof. Freitas do Amaral para encabeçar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos 21 finalistas encontramos os inevitáveis como os Jerónimos; a Torre de Belém; os Palácios Nacionais da Pena e de Queluz; o castelo de Óbidos; o mosteiro da Batalha; o Convento de Cristo em Tomar; o Templo de Diana e a Torre dos Clérigos; os prováveis como as ruínas de Conímbriga, Castelo de Guimarães e Mosteiro de Alcobaça, e os outsiders, os que correm por fora como o Palácio Ducal de Vila Viçosa, as fortificações de Monsaraz e o Castelo de Marvão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, meus amigos, não tenhamos ilusões: trata-se de um negócio, de algo que foi feito para valorizar mas também para gerar dinheiro e nestas coisas como disse um dia e muito bem um notável colaborador meu e da minha autarquia, “trata-se de uma eleição em que Marvão é um partido pequeno, sem militantes, que nem dinheiro tem para bonés”. Não quero eu dizer com isto que Marvão não possa porventura vir a ser votado. Oxalá assim fosse! Mas o que me parece é que a votação é desleal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleal porque nem todas as autarquias às quais tentam extorquir dinheiro para promoção (não esqueçamos que a imagem do concurso tem dono e direitos!) têm a mesma disponibilidade para enterrar milhares de contos nesta história, em bandeirolas e balões de ar quente, em mesas de voto electrónicas e páginas de publicidade nos grandes meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleal porque a forma de votação realizada sobretudo pelo único meio disponibilizado em meses, a internet, é elitista e favorece largamente as cidades e os meios desenvolvidos que têm outras facilidades no acesso às novas tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleal porque ao colocarem a decisão nas mãos dos cidadãos favorecem obviamente as áreas mais populosas do litoral e das grande urbes. Não me vão jamais conseguir convencer que o concelho de Marvão com os seus pouco mais que 4 mil habitantes tem hipóteses quando comparado por exemplo com Guimarães que tem mais de 50 mil, já nem vou mais longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleal porque quem tem apetência para votar e entrar em força nestes concursos é um público-alvo muito específico, com ideias muito próprias que não representa em força o país (só assim se justifica que Salazar seja o maior português de sempre!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desleal porque quando se fazem galas e grandes espectáculos, os melhores sítios nas plateias vão sempre para os mesmos; os quadros representados pelos artistas são só de alguns locais; é desleal porque apesar de todos terem direito a cenários pagos por todos, apenas alguns ficam nas luzes da ribalta, frente aos melhores holofotes, nos melhores ângulos de ecrã e o MEU castelo querido lá escondido atrás e bem podia reclamar com a produtora que o resultado era o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me interpretem mal! Não há nada mais triste que desculpas de mau pagador, que justificações para quem não sabe perder, porque não se trata disso! Trata-se apenas de, com a devida justiça, esclarecer e informar, aclarar e justificar o porquê das coisas que NUNCA acontecem sem explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo isto, apelo a todos os que me ouvem e que têm computador em casa, no trabalho, na escola, na casa do neto ou do vizinho, que vão, votem em Marvão e ajudem a fazer justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E digo-vos mais… que seja qual for o resultado final, que EU: que regressado de uma viagem vislumbro orgulhoso no horizonte o castelo altaneiro de vigia no alto da escarpa íngreme; que passei muitas noites deslumbrado no miradouro da asa delta a contemplar o manto negro adornado com luzinhas a meus pés; que me maravilhei tantas vezes com o nevoeiro cerrado que me fazia sempre acreditar que estava num barco enorme a domar um mar gelado sem fim; que me arrepiei da guarita com o som da águia, o pio da coruja, o ladrar do cão ao longe; EU que como TANTOS que nasceram, se deliciam todos os dias com a vista da muralha e hão-de morrer naquele alto, que por muitas e infinitas maravilhas que haja no nosso país e no mundo até… nenhuma delas é tão linda como o meu Marvão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-8562387010880393227?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/8562387010880393227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=8562387010880393227' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8562387010880393227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8562387010880393227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/04/29-desabafo-18-de-abril-de-2007-maior.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RiYNwrRnotI/AAAAAAAAACc/K923AFG1VNg/s72-c/29%C2%BA+Desabafo+-+18+de+Abril+de+2007+-+A+maior+das+Maravilhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-6058953242506798246</id><published>2007-04-11T10:05:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:55.042Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;28º Desabafo – 11 de Abril de 2006 – “A vergonha… por um canudo!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052094317333029570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RhylA7RnosI/AAAAAAAAACU/9_PzXmIqVjM/s320/28%C2%BA+Desabafo+-+11+de+Abril+de+2006+-+A+vergonha,+por+um+canudo.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já é do domínio público que sofro horrores a ver o meu Benfica jogar mal. Sofro tanto, tanto que vejo os anos a voarem do calendário da minha vida e esta por esse motivo, a andar para trás. Sei que sofro e sofrerei, é certo, mas a desfaçatez é tal que já me vejo muitas vezes a sorrir e a rir mesmo até porque perante tamanha calamidade, não vislumbro outro remédio. E assim sempre se dura mais tempo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo digo em relação ao país. Assistir a um noticiário em horário nobre na televisão, ler as grossas de um jornal diário ou mergulhar num tema de destaque de um semanário, sempre que o assunto seja de política interna ou do foro nacional, não merece outro resultado que não uma sonora gargalhada. Só mesmo assim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta hora já todos ouviram falar no caso “Unigate” que é como os jornalistas de agora chamam à balbúrdia que rebentou na Universidade Independente. A esta hora já toda a minha boa gente ouviu falar que as coisas para aqueles lados estão tudo menos bem. Com o boom das universidades privadas nos anos 80, houve muito malandro de fato e gravata que viu nessa oportunidade uma jogada de puro génio para criar uma área intocável onde podiam ser comodamente tratadas matérias menos lícitas como tráfico de influências e lavagens de capitais. Com o caso da Universidade Moderna ainda bem a quente, o da Independente, que o é só de nome, veio confirmar todas as nossas piores suspeitas relativas a esses meandros sórdidos e promíscuos onde o dinheiro e a vida académica se enrolavam com forças maçónicas e interesses dúbios ligados a economias paralelas e ao mundo do crime “puro e duro”. Na Independente, nesse templo moderno do saber, deu-se razão à sabedoria popular que diz que quando se zangam as comadres, dizem-se as verdades e dali para as portadas dos jornais envolvendo nomes da cúpula da instituição com tráfico de armas, jóias e branqueamento de divisas foi um pulinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alunos, ansiosos e preocupados, aqueceram longas Assembleias Magnas em que questionaram ferozmente o reitor, arrombaram portas, colocaram cadeados, fizeram mil e um disparates que só se perdoam porque o desnorte era geral e o nem o Dr. Mariano Gago, ilustre Ministro de Ensino Superior, com aquele seu ar de cientista russo dos anos 70, conseguiu pôr fim à barafunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cereja no cimo do bolo ainda estava por colocar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornalistas de agora, habituados a travar diariamente lutas de morte para vender papel, levando à frente tudo o que apanham e esgravatando até ao mais ínfimo detalhe para apanharem algum desprevenido, acabam sempre por se safar e desta vez foi com o próprio actual reitor da UNI, Luís Arouca, que a propósito do escândalo dissertou de boca cheia no “24 Horas”sobre a licenciatura do Sr. Primeiro Ministro José Sócrates, na prestigiada instituição que dirige. Nessa sua brilhante prelecção em que recorda os tempos de aluno do nosso chefe de governo, espalha-se ao comprido, falando e coleccionando imprecisões sobre matérias que claramente não domina: avança que o nosso PR terminou o curso com uma média de 16 valores quando a nota registada é apenas de 14, diz-se surpreendido pelo exame oral que ele próprio lhe fez a “Inglês Técnico” quando o regente da cadeira era outro e recorda disciplinas onde Sócrates se destacou, disciplinas essas que Sócrates não frequentou de todo porque pura e simplesmente não existiam nessa data no curso de Engenharia Civil daquela instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem cospe para o ar, acaba sempre por lhe cair em cima, o senhor reitor levantou ainda oportunas suspeitas sobre a validade da licenciatura em Direito de Amadeu Lima Carvalho, outro dos sócios da SIDES, proprietária da Universidade Independente, com o qual entrou em litígio e este, como quem sabe da missa mais da metade, não perdeu tempo respondendo que o seu “diploma é tão verdadeiro como o do senhor primeiro-ministro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os dois suspeitos de falsificação de documentos e ambos ou muito espertos ou muito parvos porque o baile mandado que começaram ainda está muito longe de acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates entrou para a Independente em 1995 para completar uma licenciatura em Engenharia Civil iniciada muitos anos antes no Instituto Politécnico de Coimbra e continuada no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Para conseguir obter o grau, teria de completar cinco cadeiras na UNI, quatro das quais foram leccionadas pelo mesmo professor, António José Morais e uma quinta, a do já falado “Inglês Técnico”, ministrada pelo reitor Luís Arouca, nunca tendo o verdadeiro regente da cadeira vislumbrado a figura de Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os únicos documentos analisados pela investigação jornalística, classificados como “Dossier Sócrates” não passam de um conjunto de papéis soltos, sem numeração nem carimbo da instituição, não constando sobre o mesmo qualquer número de aluno, ano lectivo ou turma. Duas folhas manuscritas e com algumas disciplinas quase ilegíveis constituem o plano de equivalências, que não possuí data e assinatura, não tendo sido possível consultar o Livro de Termos exigido por lei, onde deveriam constar os dados académicos dos alunos, nem livros de sumários, horários, listas de professores e de disciplinas, alegadamente por não existirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diploma de final de curso de Sócrates foi assinado pelo reitor e pela sua filha, chefe dos serviços administrativos da UNI (tudo em família, portanto!), num dia 8 de Setembro de 95, ou seja, um domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério não tem qualquer informação documental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os colegas entrevistados garantem que Sócrates não punha o pé nas aulas e que só o avistaram nos exames das quatro cadeiras finais realizados pelo mesmo docente, “chegando dez minutos depois da hora, sentando-se no fundo da sala, isolando-se dos restantes e saindo sempre antes do término da prova”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o enigma adensa-se quando se pesquisa mais aprofundadamente sobre quem é esse professor responsável por 4/5 das cadeiras então decisivas: António José Morais. Dando seguimento à lógica do “cá se fazem, cá se pagam”, António José Morais esteve por duas vezes em governos socialistas de onde acabou por sair depois do seu nome ser envolvido em polémicas públicas. Na primeira vez, estando ligado à Fundação para a Prevenção e Segurança de onde rolou a cabeça de Armando Vara, chegou ao Gabinete de Estudos e Planeamento de Infra-Estruturas do Ministério da Administração Interna onde foi responsável por concursos, adjudicações e obras realizadas nos serviços dependentes do MAI, nomeadamente quartéis de bombeiros, esquadras da PSP e GNR e instalações do SEF. Saiu depois de estalar a polémica e quando o seu nome surgiu num relatório instaurado pela Inspecção-Geral da Administração Interna responsabilizando-o por alegadas irregularidades na adjudicação de empreitadas na Quinta de Santo António. No regresso a cargos oficiais já na actual legislatura, é chamado para Director do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça, mas volta a ser afastado em Janeiro de 2006, por Alberto Costa, quando o jornal “O Independente” traz a público a contratação deliciosa que fez, sem qualquer tipo de concurso, de uma cidadã brasileira que trabalhava no restaurante “Sr. Bacalhau” no Centro Comercial Colombo, para o cargo de responsável máxima do Gabinete de Logística do Instituto que dirigia, com um salário de 1700 euros. Haja Cristo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um excelente currículo portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio desta complexa embrulhada, resta a Sócrates muito mais que os sorrisos dissimulados com que se esquiva dos jornalistas. Mais do que empurrar o assunto para instâncias competentes, convinha-lhe a ele e a todos nós portugueses, que estamos fartos de ser enganados, alguma dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bill Clinton, enquanto presidente dos Estados Unidos da América, mentiu à nação quando jurou em sede de Comissão, não ter tido um envolvimento sexual com a estagiária Mónica Lewinsky. Depois das análises às celebres manchas do vestido azul e depois de já não ter por onde esconder mais, confessou-se, retraiu-se, pediu perdão e foi na realidade amnistiado porque se assim não fosse, nunca a sua mulher, Hillary Clinton, estaria hoje tão bem posicionada para se tornar na 1ª dama a chefiar a mais poderosa nação do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo por que nós clamamos no fundo e em relação ao escândalo da licenciatura de Sócrates, é que se faça luz e das duas uma: ou sejam apresentadas provas concretas e cabais que desvaneçam qualquer margem de dúvidas, ou haja um claro pedido de desculpa, um mais que óbvio pedido de demissão e um esforço pelo restabelecimento da legalidade porque de mentiras e de golpes nas costas, estamos nós mais que cheios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-6058953242506798246?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/6058953242506798246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=6058953242506798246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/6058953242506798246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/6058953242506798246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/04/28-desabafo-11-de-abril-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RhylA7RnosI/AAAAAAAAACU/9_PzXmIqVjM/s72-c/28%C2%BA+Desabafo+-+11+de+Abril+de+2006+-+A+vergonha,+por+um+canudo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-3223914790961909417</id><published>2007-04-04T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:55.434Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;27º Desabafo – 4 de Abril de 2007 – “Serviço de Urgências”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5049340962517614418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RhLc2lSw_1I/AAAAAAAAACM/czWy9O4_JFk/s320/Bonjour.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É usual ouvir-se dizer que para um homem se sentir realizado é preciso plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho. Das três façanhas, a mim, basta-me a última. Ter um filho é a empreitada maior que alguém pode esperar nesta encarnação. Quando concebido em consciência e plenitude, um filho é algo muito maior que a própria vida. Um conhecido cantor americano cá das minhas preferências, pai depois de uma longa e conturbada existência, escreveu uma canção em que dizia que um filho é o princípio de uma grande aventura. Ter um filho é passar a viver em mais do que um corpo. Nos filhos prolongamos a nossa própria existência, nos filhos ultrapassamo-nos, projectamo-nos no tempo e no espaço, vencemos a própria morte ao perpetuarmos a nossa memória… por sermos vivos enquanto recordados. Ao termos filhos nunca mais descansamos completamente, passamos a ter dois corações, duas maneiras de pensar e nunca estaremos completamente felizes se eles não estiverem também. Depois dos idílicos primeiros tempos, entramos na longa gestação da sua própria personalidade, enfrentamos birras e privações, insónias e tentações, deixamos, definitivamente, de pensarmos só em nós para passarmos, para sempre, a pensar primeiro naqueles que são o nosso mais que tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vivemos tempos difíceis, tempos estranhos estes em que muito, muito cedo, cedo demais os separamos de nós. Antigamente e não há muito tempo, o convívio entre as famílias e a proximidade de todos os seus membros era o grande gerador de felicidade caseira. Hoje trabalhamos que nem cães para podermos pagar a quem faz o serviço que deveríamos ser nós gratuitamente a fazer. Desmultiplicamo-nos em brinquedos e atenções, em vestidinhos e ilusões quando no fundo às vezes o que nos pedem com um olhar que não vemos é um mimo e um pouco de atenção. Começam cedo demais a seguir o seu percurso e por muito próximos que estejamos, nunca estamos suficientemente próximos para saber tudo. Por vezes, só quando a ameaça paira e o perigo espreita, só quando o azar nos bate à porta é que sentimos verdadeiramente o importantes que são para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a última Quinta-feira tinha realmente tudo para ser mais um dia normal de trabalho em que nos separamos à porta da escolinha para nos voltarmos a avistar bem no fim já noite dentro. A reunião da meia manhã foi interrompida com o telefonema assustado da auxiliar que ligava do Parque Infantil de Castelo de Vide para onde se tinham deslocado num passeio de férias da Páscoa. A Leonor tinha caído desamparada do alto de uma estrutura de dois metros e estava muito chorosa e queixosa das costas. Tinham seguido para o Centro de Saúde e nós fomos na sua peugada. Com a adrenalina a “bombar” nas artérias e com mil cenários angustiantes a martelar na cabeça voei o mais rápido que pude e encontrámo-la lavada em lágrimas, a contorcer-se com dores na marquesa. Depois de uns absurdos e incompreensíveis 20 minutos à espera de um médico que fizesse uma primeira triagem e após as infrutíferas tentativas de chegar à fala com alguém responsável (ainda hoje estou por descobrir onde é que estiveram metidos) acabei por minha conta e risco por arrancá-la dali o mais depressa possível e levá-la para Portalegre, na esperança de melhor sorte. É de facto a maior das vergonhas tanto laxismo e tanto “deixa andar” mas nem mesmo por se tratar de uma criança e de uma questão de aparente cuidado puderam perder um instante do seu precioso tempo para reencaminhar o caso. E mesmo assim não me livrei de um comentário infeliz de um dos de serviço que só não mereceu resposta mais personalizada por ter manifestamente coisas mais importantes que tratar então, como a urgência me levou também a não deixar o testemunho no Livro das Reclamações que era certamente o que de melhor tinha feito porque episódio destes, como eu costumo dizer, só dão vontade de passar à luta armada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portalegre o atendimento foi, desta vez, exemplar. Enfermeira simpática e de pronto serviço, pediatra atenciosa e dedicada e o inevitável Raio X que por muito que se explicasse que não doía era motivo para mais uma investida de novo pranto. As dores eram mais que muitas e tentar sentá-la ou pô-la de pé era impensável. Foi grande o alívio por não haver fractura declarada mas ainda assim carecia do olho clínico do ortopedista. O de serviço era de aparência uma mistura entre o José Carlos Malato e o Fernando Pereira. Meia-idade, barbinha desenhada a régua e esquadro, cabelinho à moderna com uns toques de gel, ar bonacheirão e bem disposto teve, apesar de não estar especialmente vocacionado para atender crianças, um comportamento digno de compêndio. Confiante e bem falante, adaptou o discurso e uma descrição técnica ao nível da paciente para que percebesse tudo e deu magistral aula de bem saber fazer. Aconselhou-a a muitas sestas, repouso, massagens e tardes deitada no sofá a ver desenhos animados e a comer guloseimas de Páscoa. Escusado será dizer que o choro deu rápido lugar a um sorriso de orelha a orelha perante tão auspicioso prognóstico. A simpatia foi tanta que o Doutor chegou ao pormenor de lhe recomendar uns bébézinhos de licor muito bons como os que a sua mãe lhe costumava comprar quando era pequenino. Depois da receita aviada e das despedidas formais não é que no carro me lembrei que tinha visto há dias os bons dos bombons numa das prateleiras do Modelo? Não foi cedo nem foi tarde, tirei de seguida para o mais próximo e lá comprei duas caixinhas de bombons de licor, deliciosos por sinal! uma de bebés e outra de legumes. Pedi à menina para embrulhar e colei cartãozinho pessoal a desejar as maiores felicidades, boas Páscoas e a ofertar os meus humildes préstimos para se um dia lhe puder ser tão útil como ele me foi a mim nesse mesmo. Depois da converseta com o segurança, lá entrei assim meio à socapa e esperei no corredor. O senhor Doutor estava a acabar de almoçar, disse a menina do fatinho verde. Surpreendido por me ver de regresso e ainda mais quando viu o presente, imaginem então (e é aqui que é pena a rádio não dar para ver) o sorriso do homem e o seu ar de incrédulo quando contemplou os mesmos bombons que a mamã lhe costumava comprar ali mesmo à sua frente. Anda balbuciou um “que detalhe! Esta é daquelas que tocam fundo” e deixei-o feliz porque também assim fiquei e como é tão melhor quando tudo corre bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, apesar da medicina convencional já nada mais ter para dizer, e aparentemente estar tudo em vias de ficar normalizado, é claro que não descurei o cuidado e rumei caminho de Alter para visita ao inevitável Ti Chico apesar do risco acrescido de já passar do meio-dia. Este sim que bem merecia uma estátua ou uma rotunda ou um título nobiliário qualquer. Dos três estabelecimentos de saúde que frequentei durante o dia este ainda foi onde estive mais tempo à espera mas também foi onde fui mais bem servido. Naquela meia hora já faziam fila o Peugeot com os velhinhos espanhóis e o Golf branco com o casalinho de namorados e era regalo vê-los entrar todos amolgados e saírem direitinhos e mais fresquinhos que os acabados de sair da fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que as mãos sábias pousaram nas costinhas brancas da pequena Leonor, como se tivessem um TAC na ponta dos dedos, emitiram de pronto o diagnóstico que não era de todo favorável. As duas vértebras deslocadas não voltariam ao seu lugar original sem um valente apertão que provavelmente iria fazer doer de novo. Estranhamente e ainda se está para saber se por já ter passado tanto nesse dia, a coisa correu às mil maravilhas e até o bom do Ti Chico se admirou de tamanha facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se é obrigatório o tal Livro das Reclamações que bem aqui ficava um de elogios porque este homem, de tanto bem ter feito a tanta gente, bem merecia também uma distinção de bom serviço à Comunidade, porque o seu bocadinho de Céu já o tem mais que garantido. Bem Haja, bom homem! E até daqui a… espero eu, muito tempo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-3223914790961909417?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/3223914790961909417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=3223914790961909417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/3223914790961909417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/3223914790961909417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/04/27-desabafo-4-de-abril-de-2007-servio.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RhLc2lSw_1I/AAAAAAAAACM/czWy9O4_JFk/s72-c/Bonjour.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-1039681162390169928</id><published>2007-03-28T13:00:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T15:58:56.822Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;26º Desabafo – 28 de Março de 2007 – “A votação na selecção”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046944740133633858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RgpZgFSw_0I/AAAAAAAAACA/Bi3GMLvPLJY/s320/ng1008737.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;A segunda metade do jogo da selecção A no sábado passado devolveu-me a fé na portugalidade, de tal forma que nem sequer me senti abalado pelo trágico desfecho do concurso dos “Grandes Portugueses” que nos relembrou quão pequenos podemos ser quanto a respeito de memória e auto-estima colectiva, ao entregar postumamente o ceptro do poder ao velhinho de Santa Comba Dão, António de Oliveira Salazar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixemo-nos de coisas tristes e relembremos aqueles assombrosos últimos 45 minutos em que os jovens infantes elevaram bem alto o estandarte da selecção das quinas! E não é que os fanfarrões dos belgas estavam mesmo a pedi-las? Depois das sórdidas ameaças do cara de parvo do guarda-redes e do discurso belicista do seleccionador, nada melhor que uma lambada “tuga” de luva branca, daquelas à antiga portuguesa, com 4 tentos de rajada na “pá” para que nunca mais se esqueçam que a miudagem é mesmo “show di bola”. E que luxo, senhores, que privilégio poder ver os catraios (mesmo que há distância de um ecrã) “bombar” o melhor futebol que há muito não víamos. Digam lá se não foi engraçado ver o Figuinho e Príncipe de Florença pasmados na bancada com um sorriso agridoce de quem vê a descendência assegurada mas teme que com jogatanas destas, os esqueçam mais depressa do que pensavam? Aposto que até o Simãozinho e o mágico de Barcelona devem ter gostado da actuação mas não conseguiram evitar no final um “se for sempre assim, onde é que eu encaixo?”. E de todos, saltam 3 por serem por demais evidentes. Na ponta direita, o puro sangue de raça cigana com o seu futebol para lá do já inventado, sempre imprevisível, em danças estonteantes feitas de rodopios e toques de calcanhar, mudanças de velocidade e rotações, dribles alucinantes e as trivelas senhor! as trivelas coroadas com o genial lance do terceiro golo que ficará para sempre gravado a ouro nas páginas mais lindas da história do nosso futebol. No centro, o fabuloso algarvio de palmo e meio, carregando todo o futebol que há no mundo na ponta dos pés. Moutinho não tem os vinte anos que vêm no seu B.I., tem muitos, muitos mais e um cérebro que debita futebol em alta rotação e faz dele o motor incansável da nossa squadra. Corta, rouba, imagina vielas e linhas de passe, centros e desmarcações e prova em cada toque que o futuro é nosso. Como se não bastasse, há ainda a jóia da coroa, o verdadeiro dono do bailinho da Madeira, o que nasceu entre nós para agora ser do mundo, Ronaldo, o grande! E que tremendo gozo é vê-lo partir em voos picados de 40 metros sobre as defesas contrárias, hipnotizando-os com os seus toques febris, magnetizando-os com o seu compasso, arrastando-os de recuas até à boca da área, onde os deixa caídos de cú na relva, para fugir de rajada e desferir de seguida mais um petardo que há-de explodir no fundo da baliza adversária. Meus senhores, estes meninos são de oiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena os nossos políticos não serem também assim! Mas infelizmente não são! E aí, todos sabemos que a coisa piora um bocadinho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Portas está de volta e tenho de confessar que já tinha saudades. O Portas faz falta porque o Portas faz oposição. Mal decidiu voltar à luz da ribalta ao candidatar-se à liderança do seu partido, aproveitou a conferência de imprensa para dar duas caneladas no Sócrates. O Portas faz falta porque é inteligente, é culto e sabedor, tem ambição, garra e determinação, gosta daquilo à farta e diverte-se, divertindo-nos. Faz falta gente assim! Ao contrário dos filmes da série B, em que geralmente o vampiro se torna no final, ele próprio caçador de vampiros, Portas fez o percurso inverso: enquanto jornalista caçou políticos (o Presidente da República ainda hoje não o pode ver), até que lhe ganhou o gosto e se tornou num deles. Foi durante muitos anos a alma do Independente que na altura não o era só de nome e inaugurou o verdadeiro jornalismo de investigação no nosso país, entrando como um elefante numa loja de porcelana pelos governos adentro, fazendo rolar muitas cabeças desprevenidas que fizeram dele ódio de estimação. É jovem, tem carisma e ainda bem que está de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, meus amigos, vivemos na era da imagem. A imagem é tudo e na política e em Portugal, ainda mais. Os portugueses não votam pelos conteúdos programáticos, por aquilo que é proposto, pelo que a governação pode vir a ser. Os portugueses votam no mais bonito, no mais bem vestido, no que fala melhor mesmo que aquilo que diga sejam uma série de balelas já que no fundo dizem todos basicamente o mesmo. Não interessa o que se diz, mas sim a forma como se diz! E aí está a grande questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos o exemplo do Ribeiro e Castro. É competente, tem ideias, é grande benfiquista, não esteve mal no estrangeiro, mas pelo amor de Deus, o homem tem uma cara de quem acordou às 7 da manhã num domingo com as testemunhas de Jeová a baterem-lhe à porta! Está aborrecido, está cansado, ou zangado, ou sei lá o quê, mas não convence nem o homem das bombas a meter-lhe “sem chumbo 95” quando o outro insiste na “98”, quanto mais…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos o caso da Odete Santos. Por muito brilhante e talentosa que a senhora seja, alguém acredita que dali poderia alguma vez sair um chefe de Governo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem conta e muito! É tão decisiva que será certamente uma das razões porque Marques Mendes terá sempre, apesar da prestação enquanto braço direito do Professor nos seus anos de ouro, o caminho para o poder tão barrado, pela inveja interna e pela pressão externa. A contingência de ser baixo, de ser alvo da chacota diária no Contra-Informação, de insistir em ir a escolas quando quase todos os alunos olham para ele de cima para baixo, há-de ser o grande estigma que o impedirá de se afirmar. O eterno candidato António Vitorino do PS sabe bem do que falo, também ele sofre do mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próprio PSD, facilmente se conclui que perante a nossa maneira de pensar, um António Borges será sempre mais candidatável que uma Manuela Ferreira Leite apesar das provas já por si dadas em mais do que uma oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Manuel Durão Barroso beneficiou do seu ar simpático e algo bonacheirão, por inspirar confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates é limpinho, faz desporto, faz questão que o vejam a praticar desporto, tem um ar agradável, de filho que todas as mães querem ter, de figurante em anúncios de companhias de seguros e apesar da sua mania ridícula de andar com as calças à meia canela, serve perfeitamente a minha teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia falta um casting de políticos. Fazia falta e já não há-de faltar muito, que antes de os submeterem a sufrágio e antes de saberem se sabem muito de muita coisa e se sabem como levar o país avante, se têm um ar candidatável para que quando na televisão perguntam às senhoras que passam na rua “porque votam neste ou naquele?”, elas possam responder “porque gosto e já está”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao início da nossa conversa e olhando para os miúdos do futebol em foto colectiva antes do jogo, dou por mim a pensar, com tanto bom aspecto, se lhes desse na cabeça de nas horas vagas, entre os jogos e os treinos, de formar um partido, não sei não! Como isto das votações para aí anda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se cá estivesse o bom do Fernando Peça, bem poderia terminar o desabafo por mim com um mais que apropriado: “E esta, hein?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-1039681162390169928?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/1039681162390169928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=1039681162390169928' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/1039681162390169928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/1039681162390169928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/03/26-desabafo-28-de-maro-de-2007-votao-na.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RgpZgFSw_0I/AAAAAAAAACA/Bi3GMLvPLJY/s72-c/ng1008737.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-2306617416402724281</id><published>2007-03-21T15:05:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:56.975Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;25º Desabafo - 21 de Março de 2007 – De olhos postos no infinito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044394399413986786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RgFJ-twKZeI/AAAAAAAAAB4/Jz2Z_HSWIkU/s320/24%C2%BA+Desabafo+-+24+de+Mar%C3%A7o+de+2007+-+De+olhos+postos+no+infinito.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há um pensamento que me tem assombrado ao longo de muitos anos e ainda hoje me deixa sem fôlego quando o retomo. Não conseguindo estabelecer a linha orientadora que me fez lá chegar inicialmente, posso tentar, com a ajuda das palavras, colocar-vos nesse ponto que considero de não retorno: ao nascermos e enquanto crescemos, somos formatados para viver e raciocinar mediante determinadas regras e conceitos. Não nos conseguimos abstrair da noção de tempo, de espaço, de religião, de história e de absoluto. Imaginem então que um cataclismo, uma guerra ou uma praga dizimavam toda e qualquer forma de vida, exterminando por completo as hipóteses de sobrevivência do nosso planeta. Imaginem que um cometa, um asteróide, um qualquer corpo celeste não passível de se desviado da nossa rota ou destruído antes do contacto, chocava e colocava um decisivo ponto final na história da terra. Tentem perceber então, o que ficaria depois… Suponham que não restava um único ser vivo, um livro, um registo, um apontamento, uma imagem, um resquício que fosse da nossa breve passagem por este mundo. Suponham que não restava nada! Que seria então de nós e da nossa efémera condição, nesse imenso universo infinito de que quase nada sabemos? Quem nos daria as respostas que todos queremos ver respondidas quando um dia chegarmos ao fim da linha? Será que alguém viria a saber, um dia, que nós alguma vez existimos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaria apenas o silêncio e a escuridão, a vaguear por entre o nada e sem nada mais ter para dizer. Nem dias, nem horas, nem memórias, nem sinal dos tempos… nem bem, nem mal, nem princípio, nem fim. Apenas um tremendo e absoluto vazio a reinar por todo o espaço sideral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta constatação deixa-me sempre em suspenso e a imaginar se haverá alguma volta a dar porque mesmo que consideremos a presença de Deus e do seu Contrário, a existência do Céu, do Inferno e do Purgatório, depressa nos apercebemos que todas essa grandezas não passam também de abstracções ou realidades deste mundo que podem não ser compatíveis quando este se encontra destituído das suas próprias estruturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem o nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo um apaixonado destas temáticas e um ávido curioso de novidades nestas matérias percorri praticamente todo o caminho para não profissionais e amadores dedicados, disponível na literatura, televisão e cinema. Nos livros, devorei Júlio Verne, as aventuras épicas d’”O Homem que veio do Futuro” e o clássico “Um estranho numa terra estranha” onde aprendi o significado da palavra “grocar”. Na saga televisiva, não perdi pitada de séries como “Cosmos” do Professor Sagan, e fui do “Espaço 1999” à “Galáctica”, do “Caminho das Estrelas” à “Guerra das Estrelas”, do “Buck Rogers” ao “V – Batalha Final”, do “Twilight Zone” aos “Ficheiros Secretos”. Em cinema, idolatrei e coleccionei os clássicos, dos “Encontros Imediatos do Terceiro Grau” ao “E.T. – O extraterrestre”, do “Planeta dos Macacos” à “Duna”, do “Blade Runner” ao “2001 – Odisseia no Espaço”, da “Inteligência Artificial” aos “Aliens”, da Trilogia “Matrix” aos “Sinais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero eu dizer com isto que por força das circunstâncias e apesar de nunca ter sido barra a Física e Química, penso que, modéstia à parte, se houvesse uma invasão de seres vindos de um qualquer confim do Universo, dispostos a dar uma boleia à malta, era capaz de ter um lugar à frente garantido por força da fervorosa admiração destas temáticas, se é que existem dianteira e traseira num disco voador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceito perfeitamente que haja quem em nada acredita. Custa-me! mas aceito os que pensam que estamos por nossa conta e risco, que não há nada de divino nesta história toda. Mas como é possível que alguém, uma vez deitado no banco de jardim do meu quintal numa noite quente de Verão, consiga olhar para cima e contemplar a sublime imensidão de luzinhas a piscar no infinito sem pensar que algures, que fica onde a nossa imaginação jamais conseguirá chegar, pode haver algo mais. Nem as nebulosas, os buracos negros, a multiplicidade de corpos celestes ou a vastidão do espaço os faz mudar de ideias e gerindo uma inqualificável posição egocêntrica para a qual nem sequer existe nome, dizem que o resto é tudo fantochada…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava eu às voltas com tudo isto quando uma súbita e tenebrosa insónia provocada por uns terríveis pesadelos fez de mim um leitor sonâmbulo a meio da noite. Não havendo mais nada disponível de momento, aproveitei para dar volta ao refugo da imprensa da semana, guardado em volumosos saquinhos do “Expresso” e do “Sol”, atafulhados com o que ficou por ler nos últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí, quando deviam estar a bater as 4 da manhã, de luz acesa e olhos bem abertos que descobri, por entre os cadernos do imobiliário, uma entrevista que me perturbou ao ponto de me deixar ainda mais acordado, perplexo perante o universo de dúvidas que me surgiu praticamente do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas páginas conheci o Professor Sabit Abyzov, sexagenário cientista russo que esteve esta semana em Lisboa para uma Conferência na Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e que anda há mais de 30 anos há procura de formas de vida extraterrestres… bem no interior do Pólo Sul!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantados? Também eu fiquei e acho que a coisa não é para menos. Realmente, desde que me lembro, sempre que me falavam em extraterrestres, a primeira coisa a fazer era olhar para cima. Pois este veterano das pesquisas por vida noutros planetas em ambientes frios, escolheu como local de estudo o Lago subterrâneo de Vostok, um dos maiores do planeta, com 250 quilómetros de comprimento por 50 de largura e cerca de 500 metros de profundidade, situado a 3.844 metros acima do nível do mar, que detém o recorde da temperatura mais baixa alguma vez medida: 89,6 graus negativos!!! Convencido de que poderiam existir bactérias ou algas unicelulares capazes de sobreviver nestes ambientes extremos, venceu o gozo da classe científica ao descobrir em 1975, vários tipos de micro organismos, como fungos que depois reanimou com uma mistura de nutrientes à base de caldo de batata com alguns pós de maquinaria molecular de leveduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto só acontece porque a água mantém-se líquida a grande profundidade devido ao efeito isolante das grossíssimas camadas de gelo que cobrem o continente, com um manto que cria um ambiente mais quente e agradável nas profundezas amenizado pelo calor que vem do interior da terra. Sendo assim, este deserto de gelo pode esconder uma imensa zona húmida, com ecossistemas inéditos. Não serão certamente extraterrestres como os que estamos habituados a ver armados até aos dentes na ficção científica, mas formas de vida muito embrionárias que poderão evoluir até aquilo que hoje somos, desde que as condições atmosféricas assim o propiciem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos a falar de um lago isolado de todo o mundo há pelo menos 500.000 anos, mas podendo ir até ao próprio milhão de anos, ou seja, muito antes da nossa espécie andar pela superfície da terra, partindo do Crescente Fértil Africano para colonizar o resto do mundo. Só para servir de referência, os vestígios mais antigos de um Homo Sapiens, do último estágio da evolução humana, têm 150.000 mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por assim dizer, um maravilhoso mundo gelado que eu estava longe de conhecer antes e que agora nos indica as pistas mais concretas para o estudo de formas de vida existentes noutros planetas partindo precisamente do nosso. Realmente, estava longe de imaginar que o estudo de um ecossistema terrestre pudesse alguma vez funcionar como um modelo de investigação em astrobiologia. Na base destas preciosas informações, passaremos daqui em diante a olhar para Europa e Ganimedes, duas das luas geladas de Júpiter, que sabemos cobertas de gelo e com um Oceano líquido por baixo, de uma forma bem diferente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste preciso momento, as brocas que perfuram o coração do deserto branco do Lago Vostok, mergulham a 3.660 metros em plenas montanhas geladas, explorando um mundo virgem que poderá ter muita para nos contar sobre aquilo que fomos e aquilo que poderemos um dia voltar a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tão bom só de imaginar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-2306617416402724281?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/2306617416402724281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=2306617416402724281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2306617416402724281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2306617416402724281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/03/25-desabafo-21-de-maro-de-2007-de-olhos.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RgFJ-twKZeI/AAAAAAAAAB4/Jz2Z_HSWIkU/s72-c/24%C2%BA+Desabafo+-+24+de+Mar%C3%A7o+de+2007+-+De+olhos+postos+no+infinito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-2205006401100537053</id><published>2007-03-14T10:50:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:57.293Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;24º Desabafo – 14 de Março de 2007 – “Pela lei e pela Grei”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5041731620901144050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RffUMmyqxfI/AAAAAAAAABw/nKEexd3CloY/s320/portalegre1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A notícia que Portalegre vai receber uma nova escola de formação da Guarda Nacional Republicana foi por mim recebida com o maior agrado. Penso mesmo que esta novidade que desfez de uma assentada as brumas das dúvidas que há muitos anos assombravam o Convento de São Bernardo, deveriam ser exultadas por todos os habitantes do distrito de Portalegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero eu dizer com isto que teríamos todos certamente muito a ganhar se porventura tivéssemos a capacidade de falar em muitos aspectos a uma só voz, forte e decidida que expressasse sempre que fosse necessário, o que vai na alma das mais de 120 mil penadas que fazem destes 6.065 km2 a sua grande casa. É que perdemos muitas vezes porque nos dispersamos em guerrilhas internas, em disputas e vaidades e acabamos por dar uma imagem de desunião que em nada nos favorece. Ninguém duvida que nos livros de Geografia é Portalegre cidade que figura como nossa capital, mas a verdade é que ter duas cidades pujantes, orgulhosas e com vida própria como são Elvas e Ponte de Sor, cada uma do seu lado desta manta de retalhos, olhando de soslaio para o protagonismo do ceptro alheio, acaba por nos dispersar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É próprio da natureza humana querer mais e melhor mas sempre que a prudência levanta a sua voz, acabamos por perceber que às vezes mais vale perder um pouco para ganharmos todos no final, do que tentar açambarcar tudo aquilo que podemos no nosso próprio saco. Sei bem do que falo porque enquanto Vice-Presidente da Câmara de Marvão, lido quase que diariamente com a dificuldade de conseguir que falemos a uma só voz. Estando o município dividido pelo morro que o caracteriza e distingue, é muitas vezes uma tarefa inglória fazer que as vontades das localidades de um lado e do outro do monte falem sob o manto da entidade marvanense e se identifiquem nessa mesma unidade. Há os do Norte e os do Sul; os de Santo António e os da Portagem; os da Beirã e os de São Salvador; interesses e personalidades díspares, sentidos de comunidade diferenciados que raramente confluem nos propósitos. E eu canso-me de gritar que assim é difícil ter horizontes mais distantes porque quanto mais sós, mais fracos, e quanto mais fracos, mais apetecíveis para a cobiça alheia. Viessem agora de novo os de Castelo de Vide, como em tempos já idos, para levarem as mobílias da nossa longa história e seria bem mais difícil apanhar outro Mattos Magalhães que batesse o pé e pusesse a malta toda em linha para defender o que nos legaram com tanto esforço os nossos avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no concelho é assim, no distrito não muda muito e é tão triste ver a sufocante passividade com que vemos a planície inclinar-se para sul, levando tudo para Évora, sem que haja um rebelde caudilho que nos defenda desta deslocalização encarneirada. Encolhemos os ombros, cruzamos os braços e dizemos que é mesmo assim que tem de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que estas enormes vitórias como a da garantia do Primeiro Ministro e do Ministro da Administração Interna de que é em Portalegre que se vão formar os novos homens fortes da nossa Guarda, devem fazer fervilhar de Júbilo todo o distrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim, preenche-me particularmente porque foi ali que tive a sorte de ter o meu primeiro emprego, acabadinho de sair da faculdade, com 22 anitos mal cumpridos e com muita vontade de começar de vez a ir à grande luta. Numa época difícil e de resistência pessoal em que tantas portas que esperava abertas se me fecharam, foi no CIP, agora AIP, que me encaixei através de concurso público como professor civil de Inglês. Ali passei 3 saudosos anos da minha vida, ali conheci milhares de alunos, centenas de instrutores, militares e oficiais, dezenas de colegas e muito, muito boa gente. Sem querer ser indelicado para os outros sítios por onde passei, nunca fui tão bem tratado, tão respeitado e me senti tão bem como ali. Foram de facto tempos magníficos que constituíram para mim uma grande aprendizagem sobretudo ao nível das relações pessoais, com tanta e tanta gente diferente. Já na altura, nuvens de incerteza quanto ao futuro das instalações precárias, muitas delas pré-fabricadas, potenciadas com a cobiça da Escola de Queluz e da unidade de Aveiro, toldavam o horizonte com cenários que, sabemos agora, nunca haveriam afortunadamente de se concretizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por motivos familiares, vive sempre com um pé no Alentejo e outro na Beira, um em Portalegre, outro em Castelo Branco. Sendo um produto híbrido, uma mescla inusitada de alentejano e beirão, acompanhei muito de perto os diferentes ritmos de crescimento destas duas urbes que nas últimas décadas evoluíram como dois siameses separados dos quais só um parecia ter hipóteses de sobreviver. Durante muitos e longos anos, a apatia, a inoperância e a total falta de sentido de oportunidade dos que conduziram os destinos da nossa capital de distrito, cercearam as nossas esperanças de desenvolvimento enquanto a nossa vizinha das Beiras renascia pujante, oferecendo de mão beijada os terrenos que os outros vendiam a preço de ouro, esfregando as mãos de contente e mudando quase semanalmente, mais 100 metros para sul, a placa que indicava o limite da cidade, estruturando um valioso tecido industrial que ainda hoje faz dela o que é. Durante anos a mais fomos o parente pobre, o patinho feio mas hoje, Graças a Deus e ao trabalho concreto de um homem e de uma equipa, podemos olhar para os nossos pares com outra dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me conhece sabe bem que nunca fui de bajulações e se há uma virtude que seja de que me possa orgulhar, é a de ser sincero, de dizer sempre aquilo que realmente sinto por dentro. Digo-vos assim pois, sem qualquer tipo de influência partidária ou qualquer espécie de pejo que sou um adepto fervoroso do Eng. Mata Cáceres. Esta história de só elogiarmos que merece depois de morto não me serve e é por isso que me parece da mais elementar justiça que reconheça a minha admiração pelo homem que goste-se ou desgoste-se, mudou para sempre a face da cidade. A história há-de fazer-lhe justiça ao recordá-lo como aquele que, por muito que doa a alguns, produziu obra que há-de perdurar ao longo dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com Mata Cáceres que Portalegre passou de cidadezinha envergonhada do interior a capital convicta e orgulhosa do seu passado e da sua história. O absolutamente sublime novo edifício da Câmara; o elegante Centro de Artes e Espectáculos; as inúmeras renovações e melhoramentos no Calvário, no Jardim da Corredoura, no Castelo, no Mercado Municipal e em toda a cidade, a expansão da zona industrial e agora a nova escola que chega são traços que fazem de Portalegre uma urbe com classe e ambição que pisca o olho à modernidade sem nunca renegar o seu passado. Sei que há planos para a zona da Robinson e mil e um projectos a fervilhar, sedentos de se tornar realidade e de deixar as coisas como nunca foram antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci-o mais a fundo numa reunião no âmbito da Associação dos 3 Municípios e impressionou-me desde logo a argúcia do seu olhar, pela forma como estuda e escuta os seus interlocutores, como parece raciocinar enquanto fala, a sua calma, noção de estratégia e clareza de discurso. Admiro o seu estilo destemido, do ame-se ou odeie-se; sem meios termos e contemplações; sempre claro, curto e conciso, com dureza quanto baste que tanto pode intimidar como apaziguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que pode parecer caricato para alguns, sei que não é normal tecerem-se rasgados elogios a quem ainda mexe, a quem ousa ser empreendedor e que pode e suscitar as mais diversas opiniões, mas a verdade não deve calar e em momentos tão importantes para a cidade e para o distrito em que vitórias como esta deveriam ser unanimemente reconhecidas e divulgadas, a bem de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam-me há dias, com muita piada, que o mal do nosso país foi o Salazar não ter deixado cá um filho que tivesse dado continuidade ao seu trabalho. Faço votos que a força e a dinâmica que despontam agora em Portalegre nunca fraquejem e se espalhem a todo o distrito que tanto precisa e que o trabalho bem feito nunca canse e sirva de inspiração para todos nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-2205006401100537053?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/2205006401100537053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=2205006401100537053' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2205006401100537053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/2205006401100537053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/03/24-desabafo-14-de-maro-de-2007-pela-lei.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RffUMmyqxfI/AAAAAAAAABw/nKEexd3CloY/s72-c/portalegre1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-7684947293277990516</id><published>2007-03-07T10:26:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:57.407Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt; 23º Desabafo – 7 de Março de 2007&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5039127351068122146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/Re6ToJpe3CI/AAAAAAAAABg/R0iwkpmOP58/s320/M%C3%A3e.jpg" border="0" /&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os meus amigos que me desculpem, mas este tem mesmo de ser muito pessoal. Bem sei que os meus desabafos não têm sido outra coisa senão suspiros muito pessoais. Bem sei que provavelmente não tenho servido a causa inicial como seria suposto, mas eu alego que sou mesmo assim e mesmo que de outra maneira quisesse ser, não seria capaz. Os dedos fogem-me sempre para as teclas da verdade e não sai outra coisa senão aquela que me palpita bem no peito e me sufoca a garganta até sair. Poderia certamente fazer como os meus ilustres colegas de púlpito, que na sua análise crítica, pragmática, política e bem definida, defendem a dama até à última consequência. Eu lamento… mas não sou assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente os desabafos chegam-me em forma de pensamento que me acompanha ao longo da semana. Há sempre uma ideia prévia, uma notícia, uma imagem, uma recordação, um som ou uma situação da vida real que me põe a pensar. A pensar primeiro para mim e depois na maneira de pôr os outros a pensar sobre a mesma temática. Desta vez, o desabafo que era para ser já não é porque, como vos digo, por forças das circunstâncias, vi-me envolvido numa situação pessoal muito peculiar que é aquela que me faz hoje querer de facto desabafar convosco, fiéis ouvintes ou fortuitos ocasionais, que me dão o prazer de me dispensarem 6 ou 7 minutos da vossa atenção por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quase dez anos atrás, num fatídico 5 de Outubro de 1998 que seria dia de festa e de matança de um porco para a família, recebi a notícia que a minha mãe tinha caído e se encontrava menos bem. Estando a apenas quatro quilómetros do local, voei com a máxima velocidade para à porta de sua casa, onde ainda se encontrava deitada no chão. Pensei de imediato que teria tido algum acidente vascular ou cardíaco que a tinha empurrado para aquela situação, mas apercebi-me segundos depois que estava bem e que tinha apenas escorregado. As dores eram muitas, mas o facto de mexer os dedos dos pés, levou-me a pensar que podia apenas ser uma rotura ou um deslocamento. Levada para o hospital de Portalegre, soube ao primeiro diagnóstico que tinha uma rotura no colo do fémur e que teria de ser intervencionada. A operação prolongou-se por dramáticas 5 horas, depois de muita ansiedade e muitas transfusões de sangue. A recuperação foi lenta e dolorosa mas acreditámos todos que seria para seu bem. Porém, as radiografias e a sua permanente dificuldade em andar faziam antever que algo não funcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que quem a operou falhou redondamente, confirmando a terrível fama do nosso hospital na área da ortopedia. Falhou e não falhou apenas na operação. Falhou ainda mais quando viu que não tinha tido sucesso e argumentou que era normal nos dois primeiros anos, haver sequelas daquela natureza. Dois anos que é precisamente, segundo sei, o prazo de que dispõe os utentes para reclamar legalmente. Vivêssemos nós nos Estados Unidos e já me via de charuto nos queixos a tomar longos banhos de sol na piscina da vivenda milionária, adquirida com uma ínfima parte da indemnização decretada judicialmente. Se naquele país até os fumadores morrem ricos das chorudas bateladas que as empresas tabaqueiras lhe pagam por lhes terem dado que fumar ao longo da vida! Mas não, meus amigos… é Portugal, é comer e calar! E assim passamos nos corredores e temos muitas vezes de sorrir para o carniceiro de serviço ao qual nos apetecia mais esganar mas mandam as regras da boa etiqueta que não é assim que os meninos crescidos se comportam e nós calamos subservientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se mais de sete longos anos de silencioso sofrimento, de muleta ou bengala, a arrastar-se para tentar ser feliz e depois de muita consulta, muito quilómetro, muita esperança desvanecida, lá chegou a confirmação do diagnóstico da asneira com o respectivo resgate da lista de espera para operação correctiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Portalegre, fugida a sete pés, aterrou em Montemor-o-Novo num hospital bem prestigiado nestas coisas de ossos. Quando tudo resolvido e depois de debelar uma infecção numa perna apanhada no anterior internamento, lá seguiu para a tão esperada cirurgia. Ligou-me ainda na mesa das operações a dizer que a tinham que fechar. “Mas porquê?” perguntei eu incrédulo de não poder mais com tanta história. Só depois de aberta verificaram que a peça que lhe tinha sido introduzida em Portalegre necessitava uma chave específica para ser retirada e chave, nem vê-la! Nem tão pouco se sabia se haveria uma disponível em Portugal. Quando depois de encontrada, voltou à sala branca para colocar nova prótese. Nova operação, nova recuperação, novo esforço que consome e fraqueja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saída da cadeira de rodas e tempo depois, quando já sonhava com uma vida normal, uma dor incisiva toldou-lhe o horizonte. Fazendo o obrigatório raio-X para despiste, confirmou-se o pior. A prótese estava partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou tudo à estaca zero. Entrada pelo hospital de Évora e as habituais desculpas do costume que a nós sinceramente, já de nada valiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enterra-se o passado e aposta-se tudo no futuro. Pediu-se um esforço derradeiro e avançou-se para nova prótese que era desta, que sim, que não havia por onde falhar. Depois da duríssima operação foram quase 7 meses de repouso longe da família, muitos dias de fisioterapia, de saudade, de esforço e de dúvida, de ansiedade e muito sofrimento para nós também. Mas avançámos certos que teria de ser por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha recomeçado a trabalhar há poucos dias, há um mês talvez, com o apoio comovedor de toda a comunidade escolar de Santo António das Areias, que lhe abriu as portas e o coração e a recebeu como a um filho pródigo. Tínhamos começado a desenhar agora os seus planos de futuro e a construção da casinha com que sonhou toda uma vida e onde já se via a brincar ou a jardinar com os netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-a na missa, no domingo e angústia do seu olhar como só eu conheço disse-me tudo e alvoraçou-me o sistema cá por dentro. Dificilmente convencida, lá avançámos para Portalegre para a inevitável chapa, a tremer já por tudo o que era sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior confirmou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiu a prótese pela segunda vez e a quinta operação, quarta no espaço de um ano era a única solução. Levámo-la nessa mesma noite para Montemor onde foi segunda-feira operada. Numa cirurgia prevista de 3 horas, foram necessárias 9, desde as 9 e meia da manhã até quase às seis da tarde, para levar a cabo os trabalhos. Nesta batalha duríssima pela vida e pela sua saúde, necessitou 7, digo 7 unidades de sangue para alimentar a réstia de vida e de coragem que a fazem seguir em frente, com uma tenacidade impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que sabe e acompanhou os trabalhos desde o início, garantiu-me que a asneira não foi só da primeira, mas repetiu-se na terceira e na quarta operação e quando me perguntam se é desta, eu faço cara de parvo e encolho os ombros porque não consigo fazer mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me esse alguém que sabe, à boca pequena, que era impossível seguir em frente com a placa e com o enxerto que lhe foi colocado da última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À boca pequena porque com a classe médica ninguém pode. Contra a classe médica ninguém vai. Contra a classe médica, ninguém se safa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que ao longo destes anos de Calvário, desta inexplicavelmente dura Via Sacra, encontrámos nessa mesma classe médica, profissionais de uma simpatia e de um rigor profissional inultrapassável. Sabemos que há muitos médicos, muitos enfermeiros, muitos profissionais, homens e mulheres do maior gabarito e tivemos a sorte de conhecer muitos deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se pode julgar o todo pela parte. Mas se esses profissionais sabem, confirmam, constatam que houve erros de colegas, falhas que prejudicaram as vidas de pessoas, de famílias inteiras, porque será que não os denunciam? Porque será que não tentam apurar a verdade? Porque será que não tentam repor a legalidade e a justiça quando sabe que estas foram cegas? Porque será, e esta é a grande questão, que não evitam que os mesmos erros prejudiquem pessoas indefesas que confiam e descontam para que a nossa classe médica os possa salvar? Porquê esta verdade em surdina? Porquê esta estúpida, idiota e completamente aberrante consciência de classe? Será que a consciência de uma classe vale mais que a saúde de uma pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes mil porquês que me atormentam, que se apoderam de mim e me consomem, que me deixam sozinho e a gritar para o vazio. A falar com dúvidas tremendas que nunca me hão-de dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas digo eu que não calo para que se saiba como é, e para que ao menos não volte a acontecer a quem lá cair de surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entretanto a Alzira luta para seguir em frente. Será que é desta, Alzira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo um abraço muito especial a todos os amigos que nos têm apoiado, aos excelentes profissionais que nos têm ajudado e a todas as almas que sofrem, que conhecemos nesses corredores fundos e que nos ensinam com a sua gratidão e entreajuda que às vezes a felicidade está mesmo aqui ao nosso alcance, quando estendemos a mão não para pedir, mas para consolar quem está inconsolável ao nosso lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem hajam!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-7684947293277990516?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/7684947293277990516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=7684947293277990516' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/7684947293277990516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/7684947293277990516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/03/23-desabafo-7-de-maro-de-2007-os-meus.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/Re6ToJpe3CI/AAAAAAAAABg/R0iwkpmOP58/s72-c/M%C3%A3e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-4332354632622943188</id><published>2007-02-27T23:33:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:57.794Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;22º Desabafo – 27 de Fevereiro de 2006 – “Razões para ser folião” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036362989311242450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/ReTBdHnSMNI/AAAAAAAAABI/QdHxa33RVd0/s320/22%C2%BA+Desabafo+-+28+de+Fevereiro+de+2007+-+A+raz%C3%A3o+do+Foli%C3%A3o.JPG" border="0" /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As Meninas do Gás: Cris, Hernâni, Ramos, Bonito, Sobreiro, Coelho, Pousadas, Anselmo e Cláudia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036363320023724258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/ReTBwXnSMOI/AAAAAAAAABQ/eWZ8PZT97aA/s320/22%C2%BA+Desabafo+-+28+de+Fevereiro+de+2007+-+A+raz%C3%A3o+do+Foli%C3%A3o+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O enterro do carrapau: Barradas, Coelho, Sobreiro, Ferreira, Ramos, Jesus&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda a propósito do Carnaval. Confesso que não sou, nem nunca fui grande folião. Esta coisa da malta andar mascarada no meio da rua aos pulos e aos gritos, armados em matrafonas, no alto de reboques, a vociferar e atirar fruta podre e caramelos, a rebentar estalinhos e bombas de mau-cheiro, soava-me a coisa de refundidos. Eu que sou naturalmente uma pessoa extrovertida e Graças a Deus bem disposta, que nunca digo não a uma boa brincadeira, que gosto naturalmente de rir e que defendo afincadamente que fazer rir alguém, ver alguém feliz, fazer alguém feliz é a coisa mais fantástica do mundo, não era grande apreciador do Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória aqui falha-me e a compreensão era na idade muito pouca, mas das primeiras vezes que me meteram nestas andanças ainda praticamente não tinha conhecimento. Reconheci-me na fotografia amarelada pelo tempo, num fato de sevilhana cor-de-rosa e de carita pintada a rigor, no Algarve, com uns quatro ou cinco anitos. Sorridente, é claro, mas inconsciente da tremenda maldade a que estava sujeito. Não fosse eu um indivíduo com ideias bem definidas e era até capaz de me extraviar. Livra! Pois a ideia dos Carnavais passados perde-se na bruma de outros tempos mas está muito associada a Castelo de Vide e à Carreira de Cima para onde era arrastado pela mão dos pais. Para ser sincero, lembro-me de pouco mas de uma grande confusão, de mascarados muito mal “enjorcados”, dos carrocéis e do algodão doce, das farturas e dos brinquedos nesta ou naquela barraca, do frio e da vontade de zarpar dali para fora quanto antes. Ah! e uma vez levei com um ovo disparado por um tractor qualquer mesmo em cheio no meio da testa. Sim, é capaz de ter sido por aí. Nunca fui fã daquela história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a adolescência a coisa melhorou e ganhou outra graciosidade nas noites infinitas no D. Pedro V, discotecazinha mítica apinhada onde a gente era tanta que até as paredes suavam. Aí sim, ao som do Poucochinho, com amigos de longa data, alguns deles já desaparecidos (que aqui saúdo com muita saudade), dançámos noite fora e até amanhecer mas também se diga de passagem que era mais a folia que o Carnaval porque ali o calor era tanto que não havia quem aguentasse a fatiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o Carnaval passou por mim e acho que deixámos de ligar um ao outro até ao ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de assumir funções autárquicas e na triste constatação de que nada se fazia na minha terra para comemorar a data, de tanto ver as crianças e os mascarados a marcharem sozinhos a par e passo pelas ruas, de ver as gentes abalar para outros Carnavais que de não os satisfazerem os remetiam à procedência a toda a velocidade, decidi meter mãos à obra e com a ajuda de todos, digo todos mesmo, começámos a reinventar uma tradição perdida numa pequena localidade da zona e fizemos um Carnaval pequenino, de produção caseira e para consumo doméstico que acabou por resultar muito bem. Neste ano, sentámos as partes interessados, injectámos-lhe vivacidade e energia, e creio que a coisa primeiro implodiu para explodir de seguida em bailes e desfiles de mil cores que animaram toda a população e foi muito giro de se ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram 5 dias da mais pura folia, passados numa diversão que contagiou toda a comunidade de dia e de noite. Com a ajuda de muitos amigos, esta coisa da subversão carnavalesca começou a crescer em mim e quando dei por ela estava mais que imbuído pelo seu espírito se é que de facto existe. Sim, reconheço que pelo prazer de estarmos juntos, de inventarmos e confeccionarmos fatos e adereços, de nos expormos e surpreendermos, sentimos uma mágica excitação que nos fez superar e a mim, me fez também mergulhar nas suas raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem sob a génese do Carnaval as mais diversas teorias que o relacionam com adorações realizadas no Egipto Antigo ou com os bacanais romanos embora seja consensual que a sua essência reside no "adeus à carne", no carne levare que esteve na origem do termo que hoje utilizamos. Começando logo no Dia de Reis e prolongando-se até à “Quarta-Feira de Cinzas”, primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental, que ocorre quarenta dias antes da Páscoa (sem contar os domingos), o Carnaval é o último grito de alegria, de festejos profanos antes do recolhimento pascal. O povo imortalizou este último morteiro com a celebre expressão “é Carnaval, ninguém leva a mal” porque no Carnaval tudo, a todos é permitido e este é o momento certo para extravasarmos defeitos e desesperos, desilusões e aspirações, para nos libertarmos dessa mordaça social, dessa mortalha pública em que nos vamos envolvendo ao longo das nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Carnaval borrifamo-nos para status e posições, esquecemos a etiqueta e as boas maneiras e desde que não se magoe nem se ofenda directamente ninguém, podemos até interpretá-lo como a trégua em que somos verdadeiramente livres. Bem sei que assim é em teoria, como vi que do alto dos reboques se vê muita cabecinha pequenina a dizer que não, muito risinho cínico a olhar de soslaio e a cobrar em peso de ouro, muito chacal que sob o manto cobarde do anonimato esfrega as mãos sujas de consolo, mas também sei que a vida só merece ser vivida quando é vivida com paixão e desde que tenhamos a consciência tranquila e a convicção profunda de que estamos certos, bem podemos escavacar à pedrada esses telhados de vidro que todos sabemos que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Carnaval podemos ser e eu fui muito feliz. Desafiando o estabelecido, quebrando a normalidade, despertando nos outros a centelha de arrojo e irreverência que dá sabor aos nossos dias, diverti-me e hei-de estar-lhe sempre grato por isso. Nestas coisas, temos mesmo de dar o corpo ao manifesto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num jantar de confraternização dos meus camaradas de máscaras, alguém se lembrou de no dia seguinte, quarta-feira de cinzas, proceder ao “enterro da sardinha” e como convém nestas questões, se um diz “mata”, os outros respondem quase em uníssono “esfola”. Foi uma manhã dura de diligências para reunir todo o material, mas no final e como seria de esperar, tudo de compôs: do mais puro bricolage nasceu o falecido e respectivo caixão e não faltaram a magnífica carreta, um sacerdote de “faz-de-conta” em avançado estado de euforia etílica e as viúvas e amigos para carpir o defunto folião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saídos à rua na primeira hora da noite, foi delícia impagável ver tanta gente esconder-se detrás das portadas ao avistar o cortejo porque mesmo a brincar, a coisa mete respeito e o portuguesito tem medo. Tem medo de subir para não despertar invejas, tem medo de celebrar vitórias para que não lhe desejem a queda, tem medo de quebrar tabus e de ir contra o estabelecido e é por isso que eu admiro tanto o nosso Mourinho quando avança destemido de peito cheio e sem armadura em direcção às legiões de jornalistas. Se o Carnaval é a última luz antes da escuridão, a última festa antes do anoitecer quaresmal, o enterro da sardinha, do bacalhau, ou daquilo que lhe quiserem chamar é, no fundo, a grande vitória deste período e a verdadeira essência da festa: o termos a capacidade de, enquanto humanos, brincar com a nossa fragilidade, a nossa impotência, a nossa insignificância face à imensidão do Universo. O enterro do Carnaval somos nós a rirmo-nos de nós próprios e da nossa condição porque se extremarmos a questão e levarmos ao ponto mais profundo, se filosofarmos até à exaustão e pensarmos “mas afinal que raio andamos aqui a fazer”, não nos restará certamente outra coisa senão o riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por ironia do destino ou outra qualquer razão mais transcendental, acabei por reencontrar escassos dias depois, um companheiro de iniciativa e amigo de toda a vida num enterro de um familiar seu muito próximo. Onde outrora houve riso havia agora dor mas nem por isso e apesar de ser bizarro, achei que estivemos alguma vez a pisar a linha vermelha que nos metem à frente à nascença. No fundo o riso, é a única arma que nos resta no meio de tanto infortúnio e tanta adversidade. Se não rir, que outra coisa fazer perante as desgraças que devastam a nossa existência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias, num viajem à capital para ver o glorioso brilhar em palcos europeus, parámos nas inevitáveis roulotes da sandes do courato sitiadas nas imediações do estádio e ali, entre uma bifana e uma imperial, falando dos antigamentes, o meu sogro, sem se aperceber disso, deu-me uma lição elementar de esperança ao recordar uma súbita paragem cardio-respiratória que quase o “arrumou” quando ainda era bem jovem. Estando entre nós duas das mãos sábias que o haveriam de devolver à vida quando já estava no Apeadeiro do outro lado, comentou-se o trágico episódio e os momentos arrepiantes de angustiante espera que se seguiram. Com a desarmante bonomia e boa disposição que lhe é característica, o João Manuel arrematou a cena com um fantástico “se morrer é assim, não custa mesmo nada! É só fechar os olhos e já está”. “Nem frio? Nem fogo? Nem anjinhas semi-desnudas a tocar harpa? Nem diabinhos de tridente?”, perguntei eu. “Nada!”respondeu ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bem, meus amigos, se assim é, se no fim se fecha os olhitos e “já está” como ele diz, que nos deixem ao menos divertir-nos enquanto cá andamos porque como diz o povo “a vida são 2 dias e o Carnaval… 3!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estou deserto do que há-de vir para o ano!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-4332354632622943188?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/4332354632622943188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=4332354632622943188' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4332354632622943188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/4332354632622943188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/02/22-desabafo-27-de-fevereiro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/ReTBdHnSMNI/AAAAAAAAABI/QdHxa33RVd0/s72-c/22%C2%BA+Desabafo+-+28+de+Fevereiro+de+2007+-+A+raz%C3%A3o+do+Foli%C3%A3o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-5194259399769644162</id><published>2007-02-21T13:37:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:57.995Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;21º Desabafo – 21 de Fevereiro de 2007 – “Memórias da ferrovia”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5033981590718338530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RdxLleifVeI/AAAAAAAAAA8/jS6srUTJlbY/s320/ec6328526f154ed9938d5d8bf5a9e5df.jpg" border="0" /&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tal como a maioria dos portugueses que acompanharam na televisão o desenrolar das buscas desesperadas por sobreviventes, também eu vivi com emoção o episódio da tragédia do Tua. O aluimento de terras que lançou a carruagem numa descida vertiginosa de 60 metros, roubou a vida de três funcionários da CP, dois deles com menos de 35 anos, entrando directamente para a lista dos mais negros na história das caminhos-de-ferro portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim, para além da pena irreparável de saber que há vidas humanas que se perderam, famílias inteiras para sempre destroçadas, custou-me particularmente ver a automotora inanimada, caída junto às águas do rio, ferida de morte, prostrada num lânguido estertor do qual ninguém a poderá jamais salvar. Custou-me porque aquela viatura em particular, aquele comboio único em que a carruagem contém na sua estrutura a máquina que a faz deslocar, faz parte da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ligação afectiva existe desde que me lembro. Sendo nascido numa terra de comboios e maquinistas, descendente de funcionários e grande amigo de actuais efectivos, aprendi desde miúdo, a amar e a conhecer de perto o fascínio destes enormes cavalos de ferro. Ficou tudo entranhado de tal maneira que tremo sempre de saudável saudade quando oiço o inimitável som do apito do chefe da estação que coloca toda a composição em marcha. As intermináveis linhas cinzentas, verdadeiras artérias de aço por onde deslizavam as máquinas, foram palco de longas tardes de brincadeira em jogos de equilíbrio, a tentar saber qual de nós seria capaz de fazer mais metros sem ter de pôr o pé no chão. Embora na altura não fossem muitas, de vez em quando lá guardávamos uma moeda que colocávamos estrategicamente sob a linha para que a máquina se encarregasse de a devidamente espalmar. Era bonito de se ver, sim senhor. Ainda guardo algumas delas como troféus de um tempo perdido. E se tivesse que escolher os cheiros que marcaram a minha vida, o inimitável odor a querosene das travessas escuras que marcam o compasso dos carris seria certamente um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a coisa já era forte, com a ida para Lisboa em missão universitária, virou paixão. Durante esses anos, o comboio e sobretudo a automotora, não uma como a do acidente do Tua mas uma sua prima, das mais antigas, foram o meu principal meio de locomoção e nestas coisas, de passarmos tantas horas juntos, acabámos por nos afeiçoar um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio é já por si um meio de transporte fabuloso, com inúmeras potencialidades e pouco ou nenhum inconveniente. Assim de repente, não consigo imaginar um outro meio que nos liberte da mordaça de ter que estar presos com um cinto que se diz de segurança ou com um qualquer capacete enfiado cabeça abaixo. No comboio pode-se circular, esticar as pernas, ir ao bar comer uma sandes e beber uma mini ou até ir à casa de banho quando em andamento. Certa noite de domingo, caminho da capital, em amena cavaqueira com os meus companheiros de viagem, uns polícias, outros bancários, alguns militares ou estudantes como eu, alguém se lembrou que o que vinha mesmo então a calhar era um chouriço assado e um copinho do bom tinto. As bagagens estavam mesmo ali ao lado a ouvir a conversa, todas elas bem recheadas com o comerzinho da terra que nos haveria de dar ânimo durante a semana e a coisa não se fez por menos: de uma saltou o magnífico enchido, a navalha de bolso cortou o pãozinho caseiro, outro ofereceu de vontade o tal tinto e até o assadorzinho de barro que seria oferta desejada para o chefe de serviço acabou por ser estreada antes de tempo, depois de regada pela oportuna garrafinha de álcool, utilizada para fim bem diferente do medicinal previsto inicialmente. Meus amigos, ele há coisas do arco da velha, mas esta de comer chouriços assados em pleno andamento é regalo que já ninguém me tira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que a CP pensa primeiro no retorno económico e só depois na necessidade das populações e no interesse dos seus passageiros, agora que os seus manda-chuvas aproveitam toda e qualquer desgraça para colocarem termo os ramais menos rentáveis, faço aqui a elegia deste meio de transporte de eleição e partilho convosco histórias que adensam a sua aura mística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A automotora em que eu seguia até à Torre das Vargens ou Abrantes tinha a particularidade de colocar qualquer um a dormir em minutos. Não sei se era do calorzinho do motor ou do cheiro a gasóleo queimado mas aquele balanço gostoso que fazia lembrar o colinho de nossa mãe deitava por terra a esperança de permanecer acordado mais de dez minutos. Até dava gosto! Se algum dia as insónias me atormentarem, já sei o remédio santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã de regresso a casa para o fim-de-semana, já na parte final do percurso e antes de voltar a adormecer, reparei que era mais uma vez o único passageiro. Caí no sono e acordei sobressaltado com os gritos da tripulação. Estávamos parados. Pela janela vi o maquinista e o revisor a correrem esbaforidos pela tapada fora. Ainda meio atordoado, com o coração a latejar no pescoço, dei um salto que me pôs de pé e fiz um esforço para perceber o que se passava ali. Só podia haver uma explicação: a coisa ia explodir em segundos sabe-se lá porquê e a rapaziada não se lembrou de mim, fugiu sem avisar e prontos, estava frito, ali acabava tudo. Ainda juntei forças para correr para a porta e ao voltar a olhar pela vidraça para ver o adianto dos outros fugitivos reparei que levavam sacos de plástico na mão. Sacos de plástico? Havia ali qualquer coisa que não jogava bem porque reparei então também que iam os dois a rir à gargalhada. O susto passou quando percebi que afinal não era uma fuga mas uma perseguição e o motivo eram apenas dois filhotes de perdiz mais incautos que atravessaram a linha e despertaram a cobiça alheia que já os estava mais a ver feitos em canjinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo também a manhã de azáfama quando uma súbita avaria entre a Torre das Vargens e Abrantes colocou em risco a minha presença no exame que tinha originado a viagem. Um veio qualquer de tracção partiu e nem os esforços dos funcionários e passageiros conseguiram fazer o que fosse para remediar a coisa. Engasgada e aos soluços, parecia impossível sair dali. Depois de subirem ao poste mais próximo para pedir auxílio com recurso a um telefone móvel de mala (na altura ainda não havia telemóveis!), os funcionários começaram a colocar ao longo dos carris pequenos fulminantes de aviso com distâncias certas compassadas para que a máquina que vinha em socorro fosse avisada atempadamente. Enquanto esperávamos, continuaram os trabalhos de recuperação que foram surpreendentemente satisfatórios. Afinal a coisa já mexia mas o tempo era escasso. Reiniciamos a marcha depois de informada a central e arrancámos ao som das palmas da assistência mas se queríamos apanhar o Intercidades a tempo em Abrantes teríamos que iniciar o contra-relógio sem mais. E foi assim, entre soluços e estalidos que prosseguimos viajem numa epopeia a fazer lembrar uma caravana do velho Oeste em pleno ataque dos nativos. Delicioso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São pequenas histórias de um meio de transporte nobre e que é parte da nossa memória, um meio seguro mas de baixa auto-estima nestes tempos de automóveis, um meio que é preciso elogiar, recuperar e enaltecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nunca teve oportunidade ou já se esqueceu como é, aproveite um dia destes e faça uma pequena viajem de comboio pelo prazer de descobrir ou apenas para matar saudades. Vai ver que bom que é ver o filme da paisagem passar entre os quadradinhos das janelas. Bom passeio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-5194259399769644162?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/5194259399769644162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=5194259399769644162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/5194259399769644162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/5194259399769644162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/02/20-desabafo-21-de-fevereiro-de-2007.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RdxLleifVeI/AAAAAAAAAA8/jS6srUTJlbY/s72-c/ec6328526f154ed9938d5d8bf5a9e5df.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-8226220609965286555</id><published>2007-02-14T10:30:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:58.155Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;20º Desabafo – 14 de Fevereiro de 2007 – “Grandes Portugueses”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RdLnMeifVdI/AAAAAAAAAAw/P9ZPbxkNtSA/s1600-h/20%C2%BA+Desabafo+-+14+de+Fevereiro+de+2007+-+Grandes+Portugueses+copy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RdLnMeifVdI/AAAAAAAAAAw/P9ZPbxkNtSA/s320/20%C2%BA+Desabafo+-+14+de+Fevereiro+de+2007+-+Grandes+Portugueses+copy.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031337935268435410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O acto de elogiar alguém encerra em si riscos óbvios por ser sempre uma faca de dois gumes: se por um lado pode ter o imenso poder de galvanizar, de recompensar, de estimular; por outro pode conduzir ao amorfo conformismo e em última instância, à redutora normalização.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Sabendo de olhos fechados esta cantiga, os portuguesitos são peritos em não cair na tentação de elogiar aquilo ou aquele que seja que ainda tenha a capacidade de se mexer e respirar. O português apurou e cultivou durante anos a magnânime técnica de parabenizar apenas aquele que já não pode retribuir o elogio em agradecimento. Faz parte do melhor código de conduta lusa apenas dizer bem de alguém depois de morto e devidamente arrefecido, sete palmos e meio debaixo de terra. Estando um a fazer tijolo nunca se poderá superar, nunca poderá dali passar, nunca mais nos poderá reduzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já todos ouviram histórias deliciosas como a do crápula, do bêbado, mulherengo, salafrário, devedor, esbanjador, irresponsável incorrigível que sendo atropelado em último estado de embriaguez à porta da mais sórdida das tabernas por um camião do lixo mais madrugador, que se transforma num ápice, enquanto o enfiam na mortalha mais à mão, na boca daqueles que o cruxificavam horas antes e por entre lágrimas de crocodilo, num extremado paizinho de família, num companheiro como ninguém viu, num amigo dos seus filhinhos, num pobre diabo a quem a maldita da vida nunca sorriu. “Já lá está, na terra da verdade! Que Deus Nosso Senhor o conserve muitos anos sem nós!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo não é nada demais, é apenas uma questão de cautela. É uma espécie de versão da velha máxima “não cuspas para o ar que te pode cair em cima” adaptada a uma versão mais simpática do género “não caias na tentação de elogiar aqueles que um dia na tua frente se poderão atravessar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito poucas excepções contrariaram esta tendência nos últimos anos. Talvez deva destacar a bizarra homenagem caseira que Jorge Sampaio prestou a um Mário Cesariny já em avançado estado de combustão mas ainda a planar numa brilhante lucidez revolucionária. O rapaz Sampaio soube bem escolher os seus braços direitos e procurou colmatar nos apoios imediatos as visíveis fraquezas que deixava transparecer. Soube dar ouvidos a quem melhor lhe segredou mas não deixou de ser caricato ver o Presidente da nossa República, aquele que é em teoria o garante maior da nossa soberania, prestar homenagem a uma das mentes mais loucas, transversais e visionárias do século XX português. Foi no mínimo estranho e irónico ver o símbolo máximo da nossa autoridade curvar-se perante um dos maiores porta-estandartes da subversão e da recusa que recorreu a todas as formas de arte que tinha à mão, incluindo a própria vida, para confundir e incendiar as mentes dos que os rodeavam. Mas ao menos foi a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu digo que os tempos que correm também não estão para grandes elogios. Cada um vive para si, estando todos fechados nas prisões a que chamam casas, dependentes das mordomias sem as quais já não sabem ser ninguém e aquilo que os outros fazem ou possam vir a fazer, de nada altera o rumo das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mim, hoje e aqui dá-me vontade de elogiar exemplos de pessoas que aplaudo e me suscitam respeito e admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Daniel Roldão deve ser da minha idade. Trinta e poucos, não mais. Cruzámo-nos inúmeras vezes no Liceu de Portalegre onde ambos estudámos e até chegámos a partilhar amigos mas vá-se lá saber porquê, nunca chegámos à fala. Creio que nunca devemos ter ido além de um cumprimento circunstancial mais distante. Calhou, como se costuma dizer. Com o passar dos anos, esqueci-me que ele existia e descobri recentemente o segredo do seu sucesso na muita imprensa escrita que faço questão de triturar. Sendo zootécnico de profissão, o Daniel descobriu na sua vocação empresarial, não direi a galinha dos ovos de ouro mas mais propriamente a galinha dos rebuçados de ovo de ouro. Ao criar a empresa “Sabores de Santa Clara” recuperou juntamente com a sua oficial de cozinha, Teresa Gonçalves, o saber fazer do divino conhecimento das monjas dos conventos da cidade e ao aumentar o tempo de validade dos rebuçados sem alterar a sua receita original, projectou um dos ex-libris da doçaria do mosteiro, as já famosas bolinhas douradas de alegria. Sendo grande nas lojas gourmet de todo o país, produzindo 2.500 rebuçados diários com recurso à mão-de-obra de apenas quatro funcionárias, tem agora as baterias apontadas para os aliciantes mercados internacionais, enquanto magica em segredo novas embalagens e as mais diversas formas de chegar aos públicos-alvo. Disse em entrevista que “queremos estar presentes nos momentos importantes das vidas das pessoas” e só por aqui já fico com a barriguita consolada de tanta capacidade e sentido de oportunidade. Perante esta verdadeira jogada de mestre, mais vale tirar a mão da testa e deixar-se de lamúrias que o caso é mais para bater palmas. Em frente, Daniel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o António Costa que eu conheci no seu stand da Feira da Castanha de há dois anos, me surpreendeu há dias nas páginas de um semanário onde contava a sua história. De facto e agora que penso nisso, constato que a sua amabilidade e o seu modo de expressão o denunciavam dos restantes e deixavam pressupor um passado rebuscado que só agora confirmei. Tendo tido um passado comercial na banca, tendo sido um quadro de destaque de um grande banco português e inclusive chegado a director comercial de uma importante seguradora, mandou tudo às urtigas quando descobriu que na flor da idade, vivia uma vida que não era a sua e partiu para Manteigas onde ajudou a desenvolver a empresa Ecolã que produz mantas, cachecóis e tapetes, roupas e artigos personalizados para hotelaria, sempre com o maior respeito pelos processos e padrões tradicionais. Processando 15 toneladas de lã anuais, esta unidade fabril que emprega oito efectivos do sector que se encontravam no desemprego, produz por ano 16 mil peças que encantam já o país e toda a Europa somando vitórias como a última obtida em Dezembro, em Milão, na maior feira internacional de artesanato do mundo, onde foi considerada pelo diário Il Giornale, como a melhor dos 2.500 stands presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casos não muito diferentes do de Pedro Freire que fugiu da cómoda secretária da capital onde apodrecia no seu fato e gravata, para Seia onde hoje produz o queijo certificado de São Gião. O gestor de 30 anos, aboliu assim uma escravatura na capital que o amordaçava para se libertar nas cercanias da serra onde transforma por ano 75 mil litros de leite em cerca de 16 mil queijos que vende para a Irlanda, França, Inglaterra, Angola, Brasil e Noruega, estando já de olhos postos nos Estados Unidos. Tendo arrebatado diversas medalhas de ouro e prata em Prémios Mundiais de Queijo, já foi inclusive elogiado pela Rainha da Noruega que se perdeu de amores pelo seu “Serra da Estrela Velho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casos de jovens que ousaram desafiar o destino e dizer não de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casos de pequenos grandes heróis das suas vidas e de brilhantes referências nas nossas que souberam tornear a oblíqua obrigação para abraçarem a enorme felicidade que é viverem a vida que querem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casos, meus amigos, que nos podem fazer sonhar e até quem sabe, soltar as nossas próprias amarras e abrir caminho face ao desconhecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-8226220609965286555?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/8226220609965286555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=8226220609965286555' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8226220609965286555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8226220609965286555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/02/20-desabafo-14-de-fevereiro-de-2007.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RdLnMeifVdI/AAAAAAAAAAw/P9ZPbxkNtSA/s72-c/20%C2%BA+Desabafo+-+14+de+Fevereiro+de+2007+-+Grandes+Portugueses+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-8694671584635439164</id><published>2007-02-06T23:18:00.000Z</published><updated>2008-12-10T15:58:58.242Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;19º Desabafo – 7 de Fevereiro de 2007 – “O Amor em castelhano”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028565118985146002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RckNVU8HjpI/AAAAAAAAAAM/Bz1oYfj58tQ/s320/19%C2%BA+Desabafo+-+7+de+Fevereiro+de+2007+-+O+Amor+em+castelhano.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira hora da manhã é sempre um desafio pessoal particularmente difícil, sobretudo nesta altura dos frios. Apesar de adorar madrugar e de achar que só quem tem a coragem de se adiantar a todos os outros que ainda rebolam de gozo no tépido conforto dos lençóis, poderá auspiciar a agarrar o dia com as duas mãos, tenho de confessar que sou uma máquina de combustão lenta ao acordar. Digamos que o meu processador tem extrema dificuldade em fazer restart. Não sou definitivamente um daqueles felizardos que saltam da cama ao primeiro bocejo do galo mais madrugador, já com o fato de treino vestido e com a disposição das meninas da secção de lingerie da Redoute estampada no rosto. Bem queria! Mas de nada valeram as intensas negociações que fiz comigo mesmo, tentando convencer-me das inúmeras virtudes da corridinha matinal, se porventura despertasse mais cedo. Acabo sempre derrotado, a suplicar ao botãozinho vermelho do despertador, um prolongamento de mais dez minutinhos antes da azáfama que se repete inexoravelmente dia-a-dia. Mal colocamos o pé no chão, sabem como é, uma correria entre as divisões da casa, uma luta frenética com os ponteiros, para ver quem chega primeiro à primeira de todas as metas.&lt;br /&gt;Num desses dias da semana passada, enquanto terminava uma torrada apressada e aproveitava a trégua dada pela mais pequena da família enquanto lavava os dentes, aproveitei para saltar do canal 2, o inevitável canal 2, para as notícias da RTP1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes manchetes do dia já tinham passado em antena e o pivot anunciou, já em jeito de variedades, a realização na véspera do primeiro casamento gay mexicano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir isto, enquanto acabava de barrar a manteiga num recarga e me preparava para começar a arrumar o “estojo”, sem sequer olhar para o ecrã, o meu cérebro deu um pontapé na caixinha adormecida do preconceito e comecei desde logo a imaginar dois gringos de sombreros cor-de-rosa e florinhas nos bigodes, de maõzinha descaída no ar, de mantilha com as cores do arco íris ao ombro, a desfilarem no alto de um semi-reboque pela avenida fora. Quando me virei para ver as imagens, surpreendi-me e quase me envergonhei em silêncio. Afinal, eram duas mulheres e as imagens não tinham nada de bizarro, antes pelo contrário. Não pude deixar de reparar que no momento do sim, em frente à congressista, suspiraram em uníssono, com uma sincronia inatingível se não fosse natural, mesmo que tivessem ensaiado mil vezes. Foi um suspiro que veio de dentro, de extremo alívio e felicidade, a que se seguiu um sorriso olhos nos olhos, daqueles a que nem o coração mais empedernido fica imune.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karina Almaguer e Karla Lopez, de 25 e 30 anos, viajaram para Saltillo, que eu já conhecia pela má memória da rebelião da selecção portuguesa durante o Mundial de 86, no Estado de Cohauila, para selarem oficialmente a sua união, dando assim pela primeira vez uso à lei aprovada em 11 de Janeiro último, que conferiu a este Estado de dois milhões de habitantes, a particularidade de ser o único dos 31 que compõe os Estados Unidos Mexicanos, a ter a graça de poder unir perante a lei dois seres do mesmo sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram duas belas mexicanas, sim senhor, uma de jeito bem mais masculino, cabelinho com gel puxado para trás, casaquinho de cabedal, outra mais rechonchudinha e efeminada, com três pneuzinhos entre a última costela e o osso da bacia, a fazer lembrar as Vénus, as Deusas-mãe do Paleolítico. Tremendamente felizes e sobretudo, aliviadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei com aquele sorriso a dar voltas na minha cabeça e agradeci em silêncio a energia positiva que o enlace me deu durante o dia. Até parecia que tinha saído do “copo de água”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheci, falando comigo, que este foi provavelmente um dos assuntos em que durante a minha vida senti uma mais clara viragem de opinião. Como todas as outras crianças da minha aldeia, nasci, ou cresci ou fizeram-me ser um homofóbico acérrimo. Homens só com mulheres e vice-versa. Nada de invenções que isso não é cá para nós! Aprendi, no conservadorismo alentejano potenciado com as mais profundas convicções católicas, a condenar a diferença, a apontar o dedo acusador aos que “não eram normais”, a denunciar as aberrações da natureza. Como se fosse alguma vez possível, homens e mulheres escolherem amar os seus iguais, em vez das partes que os complementam. Quando éramos miúdos dizíamos em segredo no pátio da escola que a Ana Zanatti vivia com a Lara Li, consagrando um boato dos anos oitenta que se transformou em mito urbano. Ainda me lembro quando a última foi estrela de uma festinha de Verão da Ranginha, em pleno concelho de Marvão, e de a estar a observar como se fosse um pássaro raro. Acho que ela não reparou. Devia estar habituada…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da adolescência, já na idade adulta e sem saber, dei por mim a maravilhar-me com obras da literatura, da pintura, do cinema produzidas pela rara sensibilidade de aqueles e aquelas que um dia abominei e achei sinceramente que não havia nenhum crime nisso. Há de facto uma grande diferença entre aqueles que usam a sua sexualidade para chocar tudo o que os rodeia, pelo puro prazer de provocar e aqueles que na intimidade da sua diferença, optam por conduzir a sua vida pelo trilho por onde pensam que poderão ser mais felizes, com discrição e sobriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade para ninguém que a homosexualidade é cada vez mais aceite em termos sociais e tem ganho terreno declarado no nosso mundo ocidental. Na televisão, na publicidade e até na própria orientação política, tem sido um segmento cada vez mais levado em linha de conta e parece-me que já não olhamos para ele com o estigma de outros tempos. Seria alguma vez possível há dez anos, haver um programa em horário nobre na televisão, como aconteceu há tempos na SIC, em que um grupo de homossexuais se dispunha a mudar o visual de um concorrente? Aposto que seria cancelado logo no episódio piloto por falta de participantes. Quem é que quereria ser o bobo da corte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro agora que a chave para a resolusão deste suposto problema reside numa simples palavra que me tomou de surpresa quando cheguei à composição escrita da Prova Geral de Acesso. “Disserte sobre a tolerância”. “A tolerância? Mas que raio! Esta agora!” E lá fui meio cambaleante por ali fora dando-lhe conforme podia que o tempo era curto e a conversa tinha de ser preciosa. A julgar pela nota, não me devo ter safado mal, mas ainda hoje, a tolerância que me tem acompanhado nos meus pensamentos, é para mim cada vez mais a chave da felicidade da nossa sociedade e a única e verdadeira via para se ser feliz. O dicionário define-a como a “atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adoptada por si mesmo; acto de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo”. Será porventura uma bela oportunidade de recordar a velha máxima que diz que “a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Et voilá!”, o segredo do sucesso ou aquilo que realmente nos faz falta nas redomas de vidro onde vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, aquele sorriso cúmplice mexicano que me surpreendeu no noticiário da manhã, era o de uma vitória que há muito aquelas almas sonharam, e da certeza que no futuro teriam a garantia de poder viver a sua diversidade em liberdade à luz da legalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pensarem bem, o que é que nós temos a perder ou ganhar com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em vez de olharmos para eles como pretos, judeus, maricas, comunas, fascitas, infiéis ou mentirosos e os tomarmos como nossos iguais, no fundo como seres que tal como todos nós querem apenas ser felizes, o mundo seria um lugar bem melhor para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já agora, que se afunilam as trincheiras e se aproxima o dia 11, dentro da nossa maravilhosa diversidade e seja qual for o resultado da votação, já digo como o outro, “talvez valesse a pena pensar nisto”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-8694671584635439164?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/8694671584635439164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=8694671584635439164' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8694671584635439164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/8694671584635439164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/02/19-desabafo-7-de-fevereiro-de-2007-o.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/RckNVU8HjpI/AAAAAAAAAAM/Bz1oYfj58tQ/s72-c/19%C2%BA+Desabafo+-+7+de+Fevereiro+de+2007+-+O+Amor+em+castelhano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-117016806130848578</id><published>2007-01-30T14:40:00.000Z</published><updated>2007-01-31T10:18:59.410Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;18º Desabafo – 31 de Janeiro de 2007 – A interrupção voluntária da felicidez&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/979246/Aborto%20copy%20net.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/684342/Aborto%20copy%20net.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pedindo a vossa paciência e implorando por misericordiosa compreensão, desculpem mas tem mesmo de ser e assim, uma vez mais… vão ter de levar com o aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não dá! O pessoal está todo a ficar histérico com esta história e agora que se aproxima o dia D, é cerrar fileiras, entrar de carrinho e a varrer que “em tempo de guerra não se limpam armas”. De repente, parece que ficou tudo tontinho, os do gang do sim e os da turma do não, de bandeirinha e autocolante a varrer os mercados e vielas do Portugal mais que profundo, cada um vendendo os seus argumentos. Até as varinas do Bulhão andam desorientadas a pensar que as últimas eleições parece que foram ontem quando entra a turba ululante em plena alucinação colectiva. É uma encenação circense do mais alto gabarito. Ainda se queixa o Cardinalli que não encontra actuações de reconhecido mérito em solo luso e lá vai ele a caminho da China a buscar mais um comboio deles para o número do trapézio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem dizia o outro que as paredes do Júlio de Matos são altas não para os que lá estão fugirem mas para os que estão cá fora não terem a tentação de entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu, mais uma vez e já que me obrigam a ser chamado à pedra, tenho mesmo de dizer de minha justiça. Chamem-me retrógrado, tapado, machista, cabeçudo, ultrapassado, chamem-me Torquemada, chamem-me primitivo, regalem-se a baptizar-me com as mais inomináveis abjecções mas eu, nesse dia, voto um não consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui para nós que ninguém nos ouve, o menino Sócrates bem podia estar caladinho porque não lhe fica nada bem manchar a aura de isenção que ostenta na traseira da nuca com a declaração naquilo em que devemos votar. Até o Sampaio que tão confuso andou aqueles anos todos quando dormia em Belém, nos aparece agora mais que esclarecido porque, diz ele, “Portugal não pode ficar para trás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a minha teimosia em não aceitar a liberalização do aborto até às 10 semanas prende-se com um único motivo: a vida desse feto que cresce lentamente na barriga da mãe não lhe pertence a ela, nem à mulher na sua condição, mas sim a ele próprio. Quero eu dizer com isto que se ninguém o impedir, se ninguém se armar em Deus e meter a faca onde a vida já por si brota, esse projecto de ser há-de passar disso mesmo e há-de ser gente de carne e osso. Defendo e acredito profundamente que essa vida que veio sabe-se lá de onde é autónoma e se há-de servir do casulo onde dorme então para passar a caminhar por si quando chegar a sua hora. Apesar de nunca ter sido fã dos Delfins, acabo nestes dias por lhes dar razão. Também eu acho que quando alguém nasce, nasce selvagem, no sentido em que em última instância não pertence a ninguém senão a si próprio e espero que não me mal interpretem nem procurem segundas intenções quando digo isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que correm, com a informação e a multiplicidade de meios contraceptivos que existem, não faz sentido ter de recorrer a tão dramático corte da mais brutal das maneiras, pelo menos como prática corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vêm com a conversa dos que têm dinheiro vão a Badajoz e os pobres ficam a pé, que na Europa já se faz e eu quero cá saber da Europa e do que fazem os europeus se a conversa que tenho aqui é com a minha consciência e não com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que se vai continuar a fazer, que vai continuar a haver…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo que não, mas sim que essa é uma falsa questão. Porquê? Quando uma população partilha no mesmo território um sentimento de pertença e uma língua comum, quando uma nação atinge o Olimpo de poder ser um país, há um conjunto de leis que regulamentam o seu viver em sociedade, leis essas que podem ser mais ou menos permissivas, mais ou menos austeras, mais ou menos imutáveis. Pois eu penso que há muitas coisas que se praticam no meu país que podem continuar a acontecer mas lá por acontecerem não quer dizer que devam ser contempladas na lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplos? Toda a gente sabe que há droga nas prisões. Se há consumo e doenças associadas à partilha de seringas, dizem os entendidos que devem haver kits descartáveis gratuitos para fornecer aos reclusos. Há quem concorde, certo? Pois eu discordo em absoluto e vão ter de me explicar como se eu fosse muito burro porque se uma prisão é um sistema fechado, alguém tem de meter a droga lá dentro para ela poder aparecer. Entretenham-se então a descobrir quem é que são os mafiosos que se andam a alimentar da conjuntura, fiscalizem os inputs, apliquem penas pesadas e deixem-se de lirismos porque o contrário é ser conivente com a maralha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sou contra a liberalização das drogas duras apesar de muitos defenderem que com ela acabaria o tráfico, como sou contra a existência de salas de chuto assistido e contra a tributação desse tipo de rendimentos. Sim, porque o nosso Estado, espertalhão! prevê a cobrança de tributos até no caso dos obtidos a partir de fontes ilícitas, o que só lhe fica mal porque para além de ser só para inglês ver, ninguém está a imaginar as meninas do Intendente a irem a correr às Finanças para apresentar uma declaração de alterações porque superaram nessa tarde o limite do volume de negócios declarado para efeitos de IVA e IR, pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aqui sou um bocadinho mais pessoa de bem que o nosso mais que tudo e digo que se é ilícito que ilícito seja e continue. Às vezes temos de saber fechar os olhos para as zonas negras da nossa legalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tanto se me dá como se me deu que na Holanda se fumem ganzas e se cheire coca com a naturalidade com que cá se atam os atacadores dos sapatos. Não acho isso correcto. E o álcool? Bem, isso é outra história. Já dizia o Zé da Calçada que beber vinho era dar de comer a meio Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois voltando ao aborto, eu digo que não, embora tenha clara consciência que muito provavelmente o sim vencerá e elas hão-de abrir garrafinhas de champanhe e dar vivas. Às tantas, até uma ou outra caravana, não? Sim eu sei, a malta gosta é de festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois este vosso amigo diz-vos que não, que para mim pode continuar mas a lei não o deve contemplar pelo simples motivo que o feto que vai pelo esgoto abaixo ou incineradora dentro, nunca há-de correr à volta de um jardim, comer um gelado de limão à sombra de uma árvore no Verão, ver o mar ou ser gente como todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer lírico, mas se um filho não vos dá jeito na altura, podem ao menos dar-lhe o direito a viver e entregá-lo para adopção depois. Ah, isso não! Nem pensar! É muito mais cómodo como querem agora: veste-se a bata, paga-se a nota e sai-se como se nunca tivesse sido nada. É um calo que saiu. Já está! E eu é que sou egoísta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanta conversa louca que tenho captado nos últimos dias, deixo-vos com um relato que me parece de todo pertinente e o qual tive oportunidade de ouvir no programa “Prova Oral”, do grande Fernando Alvim, na Antena 3. A ouvinte ligava do Norte e deixou-me estarrecido com o seu testemunho. Há muitos anos, quando se iniciava no mercado de trabalho e aprendia a ser independente, um amor fortuito trocou-lhe as voltas da vida e as contas à menstruação, deixando-a grávida ao fim de pouco tempo. Sem ter o apoio certo de um companheiro e o calor do lar para a sustentar, sem ter certeza na certeza que carregava no ventre, sem um salário fixo, sem uma posição segura, terminar de uma vez com aquele pesadelo foi a única verdade que lhe toldou o pensamento. Andou a remoer, a ganhar coragem, a investigar o mercado clandestino e algures nesta demanda, algo a fez inverter a posição e sem saber como, quis fazer das tripas coração e proteger esse sentimento de pertença que nunca um dia pensou ter. Passou fome. Comeu o pão que o diabo amassou. Passou as “passas do Algarve” para levar a sua avante. A persistência e a teimosia que antes a fizeram exemplo de rebeldia, eram agora a força motriz que alimentava a vontade de levar o seu filho avante. Hoje, mais de 15 anos volvidos, ligou para a RDP para nos deixar a todos a sua versão. Hoje, dá Graças a um Deus que então não conhecia porque se na altura da sua indecisão o aborto fosse legal, não teria hesitado e esse teria sido o caminho. E se então tivesse desfeito o que não queria, nunca teria tido oportunidade de ver o seu filho com a alegria e o orgulho com que hoje o contempla. Antes adepta do sim, hoje fervorosa adepta do não, diz que sabe bem o que dizer no dia 11 de Fevereiro. E nem por isso será menos mulher e menos decidida que as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que as mulheres são livres e podem mandar nos seus corpos. Só peço é que sejam mais tolerantes, elas e não eu! e respeitem o corpo dos seus filhos e o considerem não como um apêndice, não como mais uma extensão egocêntrica de si mas sim como uma vida que merece tanto ser respeitada como a sua ou qualquer outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-117016806130848578?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/117016806130848578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=117016806130848578' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/117016806130848578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/117016806130848578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/01/18-desabafo-31-de-janeiro-de-2007.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116957415957122143</id><published>2007-01-23T17:42:00.000Z</published><updated>2007-01-24T12:19:03.230Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;17º Desabafo – 24 de Janeiro de 2007 – “Admirável Mundo Novo”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/440486/Jo??o"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/505684/Jo%3F%3Fo%20Sobreiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;João Pedro Serra Sobreiro. Nascido a 09.01.2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há dez anos atrás, atravessei o Alentejo rumo ao reino dos Algarves, não para passar as férias de Verão como era hábito, mas para ali deixar o meu único irmão, acabadinho de entrar para gestão na Universidade local. Foi uma das viagens mais difíceis da minha vida, apesar da aparente alegria do jovem caloiro e restante família. Custou-me porque soube que ali acabava um ciclo e se iniciava um outro onde estaríamos inevitavelmente sempre mais afastados. Depois de vencer quilómetros e filas intermináveis para inscrições, rendi-me à fadiga e acabei por ali pernoitar num quarto recém alugado. Na duríssima manhã seguinte, fingi-me protegido pela carapaça de irmão mais velho que tem sempre de parecer seguro e destemido, embora tremesse por dentro por não saber o que haveria um dia de ser dele. Como seria a escola? Com quem iria andar? Com quem comeria? A quem se iria agarrar quando estivesse sozinho e doente? Quis-lhe pedir desculpa pela mal que lhe pudesse ter feito (acreditem que não deve ser nada fácil ter sido o meu irmão mais novo) e desejar-lhe a melhor sorte do mundo, mas da boca nada mais saiu que umas breves palavras de confiança. Nunca o disse a ninguém, mas até ao cruzamento de Ourique, os olhos mal viram a estrada de tão turvos de emoção e já muita saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram-se do desintegrador de moléculas da nave espacial da série de televisão “O caminho das Estrelas”, em que a tripulação se metia debaixo de um chuveirinho cósmico para desaparecer e voltar a ser matéria mesmo que fosse no mais recôndito cantinho do Universo? Quantas vezes me deitei a sonhar com uma e eu sempre quis ir para bem mais perto que eles. Paciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o miúdo deu-se bem e hoje, contando apenas com a ajuda de Deus e dele próprio, conseguiu instalar-se no terrível mercado de trabalho, arranjar um cantinho, fazer amigos, ter os seu espaço e no último drible, fintar o casamento fazendo jus às modernices e decidir sem mais ser pai. 9 meses volvidos, estava a pobre parturiente a braços e pernas com o milagre mais lindo da vida, entre dores e suores e promessas que nunca mais a enganavam e nós de ouvido colado ao auscultador à espera da boa nova, a fazer lembrar os tempos idos da telefonia, quando o telemóvel deu sinal de mensagem. Mensagem multimédia! Uma fotografia. Abri. Envolto em cobertores e de olhitos encandeados pela luz, com minutos de vida e ainda quase a deitar fumo do calor do ventre materno, lá estava o João Sobreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De boca aberta de espanto, dei por mim a pensar, que admirável mundo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto não valeu, naquele momento, ter tão precioso aparelho capaz de dar em segundos mais do que mil minutos de muita conversa ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, este é um tempo fantástico para se viver e já por diversas vezes dei por mim a deitar contas a isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui estudar para Lisboa, em 92, computadores? Só de ouvido! Até na faculdade, era raro pôr-lhes a vista em cima. Ainda sou do tempo em que as pesquisas na Biblioteca Nacional se faziam em intermináveis gavetinhas cheias de papelitos com o resumo da obra e do autor. Caricato, não é? Hoje em dia, qualquer palerma tem um portátil debaixo do braço nem que seja só para impressionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu sou do tempo em que se escreviam cartas às namoradas que foram longas e às centenas. Cartas de papel, daquelas que se metiam num envelope com selo e tudo e se entregavam nos Correios. Cartas cheias de carinhos e beijinhos e promessas de amor eterno que custavam como o raio a escrever porque se tinha de fazer muita força na caneta para se deitar cá para fora tudo o que se sentia. Nos dias que correm, a malta nova é só de e-mail para cima e vão aos correios apenas quando querem recarregar o telemóvel ou ir buscar a encomenda da Redoute que mandaram vir via Internet. Falam uns com os outros num programa gratuito chamado Messenger, onde não se paga mais que nada e se pode estar um dia inteirinho a teclar com o nosso primo que anda na campanha da apanha do Kiwi no Sri Lanka, como se tivesse sentado aqui à nossa beira. Só não dá para jogar à bisca lambida mas isso já era pedir demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta e a história mudaram com a chegada da Internet que continuo a considerar a maior invenção do homem pelas infindáveis capacidades que retém e ainda agora continuam por explorar. Tenho a certeza que diria que seria impossível se há dez anos atrás me dissessem que teria hoje a possibilidade de publicar um texto que em segundos pode ser visualizado em qualquer parte do mundo incluindo na Polinésia Francesa, através de um processo que me abre as portas de enciclopédias e dicionários e das maiores galerias e bibliotecas do mundo inteiro, que me permite saber quase tudo em tempo real, que tanto me ensina a fazer uma bomba artesanal como me lista de improviso o nome de todos os prémios Nobel da Paz, que me traz tudo o que são discos, livros, jornais, que me manda mensagens com vídeo e som e transforma o planeta nem sequer numa aldeia, mas numa vielazinha global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu sou do tempo em que não havia telemóveis! Aquele tempo em que quando queríamos saber de alguém e esse alguém não estava em casa ou no emprego, nos deixava loucos e a ligar para cabeleireiras ou cafés (consoante fosse feminino ou masculino) porque não havia maneira de saber onde se teria metido. Voltando às cachopas, nada de namoricos à distância debaixo dos lençóis. Se a queria ouvir tinha de esperar na fila do telefone e ouvir a conversa do da frente que ligou à mãe porque perdeu o último autocarro e depois fingir que tinha tosse e falar baixinho para que o que estivesse atrás não pudesse gozar o prato. Vá-se amolar! Se quiser namorar que arranje uma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não consigo para de rir quando recordo as “bichas” infindáveis na praia junto às cabines telefónicas, quando meio mundo esperava atrás do outro para mandar beijinhos para casa. Parece uma cena do novo testamento! Já não se usa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele então, que não foi seguramente há mais de uma década, quando queríamos jogar num videojogo, íamos aos míticos “Convívios” do Senhor Artur Matos que de certeza seria eleito, se houvesse na altura um concurso desse género, como o Português mais importante de sempre para a malta nova. Qual Afonso Henriques, qual Fernando Pessoa, qual Marques do quê? O pai Artur, que ganhava dinheiro até a dormir é que a sabia toda! Hoje os putos não chateiam as mães para lhe dar uma moeda para meter na máquina de arcada. Hoje jogam em casa, na Playstation, com os paizinhos, a 10 contos cada jogo e toma lá que já almoçaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram-se de só haver dois canais de televisão? Meu Deus do Céu! Como foi possível não morrer mais gente de tédio? E nós, que sempre recorríamos aos espanhóis que nos safavam a onça, só há pouco mais tempo é que pudemos receber a SIC e o então Canal dos Padres. Hoje, há estações para tudo e mais alguma coisa, do desporto à música, do sexo à historia e ainda um para a Igreja Maná. Onde irá dar tanta fartura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas viagens do Expresso que demoravam 6 horas, 6! do Casal Ribeiro até Santo António, ouvia num pequeno leitor de cassetes portátil, as fitas que o meu amigo Sardinha me gravava na rádio da Benedita, com as últimas novidades e modéstia aparte, sentia-me muito à frente. Hoje? Usam uns leitores minúsculos de mp3 que guardam tantos discos como eu então nunca poderia carregar, nem que andasse com um dumper atrás. Minúsculos, tecnologicamente perfeitos, muitas deles guardam filmes e fotografias e mil e uma coisas mais. Por falar nisso, cds que eu também me lembro de ver nascer, tendo na perfeita memória o dia em que os vinis foram metidos num caixote de lixívia e assentaram bem no fundo da arrecadação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os filmes meus amigos, os filmes que nós exasperávamos por ver e tínhamos de fazer quilómetros e quilómetros de devoção cinematográfica. Hoje, graças aos dvds e à pirataria, experimentem ir a uma feira próxima e levem para casa os últimos candidatos aos Óscares por euro e meio. O fascínio da sétima arte no conforto do seu lar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer nós queiramos quer não, nada é nem será como dantes e a vertigem e a velocidade são cada vez maiores. Na minha bola de cristal eu vejo que qualquer dia nos metem uma coleira ao pescoço que nos dará os valores dos diabetes e do colesterol, a tensão arterial e a esperança média de vida, apitando o hino da EX-URSS quando se bebe uma mini fresquinha a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É isso aí”, como dizem os brasileiros, o futuro mete-me medo mas eu gosto ainda mais de agora do que dantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, na Bica, passou por mim uma carrocita cheia de neo-hippies que vivem para aquelas bandas. São eles que se educam uns aos outros, fazem de médicos de clínica geral, de dentistas, de psicólogos e até de obstetras dando razão ao velho Rousseau que o bom selvagem é mesmo bom desde que queira. Estes, pelo menos, não fazem mal a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cá vou mais pelo Aristóteles e também acho que o homem é mesmo um animal social, que sem os seus pares definha e desaparece. E se esse animal social puder ter o último gadjet da tecnologia, o último gritinho da moda high-tech para lhe facilitar a vida, tanto melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que os sinais de fumo dos homens das cavernas não me iriam permitir ver o palminho de cara do meu novo afilhado tão bem como no ecrã cristalino de um telemóvel de última geração e isso é bom. É mesmo muito bom!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116957415957122143?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116957415957122143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116957415957122143' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116957415957122143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116957415957122143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/01/17-desabafo-24-de-janeiro-de-2007.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116897381479165295</id><published>2007-01-16T18:56:00.000Z</published><updated>2007-01-17T12:30:46.063Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;16 º Desabafo – 17 de Janeiro de 2007 – “Na Taberna”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/422240/16%3F%3F%20Desabafo%20-%2017%20de%20Janeiro%20de%202007%20-%20Na%20Taberna.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/235621/16%3F%3F%20Desabafo%20-%2017%20de%20Janeiro%20de%202007%20-%20Na%20Taberna.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu sei que pode ser difícil de ouvir assim a seco mas garanto-vos que às vezes tenho vergonha do meu país. Às vezes, tenho vergonha de ser português e por tabela, acabo por ter vergonha de mim e da minha inércia também. Às vezes oiço e vejo coisas que quase me dão vontade de passar da palavra à luta armada. Neste caso, já por diversas vezes tinha ouvido o assunto de soslaio em conversas alheias mas como me parecia tudo tão mau e impossível, deixei-me ficar a ver se a onda passava e se o pior não se concretizava. Mas neste caso, acabou tristemente por se tornar realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira, as filmagens de um documentário de promoção a um evento cultural do Município de Marvão levaram-me ao Porto da Espada. Nessa manhã enevoada, passei pela Taberna local e em vez do sorriso de sempre, nada mais havia que uma porta fechada. A razão para tal encontrei-a metros acima quando me cruzei com a Dona Estrela, proprietária do espaço, que de olhos rasos me confirmou que nesses difíceis momentos que se seguiram a uma noite de angústia sem sono, decidiu fechar de vez a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me que a legislação mudou muito, que agora aperta de maneira diferente e que não tinha como dar resposta. O espaço não permitia os aumentos regulamentares, as exigências eram mais que muitas e que não se podia arriscar aos valores das coimas. Os fiscais estão muito em cima e o dinheiro está contado. Os senhores da ATIVE aconselharam-na a não arriscar. Está muito em jogo e no futuro alguma coisa se haveria de arranjar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim de repente, meio desarmado com a sinceridade angustiante, quis saber mais… o porquê assim e agora. “Sabe, já se falava disto há muito. O senhor que me aconselhou disse que há um ano que lutavam para que estas exigências não fossem assim para a frente, mas não havia nada a fazer. Há muitos interesses… muitos interesses.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou-me que sim, que leu toda a legislação, “que agora não querem nada em madeira, nem os cabos das facas sequer. Tudo em inox! Chegou-se ao ridículo de numa outra casa próxima, terem obrigado o proprietário do estabelecimento a retirar as madeiras do sobrado e a colocar um placa quando o imóvel nem sequer lhe pertence. Quem é que paga essa despesa? Quantas refeições se têm de servir para pagar tal investimento?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querem um expositor diferenciado para os enchidos e o queijo; os pesos não podem ser de ferro, têm de ser de cobre, por sinal caríssimos; não pode haver comida própria confeccionada guardada no frigorífico, enfim, todas as imposições possíveis e imaginárias. Se lhes juntarmos os impostos, a segurança social e um tanto que ronda os duzentos contos anuais para uma fiscalização da higiene alimentar… andava a trabalhar para aquecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu que tinha a minha arca dividinha e limpinha, com carne e peixe separados, agora tenho de ter uma única para cada género de alimentos. A banha e a manteiga têm 5 dias para se gastar. Coloca-se uma etiqueta quando se abre e depois vai para o lixo se não se gasta. Já viu isto? Tem de se afixar na cozinha os ingredientes da comida e de se guardar uma amostra durante 3 dias, para análise. Até a casa de banho tem de ser limpa 3 vezes ao dia, com o horário fixo e tudo apontado para que todos vejam. Agora até para se limpar retretes se tem de saber ler e escrever. Qualquer dia temos de ter um curso superior!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nunca eu pensei que um dia me fizessem um cerco tamanho que haveria de dar cabo da minha vida. Sabe o que eu acho? Que acabam com tudo, que rebentam com os mais pequenos para que só os grandes sobrevivam. Acho que temos o país a ir por água abaixo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não me consigo governar com o copo de vinho e o café. E assim vamos ficando sem nada. A minha mercearia era muitas vezes um apoio para a população. Agora quando precisarem de alguma coisa vão onde? A Portalegre? De camioneta da carreira a buscar o açúcar ou a manteiga?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tive que me vir de lá embora. Não aguentava mais estar lá, a olhar para as coisas, a ouvir falar na rua e eu do lado de lá… com aquelas paredes a sufocarem-me.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi uma história de amor com 17 anos que acabou mal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso conterrâneo José Carlos Malato teve a felicidade de pegar na frase do “fui feliz aqui”, “fui feliz ali” e entrou directamente para a ilustre galeria dos que inventam com as palavras coisas que todos queremos como se fossem nossas. Para quem não teve o privilégio de conhecer, a Taberna não era um espaço qualquer e como muitos outros, também eu tive a distinta honra de ter sido ali muito feliz. Feliz porque o Tonho Zé e a Dona Estrela recebiam os clientes não como tal mas como amigos sinceros mesmo que os conhecessem nesse dia, de braços sempre abertos e com um sorriso sincero de boas-vindas que não aparecia na conta final. Soberbamente decorada com tarecos de outros tempos, a Taberna impressionava logo à entrada pela sua tipicidade. O amplo balcão à antiga, as fotografias da povoação, a arca onde descansávamos, ou os calendários escolhidos a dedo, faziam um K.O. directo de afecto inicial que deixava o mais maduro de queixo caído perante tamanha envolvência. Depois era mergulhar por aquelas sinuosas galerias repletas de tremendo bom gosto e saber receber, com as colecções de chaves antigas, os candeeiros, os potes e despertadores de outros tempos que há muito deixaram de funcionar. Depois havia a televisão dos princípios dos 80, os pratos, a arca dos cereais, as cadeiras, tudo, tudo um mimo, um regalo de bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Taberna perguntavam sempre se o comer estava bom quando repunham algo na mesa. Na Taberna, os jarros apareciam cheios sem que fosse preciso chamar o cicerone. Na Taberna riam-se connosco e eram felizes quando de lá nos viam sair felizes. Perdoem-me os outros tantos de quem eu sou também tão amigo, mas tenho de confessar que era na Taberna que eu me sentia mesmo em casa. A soberba feijoada de chocos com que me despedi sem saber, nunca mais ninguém me tira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-lhe que pensasse positivo. Que há males que vêm por bem. Que quando Deus fecha uma porta, abre sempre a tal janela e gastei ali as minhas frases feitas de reconforto. Pedi-lhe que repensasse. Que não desmembrasse a casa. Que empregos de cozinheira há em muitos lados e oportunidade não lhe há-de faltar. Mas pedi-lhe mais uma vez que reconsiderasse. Que pensasse em montar a tenda noutro lado, que respeitasse as condicionantes, que era possível ainda assim, com uma sala maior, conseguir suportar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela respondeu-me que em última instância há sempre Espanha ali tão próxima, “para onde marcharam já alguns colegas e onde primeiro está a economia e o bem-estar das pessoas e só depois vêm as leis que só servem para os servir. É por isso que eles evoluem e nós não passamos da cepa torta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo que é necessário haver normas e disciplina. Percebo que há normativos comunitários a cumprir. Sei que a legislação é cada vez mais criteriosa. Mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Vejam bem ao estado em que chegámos no nosso país que as casas não são fechadas mas fecham só com o medo das coimas. Com tanto rigor, com o sermos tão certinhos, matamos a nossa cultura, as nossas tradições e a forma de vida que nos torna tão diferentes de todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem bem o que seria se tivéssemos a força suficiente para bater o pé e dizer que não. Imaginem o que seria do nosso concelho se criássemos um Parque Temático que recuperasse todas as tradições que o mundo moderno exterminou, com a oportunidade de visitarmos e assistirmos ao modo de produção de um matadouro tradicional, de um moinho de azenha, de uma adega típica, de um lagar tradicional. Imaginem as excursões de estrangeiros e de meninos da cidade a fazerem centenas de quilómetros para verem as entranhas de um porco e conhecerem o seu próprio como nenhuma aula de biologia o pode fazer, a provar os enchidos, o pão, o azeite e o vinho no local mais apropriado. Quando um dia o pensarmos de facto, nada mais haverá a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dia, logo após o nascimento, colocam-nos um código de barras na testa e metem-nos numa prateleira qualquer e nós, caladinhos, herméticos e selados. Standartizados e globalizados. Estupidificados e submissos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À Dona Estrela e ao Tonho Zé, um abraço do tamanho do mundo, como aquele que quase demos meio a tremer na segunda-feira. Eu tenho esperança e não há-de faltar muito para que possamos erguer as taças do tal tinto para brindarmos sobre um pato com castanhas como só vocês sabem fazer. Havemos de voltar a ser felizes juntos nem que no final vos tenha que dizer um “gracias” orgulhoso em vem de um “obrigado” envergonhado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116897381479165295?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116897381479165295/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116897381479165295' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116897381479165295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116897381479165295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/01/16-desabafo-17-de-janeiro-de-2007-na.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116846959741090867</id><published>2007-01-10T22:52:00.000Z</published><updated>2007-01-10T22:58:29.103Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;15º Desabafo – 10 de Janeiro de 2006 – “O triunfo dos porcos”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/853878/Herm%3F%3Fnio%20Mira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/30206/Herm%3F%3Fnio%20Mira.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;De olhos mortiços e incrédulos para as câmaras e para o mundo, imbuídos de uma estranha imunidade que os paralisa por dentro perante tamanho frenesim mediático, os trabalhadores da Yazaki Saltano, parecem já não ter força para trilhar o caminho que lhes surgiu agora inesperadamente por andar. Têm na boca o gosto amargo desta história que parece sempre acontecer aos outros mas que em má hora lhes tocou agora a eles.  A empresa japonesa com nome de herói de banda desenhada de terceira linha, já sugou o que tinha a sugar, já explorou o que tinha a explorar, já ganhou tudo aquilo que havia para ganhar. Com a desculpa esfarrapada da descontinuidade da produção de cablagens para o Toyota Corolla, com a airosa graciosidade de um Zé dos Telhados, canta como ninguém a canção do bandido que deixa Ovar e o Governo a sonhar com um prolongamento que nunca há-de existir, pois o jogo está mais que perdido nos 90 minutos regulamentares. Depois de mamarem mais de 1 milhão e meio de euros em programas de investimento público e de terem recebido os terrenos para a localização das infra-estruturas de mão beijada, despedem-se agora com a traição de Judas, expressa em indemnizações acima da lei, aceites por não haver mais por onde fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De baterias apontadas para a Turquia ou Eslováquia, onde o preço do trabalho das mãos dos homens se paga com bem menos valor que por cá, prepara-se agora para embalar os tansos que se seguem, as próximas vítimas do embuste que engenhosamente engendrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, por terra, ficam os homens encostados às grades e portões, amparados pelas vedações, fumando filas ininterruptas de cigarros sofregamente cilindrados até ao fim. Por cá, ficam as mulheres de bata, de mãos nos bolsos, reunidas em pequenos círculos informais à procura do aconchego umas das outras, de volta das fogueiras que lhes hão-de aquecer os corpos mas não as almas, noite dentro, até ao vazio da manhã seguinte. De ar perdido, à espera da razão que sabem que não há-de chegar. São mais de 500 ao todo. 500 são 14 autocarros cheínhos de gente que a 24 de Janeiro acordará de manhã sem ter para onde ir e que fazer, sem ter onde ganhar aquilo que necessita para viver. Serão 500 vezes 4, vezes os filhos e os familiares que irão inevitavelmente ser arrastados pelas ondas de choque deste terrível epicentro que os há-de marcar para sempre.&lt;br /&gt;Infelizmente, nós cá em baixo, pelo Alentejo, já ouvimos esta história que de tanta vez nos ter invadido a casa pelos telejornais a dentro, parece ser sempre a mesma, parece ser a que já sabemos de cor e salteado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primo Basílio Horta que se cansou de ser eterno candidato a Presidente da República e agora se contentou com o belo tacho de Presidente para a Agência Portuguesa para o Desenvolvimento, diz que não, que não havia mais nada a fazer e arremata o ponto constatando há uma grande disparidade de preços entre a mão-de-obra nacional e a oferta do leste. Bem haja pela acutilância, mais sinceramente não era preciso dizer tanto, isso já nós sabíamos há muito. O nosso Manuel Pinho, confuso dono da pasta da economia, também sabe nestas ocasiões colocar o semblante de preocupação que convêm nestas alturas de pêsames. Diz que vai tentar, que vai negociar, que tudo irá fazer para evitar o pior quando o pior há muito já bate à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos: Portugal no seu melhor! Ouçam bem o que vos digo: ou abrimos depressa a pestana, ou o papão que dorme aqui ao lado, de 504 mil quilómetros quadrados e mais de 44 milhões de habitantes, não só nos vai comer, como lhe vamos suplicar de joelhos que nos devore de uma assentada só, para que sintamos menos a dor da degustação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução para este quebra-cabeças indecifrável, só pode estar no sorriso do Sr. Hermínio Mira, que eu em boa hora conheci nas páginas do jornal, bem aventurado proprietário da criação de porcos alentejanos de raça certificada e da fábrica Pata Negra, em Campo Maior. Este simpático senhor que certamente já passou a barreira dos 60 mas se diz sentir com menos de vinte e nos sorri na fotografia, em plena produção com um dos seus exemplares ao colo, é dono de uma empresa de capital 100% português que transforma por ano 6 mil porcos que dão origem a 600 toneladas de produto, com destaque para os afamados presuntos que são exportados até para a china, onde são considerados uma iguaria ao nível do caviar. Nesta história de sucesso, 60% das vendas vão direitinhas para Espanha, mas há também Inglaterra, Alemanha e estuda-se já a possibilidade da França, do Brasil e dos próprios Estados Unidos. Para 2007, quer aumentar 50% a produção, prevendo que a sua capacidade possa mesmo vir a triplicar! Não vislumbrando qualquer apoio estatal ou mesmo do sector bancário português, perspectiva já na sua ânsia de expansão, aliar-se a interesse estrangeiros, por ser a única forma de levar a sua avante que o que tem de ser tem muita força.&lt;br /&gt;Empreendedor e decidido, confiante até à medula, o amanhã deste homem está bem longe do descrédito dos trabalhadores da Miazaki.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo é simples e claro de se ver. Bem dizia o outro que chapéus há muitos. Cabos também, digo eu! Até na Papua Nova Guiné ou em plena Gronelândia se podem fabricar uns iguaizinhos aos dos nipónicos de Ovar. Mas porcos, meus amigos, daqueles bem escurinhos e bem alentejanos, que só comem a bolota que cai da árvore e lhe dá o característico sabor, aqueles que nem querem ouvir falar de rações ou farinhas, aqueles que têm livro genealógico e são certificados por entidades autónomas, aqueles que demoram ano e meio a atingir o apogeu, só neste cantinho da península ibérica porque são muito nossos e estão bem aqui ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas duas faces da mesma realidade, uma certeza deve nortear o futuro que todos queremos: só apostando no que nos distingue de tudo o resto, nos podemos afirmar com segurança de quem tem terreno firme para prosseguir em frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116846959741090867?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116846959741090867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116846959741090867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116846959741090867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116846959741090867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/01/15-desabafo-10-de-janeiro-de-2006-o.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116777999534557139</id><published>2007-01-02T23:19:00.000Z</published><updated>2007-01-02T23:36:08.600Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;14º Desabafo – 3 de Janeiro de 2007 – “Os novos ícones da Portugalidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/758971/14%3F%3F%20Desabafo%20-%203%20de%20Janeiro%20de%202007%20-%20Os%20novos%20%3F%3Fcones%20da%20Portugalidade%20Final.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/400/55623/14%3F%3F%20Desabafo%20-%203%20de%20Janeiro%20de%202007%20-%20Os%20novos%20%3F%3Fcones%20da%20Portugalidade%20Final.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Entrados em peão no ano novo, é agora altura de olharmos cá debaixo para esses 365 degraus que teremos de subir passo a passo, com renovada esperança e a vontade comum de podermos chegar ao final vivos e de saúde, felizes e a mexer. Na passagem do ano, que no fundo é apenas mais uma noite, mais uma boa desculpa para a folia, fazemos como as cobras e deitamos fora a pele antiga para deixarmos reluzir uma novinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano novo somos pessoas que queremos ser diferentes que o 2006 já cheira a mofo no fundo do armário, aconchegadinho entre as bolas de naftalina. Seja deslumbrados como o maravilhoso fogo despesista da Madeira (que em apenas 8 minutos abrasou um milhão de moedinhas amarelas de euro!), de smoking no Casino Estoril, na praia de Carcavelos ou nas ruas e praças do nosso país, todos olhamos para 2007 como uma nova oportunidade que temos de agarrar com unhas e dentes. Que assim seja de facto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para este novo ano, eu proponho uma revisão daqueles que me parecem ser os novos ícones da portugalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muitos, muitos anos, décadas até, quando Portugal olhava para o nosso Olimpo lusitano, para aqueles que eram os portugueses modelo, os semi-deuses da nação, os exemplos puros da ariana lusa, brilhavam refulgentes, de braço dado e a sorrir, Amália e Eusébio. Se ao Fado e ao Futebol somássemos Fátima, teríamos a sagrada trilogia dos efes que o avozinho Salazar nos deixou de herança. Bastava a envolvência da música, o fascínio do futebol e a fé insuplantável para manter os coraçõezinhos a bater de felicidade. Se nem só de pão vive o homem, com esta receita mirabolante, qualquer um ficava de barriga cheia mesmo se de estômago vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amália e Eusébio eram talentos natos e não pessoas como as demais. Deus deu-lhes a graça eterna que os tornou maiores que a vida e imunes à morte porque serão sempre recordados com emoção pelos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino nascido há 64 anos na então Lourenço Marques que bem cedo percebeu ter algo dentro dele que os distinguia dos outros, deixou-nos um legado que nem a maior enciclopédia do futebol jamais escrita poderia ensinar a quem de cor a soubesse, por ser impossível explicar de onde brotava a magia que os seus pés descalços desenhavam na terra batida, com uma bola de trapos a dançar por companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a fadista cujo corpo descansa agora entre os mais ilustres dos ilustres filhos de Viriato, nasceu com essa dádiva dos céus de poder um dia carregar todo um país, toda uma nação, todo um sentir na sua voz. Amália não se explica nem sequer se ouve. Amália sente-se porque ouvir Amália é saber o que é ser português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amália e Eusébio permanecem assim intocáveis e inatingíveis, como que congelados numa imunidade divina que os conservará para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário dos seus antecessores, os novos ícones da Portugalidade não nasceram heróis, fizeram-se heróis; não se limitaram a desenvolver o legado genético que traziam consigo no momento em que caíram da azinheira, tiveram de o criar, de o aprender, de trabalhar para o conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser filho de pai treinador, José Mourinho nunca deu uma para a caixa numa tentativa mais que frustrada de singrar como jogador em clubes menores. Quando o seguiu pelo seu périplo de Portalegre (cidade que diz guardar com grata emoção), já tinha percebido que não era a praticar mas a organizar e a gerir que haveria de ser grande, contradizendo a velha máxima que só grande jogador pode dar grande treinador. Mourinho não nasceu “the special one” como hoje é conhecido em terras de sua majestade mas soube, desde os seus tempos de tradutor de Robson no Sporting, que com muita dedicação haveria de chegar longe como chegou. Em Alvalade, nas Antas e em Barcelona, Mourinho aprendeu a cartilha inglesa e o que de melhor tem o futebol britânico para dar e foi em terras da Catalunha que acabou a graduação com o sumo da táctica da laranja mecânica, herdada via Cruyff, pela mão de Van Gaal. Sintetizando as duas escolas com a rodagem espertalhona adquirida Portugal fora detrás do pai, Mourinho conseguiu a fórmula mágica que o conduziu ao mais desejado trono do desporto-rei europeu e mundial, arrasando de rajada duas Premier League do mais fantástico e vibrante soccer mundial, deixando boquiabertos os seus detractores. Frontal, brigão, decidido, arrogante e convencido do seu poder, Mourinho é um caso de estudo em todo o mundo pela forma brilhante como motiva, organiza e protege os seus homens, pela maneira como encanta o mundo dos amantes da bola. Contrariando a mentalidade pequenina portuguesinha que não se afirma por ter medo da inveja alheia, Mourinho é um autêntico panzer desgovernado que destrói todo e qualquer obstáculo com uma auto-estima à prova de bala. Mourinho é bom, sabe que é bom e não teme nada nem ninguém ao afirmá-lo convictamente mesmo quando reconhece que até para o fim está preparado. Confesso que não simpatizei com ele de início, que quase lhe fiquei alérgico depois do episódio da traição de Leiria, mas hoje dou o braço a torcer perante um líder que já é uma referência pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também Sócrates não nasceu para ser Primeiro-Ministro de Portugal. Não tendo claramente a aura, o carisma, o chama de um Sá Carneiro, de um Soares, de um Cunhal, não sendo um predestinado para a política, conseguiu às suas custas, com muito trabalho, preserverança e espírito combativo, chegar a ser o número um do Governo Português. Nem o mais certeiro analista político vaticinaria que o rapazinho da província que há dez anos era apenas Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente haveria de chegar ao topo, deixando para trás os delfins do Largo do Rato que há muito esperavam que a descendência dinástica lhe fizesse cair no colo o ceptro do poder. Quem não se recorda das míticas ensaboadelas dadas por Santana Lopes quando a RTP foi mais longe que o Zandinga sem saber, ao sentar na mesa de comentadores do Telejornal de fim-de-semana, os dois futuros PM’s de Portugal? Enquanto Santana espalhava charme e clarividência, dizia o que queria com uma pinta que o fazia estar certo mesmo quando estava errado, Sócrates pestanejava, falava com ar ralhão, de olhos esbugalhados e raramente chegava onde queria. Uma coisa é dizer, outra é fazer! Santana foi o triste flop que todos sabemos. Sócrates, apesar das greves e das críticas, escolheu um caminho e corta a direito, não cedendo nem vacilando. O engenheiro criou uma máquina de marketing, não dá passo sem ter a certeza da firmeza do solo e a pouco e pouco vai construindo uma imagem de solidez que faz falta quer nós queiramos, quer não. Bebeu o melhor do padrinho Guterres, o melhor de Soares e criou um modelo ainda em fase de aperfeiçoamento. Certo, sereno, sem fazer concessões seja a quem for que apanha pela frente sejam professores, funcionários públicos ou o próprio Alberto João, príncipe das Madeiras, Sócrates governa o país e o partido com uma mão de ferro que pode ser discutível, é certo, mas é necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Uma nota para o meu partido: às vezes a melhor oposição, é saber esperar!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mourinho e Sócrates não nasceram grandes. Trabalharam e aprenderam para o serem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua lição poder ser um estímulo e um incentivo para todos aqueles que queiram extrair das suas curtas mas profícuas histórias de vida, o melhor que têm para dar. Porque se olhando para o Pantera Negra ou para a Rainha do Fado, ninguém aprendia a marcar penáltis ou a trinar, admirando os novos ícones da Portugalidade, teremos todos a certeza que com esforço e abnegação, qualquer um de nós pode chegar mais alto e ascender onde nunca esperou estar um dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116777999534557139?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116777999534557139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116777999534557139' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116777999534557139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116777999534557139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2007/01/14-desabafo-3-de-janeiro-de-2007-os.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116717119030296207</id><published>2006-12-26T22:12:00.000Z</published><updated>2006-12-27T16:49:35.573Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;13º Desabafo – 27 de Dezembro de 2006 – “Rescaldo Natalício”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/854321/13??"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 219px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/674820/13%3F%3F%20Desabafo%20-%2027%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20Rescaldo%20Natal%3F%3Fcio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Provando mais uma vez que o que o que é bom acaba depressa, lá se foi mais um Natal que como sempre, custou mais a chegar do que a abalar. De renas estacionadas na garagem do Pólo Norte, o nosso velhinho de vermelho já deve ter as barbas de molho, resfolgando na enorme poltrona junto à lareira, gozando entre os duendes o merecido descanso depois de dias tão atribulados para uma pessoa da sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós por cá, vivemos este curioso período que vai entre a quadra natalícia propriamente dita e a noite em que arrumamos na gaveta o ano velho e damos as boas vindos a um fresquinho, acabadinho de estrear. Meio mundo aproveita agora para gozar aquele restinho de férias que guardou no fundo do saco o ano inteiro, e os outros que supostamente deveriam estar a trabalhar, estão mas é já a ver-se de copo de champanhe na mão, dançando embalados pelas doze badaladas, pelo glamour do fogo de artifício e pela fantasia de uma noite especial em que nos sentimos todos mais blasés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste espaço de tréguas e desintoxicação a que chamaria de “Advento do Ano Novo”, aproveitemos pois para recuperar os índices normais de vivência e para fazer uma análise do ano que passou. Eu, por exemplo, aproveito para deixar dois ou três pequenos desabafos sobre esta quadra que passou e que gostaria de partilhar convosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Os actuais fabricantes de brinquedos não gostam de crianças. Eu já suspeitava, mas este ano tirei completamente as dúvidas que me restavam. Antigamente, quem tinha o dom de construir brinquedos eram pessoas especiais que, tal como o Peter Pan, nunca perdiam aquela capacidade extraordinária de sonhar acordados que é tão própria das crianças. Eram pessoas divinamente dotadas que depositavam em cada peça que faziam, um amor que chegava por tabela ao feliz petiz que a recebia. Lembram-se da história do Pinóquio e do seu fabricante Gepeto, a quem o próprio chamava de pai? Dantes, os fabricantes de brinquedos eram assim. Agora, só pensam neles e no dinheiro que ganham, trabalham não para fazer os meninos e as meninas felizes, mas para engrossarem as chorudas contas bancárias e para aumentarem os impérios. Vejam se não concordam comigo: em primeiro lugar, começam por bombardear as manhãs dos nossos filhos, quase sem darmos por isso e logo que entra o Outono, com blocos maciços de publicidade que deixam os seus pequenos cérebros atordoados de desejo. A injecção de vontade que lhe espetam nos rabitos é de tal ordem, que em vez de tirar, dá uma terrível febre consumista que os deixa completamente desorientados, sem saber para onde se virar. Ao ponto de a minha me ter dito que “o Pai Natal enganou-se nas minhas prendas e não me trouxe nada daquilo que eu queria”. Quando confrontada por mim se as prendas que tinha recebido, uma a uma, não tinham sido por ela pedidas, pelo menos uma vez, respondeu-me que sim. Mas que queria também “a boneca não sei quantos, o carrinho para não sei quê, os autocolantes para colar não sei onde” e terminou a extensa lista com esta jóia: “e também não me deu muitos bonecos que eu queria e que agora não me consigo lembrar quais são”. Ai filha, tu agora não percebes, mas estás perdoada.&lt;br /&gt;A principal razão que me leva a ser porta-voz desta cruzada contra esses infiéis fabricantes de brinquedos é o mistério das pilhas. Sim, a mítica questão das pilhas que só quem nunca foi pai não sabe do que vos falo. Esses infames construtores, nunca assistiram certamente à abertura, em plena noite de Natal, dos pacotes que fabricam em série mas a coisa até é fácil de explicar: os paizinhos trazem a prenda (se não houver quem se vista de Pai Natal…) e a criança destrói em fracções de segundos o frágil embrulho. Ao dar de caras com o presente, grita de alegria e abraça agradecida por ser “aquilo que sempre queria”. De seguida, vira-se para o pai e diz: “monta!”. E o pai que pode nem ser grande amante da bricolage, tem mesmo de meter mãos à obra e fazer de linha de montagem porque à mínima nega, é choro certo. Sob o olhar curioso e austero do descendente, dá voltas e voltas à caixa e às instruções, vira e revira, sua e inspecciona e quando finalmente tem tudo pronto, novo a estrear, faltam… as pilhas. As pilhas senhores! que são sempre do modelo e do tamanho que nós não temos, que nós já acabámos, que nós não sabíamos que existia. Furibundos, capazes de enforcar o Senhor Mattel ou o Senhor Famosa, temos de engolir em seco e reduzir-nos à nossa triste condição plebeia, com vontade de acompanhar os mais pequenos no seu lamento. Sei que a probabilidade de esses senhores estarem agora a ouvir-me é praticamente nula mais ainda assim, fica o registo para que saibam, estejam lá onde estiverem: para a próxima, vejam lá se metem as pilhas adequadas mesmo que o brinquedo custe mais um ou dois euros e não importa que sejam muito manhosas e aguentem apenas uma noite. Assim, sempre dá tempo para no dia seguinte irmos seja lá onde for preciso para arranjar as devidas recargas. A mim, nunca mais me enganam e no ano que vem, hei-de comprar um expositor da Duracell daqueles inteirinhos mesmo que abrase o subsídio de Natal todinho e que a minha casa tenha tanta electricidade que se torne radioactiva, ao ponto de nem precisar das luzinhas no telhado para brilhar na noite de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Quanto à questão ambiental, tenho que pedir desculpa mas para mim os ecologistas sempre foram uma espécie de talibans só que em vez do Maomé, têm a natureza. Acho-os sempre muito facciosos, muito redutores, muito fundamentalistas, muito controladores, muito sem razão apesar de saber que a têm toda. Não sei porquê, mas dei comigo a pensar que deve ser terrível estar casado com uma ecologista daquelas ferrenhas, sempre detrás de nós, a desligar-nos a torneira da água quando lavamos os dentes, a obrigar-nos a longos serões de conversa à luz de vela para não gastarmos electricidade, a obrigar-nos a comprar o tal carro amigo do ambiente em vez do que nós gostamos, a utilizar roupa que respeita o não sei quê, a cumprir mil e uma regras ambientais capazes de levar à loucura o militar que há em nós. Tudo isto apesar de ser um primeiros sócios da maior associação ambiental portuguesa, a Quercus, facto que se deveu mais a uma feliz coincidência do destino que me levou a privar em tempos com um dos fundadores, do que a qualquer outro fervor proteccionista. A forma ferrenha como vivem faz-me um bocadinho de impressão mas tenho notado em mim, gradualmente, um aumento do respeito por certas e determinadas medidas que a nós não nos custam quase nada e que podem ser decisivas para o futuro do planeta. Aquela conversa da terra que vamos deixar para os nossos filhos e os nossos netos, o legado para as gerações vindouras, deixa-me sempre a tremer de remorsos. Vem tudo isto a propósito dos montes de lixo colocado indiscriminadamente junto dos contentores nesta época natalícia, da oportuna transmissão na SIC do filme “O dia depois de amanhã” no qual um abrupto aquecimento global mergulha o planeta numa súbita segunda Idade do Gelo, e da nomeação de Al Gore, mais conhecido por ter sido o braço direito de Clinton, por ter sido o Presidente dos EUA que os poderosos Bush roubaram e nunca o chegou a ser de facto, como a figura internacional do ano de 2006 para inúmeras publicações de referência de todo o mundo, pela oportunidade do seu documentário “Uma verdade inconveniente” onde alerta para a necessidade de zelarmos cada vez mais e melhor pelo nosso planeta, gravemente enfermo, vítima de inúmeras atentados e do desmazelo geral. Reparei em algumas entrevistas de rua que passaram nos noticiários deste dias, nos jovens petizes que brincavam ou passeavam à beira-rio na capital, desfrutando pela primeira vez dos seus presentes, que confessaram que isso de separar o papel e o cartão, do plástico e do resto do lixo diverso era coisa de ficção científica e portanto, sem aplicação nos seus domicílios. É pena porque com um pouco de esforço de cada um, se todos nós fizermos o que está ao nosso alcance, muito pode representar para o nosso ambiente. Experimentem que vão ver que se sentem bem melhor ajudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Sem me querer armar em Professor Marcelo da província, deixo uma última nota para a programação televisiva no Natal em que se destacou de longe, a 2:, que será sempre o segundo canal, cada vez mais excelente e oportuno com belíssimos espectáculos de circo para todas as idades, grandiosos documentários, supremos espectáculos e uma rica programação bem adequada à época, brilhando como um diamante na lama sobre o lixo geral que reina nos seus congéneres, elevando-se acima de tenebrosas Floribellas, Morangos, Fugitivas, concursos manhosos de canto e dança, imediatismo e mediocridade. Que bom é às vezes ser-se diferente!&lt;br /&gt;Um abraço a todos e até 2007! Que tenham um Feliz Ano Novo com tudo o que mais desejam!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116717119030296207?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116717119030296207/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116717119030296207' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116717119030296207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116717119030296207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/12/13-desabafo-27-de-dezembro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116655349230673074</id><published>2006-12-19T18:37:00.000Z</published><updated>2006-12-19T18:46:57.133Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;12º Desabafo – 20 de Dezembro de 2006 – “Saber agradecer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/502811/12%3F%3F%20Desabafo%20-%2020%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20Saber%20agradecer1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/841163/12%3F%3F%20Desabafo%20-%2020%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20Saber%20agradecer1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;                                                                             &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Pôr-do-sol em Marvão, em 13 de Dezembro, captado por mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Perdoem-me os ouvintes mas discordo completamente de quem diz que o dinheiro não traz felicidade. Discordo em absoluto porque para mim, o dinheiro pode mesmo dar muita alegria. Para além dos inúmeros bens materiais, dos últimos gritos da tecnologia ao mais banal dos bens comuns, o dinheiro permite-nos viajar, ter prazeres mirabolantes, concretizar os sonhos de quem amamos e até pode dar saúde, o mais supremo e precioso de todos os bens. Duvidam? Não o farão certamente aqueles que por falta de posses se vêm arrastados para as listas de espera e intermináveis corredores de hospitais, aqueles que por falta do vil metal, podem ouvir falar mas nunca entrar no tal programa ou clínica privada que lhes resolveria em horas o que pode levar infindáveis anos a concretizar. Com o dinheiro e os avanços da ciência e medicina, até o feio pode virar bonito com uns bonitos seios a estrear, o jeitinho no lábio, o retoque no nariz, a aspiração das gorduras abdominais ou a moldagem de uma bundinha bem ao melhor estilo Copacabana. Rio-me por dentro quando ouço a lapidar constatação “se me saísse o totoloto, nem sabia o que fazer com tanto dinheiro”. Pois comigo como consultor, era um abrir e fechar de olhos! Tanta coisa boa à nossa espera…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tendo pais endireinhados, nem tendo nascido numa família abastada, aprendi a dar valor ao dinheiro e sei bem o que significa não o ter. Quando construí a minha casa, com exclusividade de recurso a capitais externos, digo entidades bancárias, esforcei-me para fazer tudo pelo melhor. Tive a sorte de ter um construtor meu amigo que bastante me ajudou e me perguntava de vez em quando, “queres o material normal ou um bocadinho melhor? A gente acerta contas no fim!” Eu pensava, “casa há só uma, mais vale que seja tudo em condições para que não tenha que andar com remendos daqui a amanhã” e alinhava. Na noite da reunião final de contas, já feliz residente da nova construção, soube o total do acerto, mais que justificado em inúmeras e longas tirinhas de papel. Tanto daqui, mais um pouco dali, uns pozinhos dacolá e dois mil e muitos contos em moeda antiga que me deixaram praticamente da penúria. O pior de tudo é que havia um resto de parte para a mobília da sala de jantar com que a minha mulher sonhava há muito e até esse foi na enxurrada. Ela bem perguntava “então? Dá prá sala?” “Para a sala? Nem para uma cadeira, quanto mais…” Não fui capaz de deixar de me sentir culpado e essa ficou sempre atravessada na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sempre, isto é, até ao passado fim-de-semana, quando se rescreveu a história da chegada da abençoada mobília. Tem mesa maciça e comprida para que caibam todos os comensais, bem à maneira como sempre quis. No sábado, acabada de descarregar, sentei-me sozinho nela e a olhar para ela, qual anfitrião imaginário de um jantar por acontecer e dei por mim a agradecer, em silêncio. A agradecer por ter acontecido, a agradecer por ser verdade. Na verdade, dei por mim a falar sozinho, acho que dei por mim a rezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa entrevista do excelente suplemento 6ª, do Diário de Notícias, reencontro em entrevista um dos meus heróis de adolescência, um daqueles que eu segui e li sofregamente, dos que sempre acompanhei na sua meteórica carreira literária e jornalística, desde os tempos áureos do Independente, através da revista K e livros fora: o Miguel Esteves Cardoso. Mais valia que não o tivesse feito. Bastante amolgado por uma existência errática intoxicada por excessos, bastante mais pesado e perdido, parece agora a anos-luz do jovem prodígio que aprendi a admirar. De pensamento confuso e algo atabalhoado, confessa-se e redime-se em conversa mas para quem o conhece como eu, sem nunca o ter conhecido pessoalmente, está mais próximo do esquecimento do que dos tempos áureos da ribalta. Não há ninguém que resista a 80 cigarrilhas e 3 garrafas de vodka por dia. São escolhas e temos que respeitar, mas custou-me muito vê-lo assim. Como o que é brilhante nunca se deixa apagar, a páginas tantas, no meio da conversa, deixa escapar uma pérola: “a humildade absoluta é a gratidão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a mastigar esta e a pensar no que me tinha acontecido com a história da mobília que a muitos se calhar nada diz mas que me parece um bom intróito para uma reflexão um pouco mais profunda: ser-se grato pelo que se tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O César era o nosso Pélé. Não havia em todo o concelho rapaz com tamanha força de remate. Nos torneios infantis inter-freguesias era estrela fulgurante. Rápido, ágil e veloz, fazia de nós bonecos de mesa de matraquilhos enquanto encantava os pelados com o perfume do seu futebol. “Vai longe”, comentavam os velhos. “Que pena não ter nascido na Beirã” suspirávamos nós os pequenos, sabendo que a naturalidade na nossa freguesia nos garantia o reforço ideal para toda a vida. Ia longe… mas não foi. Numa noite maldita, haveria de o gelo ou a estrada ou sabe-se lá o quê, de o empurrar para a cadeira motorizada onde ainda hoje vive. Contagia com a sua simpatia e boa disposição quando avista um velho e a conversa cai sempre para o nosso glorioso, não é César?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado reencontrei o Henrique. Embora nunca tenha pertencido à minha lista de amigos íntimos, sempre simpatizei com ele. Sendo uns anos mais velho e autor de proezas míticas e de diabruras diversas no ciclo de Castelo de Vide, sempre despertou em mim uma empatia natural. De curso terminado e carreira promissora, haveria de num fatídico acidente, numa manhã de casamento de amigos, ser atirado para uma cadeira de rodas, num calvário interminável, ao qual resiste com enorme tenacidade. Correndo dentro de si para ir vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé Manel era bem mais velho mas também forte elemento da família benfiquista, porque é inevitável: quem gosta de futebol e ama o Benfica, tem sempre tema de conversa. O Zé Manel fez carreira na tropa. Era do tempo em que a peluda era obrigatória, havia esperança nessa carreira e ele nela acreditou durante muitos anos até que uma remodelação o enviou directamente para o olho da rua. Cá fora, sem ser capaz de ficar parado, adaptou-se ao mercado e encaixou-se numa empresa de sucesso do ramo das desinfecções, onde se esforçava para ser feliz. Gostava muito do seu porto e do seu Marlboro. Nesse aspecto, era um apreciador refinado. As fortes dores de cabeça foram mau prenúncio e nem as operações a esse pretenso aneurisma o safaram da sorte pior que lhe saíu ao caminho. A doença levou-o em meses. Lembro a última conversa na rua e da esperança das suas palavras. Ainda guardo o último e-mail que me enviou, sempre num estilo bem disposto. Dizia que mos enviava para desanuviar da pressão da câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O João Paulo também foi militar. Não tinha grande patente mas o amor por aquela vida saia-lhe por todos os poros. Em noites de rampolia nas festas da aldeia, não havia serão em que não nos metesse todos a marchar, para galhofa geral. Sempre bem disposto, era o número um do comboio da Beira-Baixa, quando este apinhadinho, nas noites de domingo, nos apanhava em Abrantes e descia até Lisboa cheio de magalas, trabalhadores e estudantes como eu. Foi lá que o vi brilhar, a abrir as minis nos vidros com destreza que a todos deixava boquiabertos. Sempre de anedota pronta e piada fresca, era a alma daquele comboio. Quem não conhecia o Cabo Pereira não era deste mundo! Não se tendo adaptado ao mundo cá de fora, tinha agora uma hortita bem cuidada onde se entretinha e da qual ofertava os seus amigos com belas couve s e melhores alfaces. Uma meningite súbita atirou-o há dias para uma cama do hospital onde ainda hoje luta, frágil. O mau diagnóstico feito no nosso hospital distrital que o encaminhou para a psiquiatria, certamente nada ajudou mas também de nada ajuda agora olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o meu querido Bernardo, o meu velharasco, luta hoje com todas as suas forças  e com uma fé que a todos anima e comove para levar em frente a sua saúde, o seu negócio e sobretudo a sua família e o seu filhote. Hás-de conseguir se Deus quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí vem a história de gratidão, quando metemos bem fundo a mão na consciência e pensamos em tantas noites, tantas situações, tantos momentos  em que em vez de eles, podíamos ser nós os protagonistas. Porque foram eles e não outros, haveremos de saber um dia, porque eu, como bom português, acredito no destino e num plano qualquer global que nos rege. Muitas das vezes, há que deixar andar, não nos restando mais que ir vivendo cada dia de cada vez, agradecidos e reconhecidos pela oportunidade única de cá estarmos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116655349230673074?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116655349230673074/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116655349230673074' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116655349230673074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116655349230673074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/12/12-desabafo-20-de-dezembro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116592130400191464</id><published>2006-12-12T11:01:00.000Z</published><updated>2006-12-12T11:05:53.250Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;11º Desabafo - 13 de Dezembro de 2006 – É Natal…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/760738/11%3F%3F%20Desabafo%20-%2013%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20%3F%3F%20Natal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/378531/11%3F%3F%20Desabafo%20-%2013%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20%3F%3F%20Natal.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Já que tem mesmo de ser e antes que seja mais difícil, antes que o tempo avance e nos apanhe a todos já bem imbuídos desse espírito que agora todos falam: cá vai a crónica do Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, nenhuma outra altura do ano personifica tão bem a palavra agridoce, aquela que ao mesmo tempo tem um travo amargo e adocicado, a que é capaz de encerrar em si o veneno e o seu miraculoso antídoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Natal roubaram-mo quando tinha apenas sete anos e um trágico e infeliz golpe do destino se aproveitou para levar a vida de um tio, com quem convivia diariamente desde sempre, no preciso dia em que se comemorava o nascimento do menino. Curiosamente chamava-se Lázaro, mas este, ao contrário do seu homónimo no relato bíblico, jamais voltou pelo seu pé ao mundo dos vivos. Eu sei que muitos de nós cometemos vezes de mais o erro de considerar que as crianças não percebem, não prestam atenção, não captam aquilo que por vezes lhe queremos esconder. Pois esse é o meu bom exemplo do contrário. Apesar de ter então tão poucos anos, e apesar ainda de já tantos terem passado, sei que consigo ainda hoje (sem recurso a qualquer tipo de transe ou manigância esotérica) reconstituir quase ao detalhe, a força demolidora do desnorte e da dor que se seguiu à notícia que chegou por telefone, minutos antes de partirmos para mais uma visita no então Sanatório de Portalegre. Lembro-me dos rostos incrédulos, do choro, da desorientação e de mim, perdido no meio de todo aquele corredor de aflição, olhando para todos à procura de um refúgio, de um porto seguro onde me pudesse abrigar dessa violenta tempestade de afectos que eu nunca antes tinha experimentado. Na noite anterior, já em silêncio e de televisão desligada propositadamente por respeito à fragilidade da situação, escondi-me do mundo num livro de detectives e mistérios chamado “Fantasmas da meia-noite à uma”. Nunca mais o vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, o Natal dissipou-se, esfumou-se, passou a ser coisa dos outros. E eu, que gostava tanto de subir às rochas para lhe roubar o musgo ainda húmido do orvalho gelado das madrugadas frias de Dezembro; eu que contava os dias para acompanhar o meu pai nessas expedições mato adentro, de machadinha na mão, em busca do pinheiro perfeito; eu que não podia esperar mais pelo dia em que finalmente resgatávamos da despensa a caixa velha de papelão onde hibernavam as figuras do presépio; eu que tanto me divertia a inventar rios das pratas velhas dos chocolates; eu que sabia tão bem como colocar estrategicamente o pastor que ficara maneta num acidente dum Natal anterior, de forma a não se ver a falta da mãozita de loiça… eu, de repente… fiquei sem Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca mais me saiu de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconquistei-o já depois de casar, na casita de Marvão, quando fizemos pela primeira vez a NOSSA árvore de Natal e a ficamos a admirar, agarradinhos, emocionados no escuro da noite, a ver as luzinhas todas a dançar à nossa volta, com um “jingle bells” de instrumental manhoso a sair titubeante da caixinha de música da loja dos 300 (nessa altura ainda não havia a dos chineses!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a chegada da filhota, o Natal potenciou-se ao expoente máximo e atingiu a sua plenitude mágica. Cresceu e ficou imponente… Iluminou-se e chega agora a todo o mundo como nos reclames da Coca-Cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Natal é a festa da família. No Natal juntamo-nos todos à mesma mesa, comemos demais, bebemos a mais, falamos muito a mais e isso é bom. No Natal fazemos loucuras. No Natal, o país pára, os políticos dão tréguas aos seus pares, os centros comerciais enchem-se e as carteiras esvaziam-se. No Natal, os talões dos multibancos e os saldos dos cartões de crédito não desaparecem mas trazem sempre um sinal de menos antes dos números. Chamem-me o que quiserem, mas eu acredito no Natal. Sim, eu sei, mas acredito! Pode ser dos filmes, pode ser uma banha da cobra qualquer que me venderam mas eu comprei e gosto dela. Há a tal coisa no ar, as caras parecem diferentes, as pessoas ficam mais amigas. No Natal há as azevias, os bolos-reis, as figuritas espanholas de maçapão, o torrão de chocolate e Alicante, as lareiras, as meias nas chaminés, a roupa nova e os perfumes, a alegria louca das crianças em luta com os embrulhos coloridos à procura do seu recheio, muitos doces, o tal concerto do Plácido Domingo, do Carreras e do Pavarotti (e não, não é o burro da Júlio Pinheiro, é o outro, o italiano, o gordito de barbas) pela milésima vez na televisão. No Natal revemos os filmes, os discos e as músicas de Natal que revisitamos com gosto todos os anos e que já fazem parte de nós. Neste Natal, eu vi o brilho de milhares de luzes da árvore que se diz mais alta da Europa, no reflexo dos olhos encantados da minha filha. No Natal vamos à missa do galo dar um beijinho na perninha do menino Jesus e aquecemo-nos no lume junto à porta da Igreja, antes de virmos para casa quentinhos por dentro e por fora. Junto a esse lume, cujos madeiros antes eram recolhidos por novos e velhos em camionetas emprestadas e hoje são apanhados pelos funcionários das Juntas de Freguesia, juntam-se depois os jovens solteiros madrugada dentro, num convívio que já é tradição, e assam chouriços e cacholeiras regadas com vinho e outras mistelas até ao romper de aurora. No outro dia, horas depois, à mesa do almoço do dia de Natal, esses jovens parecem zombies acabadinhos de desenterrar, enjoados e com grandes olheiras, mas os outros adultos não se zangam com eles porque é Natal. No Natal somos todos pessoas melhores porque queremos ser pessoas melhores e prontos, já está!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o Natal é uma festa de família, no Natal lembramos também aqueles que não a têm, aqueles que não têm Natal porque não podem. Os que trabalham nessa noite, os que não têm dinheiro para o ter, os que sofrem, os que estão doentes, os que vivem nas ruas que os outros pisam apenas, os que são marginalizados, aqueles que não usam isso do Natal, os que estão vacinados contra o Natal, aqueles para quem o dia 25 de Dezembro em nada difere do 25 de Março ou do 25 de Agosto. É um 25 igual a tantos outros. Para esses o Natal não existe. No Natal, lembramos aqueles a quem nunca mais vamos poder ver neste mundo. Lembramos aqueles que nunca mais vamos poder abraçar, beijar, cheirar, tocar ou dizer: amo-te tanto. No Natal apercebemo-nos que há muita coisa que nos falta, que somos seres imperfeitos, que a felicidade é intangível e que no fundo, a nossa grande missão não é viver… é sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que o Natal é um pau de dois bicos. É por isso que temos de desconfiar só um bocadinho dele. O Natal é uma moeda: tem duas caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a verdade do Natal está naquela história tão linda e tantas vezes contada do carpinteiro da Nazaré, província da Galileia, hoje norte da Palestina, da sua mulher e do seu rebento que segundo as sagradas escrituras, nasceu pobrezinho numa gruta fria onde só o bafo dos animais o podia aquecer, para nos salvar. Sendo ele a figura mais importante da história, aquele que marcou para sempre uma viragem completa no curso dos tempos vindouros, sendo o próprio filho de Deus e o Salvador, poderia ter à sua mercê palácios e terras, as maiores mordomias e riquezas que o mundo tinha para dar. Preferiu antes dar uma tremenda lição de humanismo e humildade, ao escolher entrar no mundo como o mais comum dos comuns dos mortais. As voltas que o nosso mundo dá: hoje, o Vaticano, a sede da Igreja Apostólica Romana, é um estado independente cuja economia é baseada na captação de donativos das comunidades eclesiais pertencentes à Igreja no mundo inteiro; não havendo outro lugar à superfície da terra com tanto valor artístico e intelectual concentrado como o Arquivo Secreto do Vaticano, a Biblioteca Apostólica Vaticana, e os acervos de arte (pintura, escultura e arte sacra) das igrejas romanas. Só o palácio onde reside o &lt;/span&gt;&lt;a title="Papa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Papa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; tem cinco mil quartos, duzentas salas de espera, vinte e dois pátios, cem gabinetes de leitura, trezentas casas de banho e dezenas de outras dependências destinadas a recepções diplomáticas. Com isto digo tudo e tudo o que demais dissesse seria demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é Natal e no Natal a gente pede o que quer, o que eu gostava era que o dinheiro, o ouro e demais valores incalculáveis que dormem nesses cofres de Roma, fizessem como a água no seu ciclo e se evaporassem, se condensassem no céu lá bem alto e chovessem ininterruptamente em África e em todos os sítios do mundo onde fazem tanta falta e seriam tão bem aplicados. Pode parecer naif e corriqueiro mas quando se pede, pede-se o que se quer e como agora é Natal, é isto que eu quero: que essa massa se aplicasse na erradicação da fome, na pesquisa e investigação de vacinas para as doenças e problemas que afligem o mundo, que fosse usado para dirimir o sofrimento e aproximar a humanidade, que nesta altura e por culpa do Natal, se apercebe de como é efémera, de como é falível e de que o mais importante mesmo, é ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito obrigado pela vossa atenção e já agora: Feliz Natal!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116592130400191464?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116592130400191464/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116592130400191464' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116592130400191464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116592130400191464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/12/11-desabafo-13-de-dezembro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116541346548608159</id><published>2006-12-06T13:57:00.000Z</published><updated>2006-12-06T14:03:07.196Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;10º Desabafo – 6 de Dezembro de 2006 – Fracções do interior&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/1600/862636/10%3F%3F%20Desabafo%20-%206%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20Frac%3F%3F%3F%3Fes%20do%20interior.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4875/3985/320/159371/10%3F%3F%20Desabafo%20-%206%20de%20Dezembro%20de%202006%20-%20Frac%3F%3F%3F%3Fes%20do%20interior.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pois é, meus amigos… por mais que nos custe, temos mesmo de nos render à evidência e reconhecer que para os nossos governantes já não somos o Chico ou o Manel, o Asdrúbal ou a Delfina; para os nossos governantes somos… números e daí não passaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles somos tendências, colunas, linhas e flutuações num mar imenso de estatísticas. Vimos assim a nossa errática existência reduzida à condição de algarismo. Esvaziados de alma, memória e autonomia, corremos o risco de um momento para o outro nos transformarmos num dígito e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os senhores bem nos explicam, gesticulam e argumentam que contra factos não há argumentos. Contra os números, nada a fazer. Os números nunca mentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencidos de que esta lógica aritmética é o caminho para a salvação, certos de que os automatismos serão a chave do sucesso, esquecem-se de tudo o resto, esquecem-se do mais importante, daquilo que nos faz tão diferentes de tudo resto, de tudo o que a terra carrega com custo à sua superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisto assim atónito ao desmembramento de estruturas que aprendi desde sempre a considerar para toda a vida. Enfeitiçados pelo fascínio dos números, os governantes matam a pouco e pouco o interior e com ele o país. Caminhando como sonâmbulos para o abismo, quais ratitos detrás do flautista de Hammelin, embevecidos pela magia desta álgebra maléfica alegam que o que não rende, não justifica e o que não justifica, fecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de corrigir simetrias, de dar incentivos, de fomentar o repovoamento, chamemos-lhe assim, das terras do interior, assistem impávidos e serenos a esta absurda migração que há-de matar de enfarto as já mais que enfartadas metrópoles lusitanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de planear, repensar, distribuir o tecido humano pelo nosso território de uma forma equilibrada e equitativa, lavam as mãos como Pilatos perante a multidão, assobiam e olham para o lado, fingem que não nos ouvem, que não nos vêem, que não existimos. Os números às vezes não falam. Às vezes não dizem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim está Portugal: tombado, caído para o litoral norte, litoral centro, litoral sul, como se nada mais houvesse que o mar, como o alterofilista do filme que só exercitava a parte direita do corpo. Disforme. Assim está o nosso país, que qualquer dia de tão debruçado, há-de cair borda fora e deixar-se levar pelas correntes profundas, oceano adentro, para desaparecer para sempre nas fossas abissais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveriam aprender com os colonos idos da velha Europa, de há dois séculos atrás que na urgência de povoar as terras áridas do novo Continente, deram propriedades e ouro e demais regalias nunca antes vistas, para motivar e empurrar os recém chegados para esses territórios inóspitos defendidos até à morte pelos peles-vermelhas autóctones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecem-se as terras de dentro e deixa-se o flanco exposto à cobiça castelhana. Fossem outros os tempos e era vê-los entrar a toda a força, para tomar o que os nossos desperdiçaram aos abutres.&lt;br /&gt;Bem sei que durante o século passado, assistimos a essa migração quase óbvia das classes desfavorecidas do interior em busca do sonho da cidade, onde as mordomias do mundo moderno estavam mesmo à mão de semear. Num país pobre, analfabeto, cerceado pelo regime, com uma ruralidade agreste a fervilhar nas entranhas, o sonho da urbe era simultaneamente a esperança e a redenção. Compreende-se. O que não percebo é esta migração massiva actual para aquilo que ninguém quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acaba por ser um contrasenso. Quem não está lá está deserto de para lá ir. Quem lá está não vê a hora de sair quanto antes. Porque não podem. As filas intermináveis, a pressão do dia-a-dia, o viver incaracterístico, a poluição, a insegurança, tudo o que é mau e incomoda. Mas vão e ficam. E no meu interior, é vê-los partir de armas e bagagens e qualquer dia, nada restará senão aquilo que existia antes do homem chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecham as escolas. Não há meninos. O senhor da Associação de pais queixa-se que cada sala merece um professor. É o desejável. Concordo. O representante do Governo é que não. Porquê? Se o número de alunos não é suficiente, o professor tem de dar para mais de uma turma. Estica-se! A lógica do número!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O posto da GNR deixa de estar aberto de dia e de noite, os militares concentram-se num único posto na sede de concelho. Mas porquê se não era assim? Porque o número de habitantes não justifica tanto militar de vigia. Assim, os que há, circulam  no jipe e o serviço acaba por ser o mesmo. A lógica? Do número!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque razão há-de o médico espanhol que mora aqui ao lado, que já está ambientado com a população, que já está integrado na comunidade, ter de se ir embora para longe, para um concelho mais longínquo quando tudo parecia correr tão bem? Não sei ao certo, mas desconfio que a lógica do número há-de estar por detrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E perto está o dia em que os comboios de passageiros deixarão de circular no Ramal de Cáceres. Mas como, meu Deus? se ainda há bem poucos anos, me lembro de ver aquela gare que mais parecia um terminal de aeroporto de uma capital qualquer, a transbordar de turistas de todas as cores, credos e tamanhos, a saírem aos magotes do TERE em direcção à Alfândega. Como? É simples, o número de passageiros não justifica. O dinheiro não compensa. O governo, via REFER, fecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo último e acabado desta desacreditação, desta derrota moral, deste reconhecer que não há nada a fazer, tive-o recentemente nos Correios. Quando era miúdo, habituei-me a respeitar aquela instituição. Quando se entrava no edifício velho detrás da estação, o cheiro do papel, da tinta fresca dos carimbos e o imponente balcão de madeira escura mais alto que eu, mantinham o devido respeito. Ali naquela casa, penteadinho, caladinho e direitinho. Grande conquista aquela a de chegar a ser amigo do funcionário, na altura o Sr. Salpico, com quem permutava religiosamente os livros de banda desenhada do Astérix e do Lucky Luke. Era amigo e eu fazia gala disso. Ali o negócio era sério, mandavam-se as cartas para todo o lado, pagavam-se as reformas, saldavam-se as contas, fazia-se de tudo um pouco do que era importante. Os carteiros tinham bonés e grandes malas de cabedal cheias de folhas carregadas de sentimentos, saudades e mil e uma coisas. O que faziam, faziam bem e acima de tudo, a tempo e horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, os correios da minha terra estão amputados. Fugiram das casas onde viviam e refugiaram-se nas Juntas de Freguesia. Quem lá trabalha não é o funcionário de toda a vida mas sim alguém que está lá hoje e pode muito bem não estar amanhã. Os carteiros que andam nas ruas são os de sempre, mas andam meio atordoados com esta nova política da sua empresa e não sabem bem o que há-de ser deles. Os Correios estão feridos de morte. Na semana passada, a minha Leonor não parava com a excitação do quinto aniversário que se aproximava a passos largos. Perdida na azáfama da distribuição dos convites, lembrou-se de enviar um à primita Maria que vive em Portalegre, cumprindo a tradição romanesca do envio via CTT. A mãe, confiante na eficiência de outros tempos, não jogou pelo seguro do correio azul. Passou-se a segunda, a terça, a quarta, a quinta, a sexta e se não fosse o telefone, a pobre tinha mesmo perdido a festa. A mais pequena, gritava do alto dos rebeldes 3 anitos, que a culpa foi do carteiro. Pois é, quem dá a cara é que paga, mesmo quando não tem a culpa. A este episódio teríamos de juntar as cartas que demoram semanas a chegar a um destino que está quilómetros aqui ao lado. E a nível nacional é ver as notícias de pilhas e pilhas de correspondência a apodrecer em contentores, vítima da insensatez da política da administração. Estes são bons para ir buscar a morte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hão-de ser os números a matar as carreiras da Rodoviária.&lt;br /&gt;Hão-de ser os números a matar as sucursais das seguradoras.&lt;br /&gt;Hão-de ser os números a matar as agências bancárias.&lt;br /&gt;Não há aqui pessoas que justifiquem e a maldita injecção de gente nunca mais há-de chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu ousei desafiar está lógica da batata e oxalá que como eu muitos. Eu orgulho-me de me ter borrifado para a cidade grande e de ter saltado sem rede para a minha terra. Que se amole a carreira, o ordenado mais alto, a promoção tão desejada. Eu fui, vi e voltei para os meus e para onde me sinto verdadeiramente bem. Fiz como os elefantes que andam quilómetros savana dentro para descansarem naquele lugar único que é o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó muito eu me engano ou ainda há-de vir o dia em que teremos todos de nos armar em pequenos Viriatos e fazer algo mais para inverter esta obstinada tendência de desertificação. Parece-me que a coisa só se resolverá à boa maneira portuguesa, de cacete e forquilha na mão. Cá estaremos para ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116541346548608159?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116541346548608159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116541346548608159' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116541346548608159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116541346548608159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/12/10-desabafo-6-de-dezembro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116473489824782810</id><published>2006-11-28T17:23:00.000Z</published><updated>2006-11-29T12:27:18.503Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;9º Desabafo - 29.11.2006 - Fugir ou não fugir... eis a questão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/9??"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/9%3F%3F%20Desabafo%20-%2029.11.2006%20-%20Fugir%20ou%20n%3F%3Fo%20fugir...%20eis%20a%20quest%3F%3Fo%21.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tenho com o Benfica uma profunda relação de adoração que transcende todas as barreiras do lógico e do admissível. Grito, esperneio, sofro caladinho, exulto de alegria! Eu sei que é muitas vezes irracional, inexplicável, indecifrável mas é também uma ligação genuína e de entrega absoluta. Sendo nascido numa família de lagartos, apaixonei-me ainda em criança pelos caracóis negros do Chalana e do Humberto Coelho, pela farta peruca do Pietra e pelos bigodes do Veloso e do Bento, sempre irredutível, seguro e felino entre os postes. O doce bailado cerebral do Shéu… A graciosa agilidade do Néné no coração da área… Os petardos atómicos do Carlos Manuel… Nem que viva mil anos me esquecerei daquela noite de 18 de Março de 1981, em que pisei pela primeira vez o solo sagrado da Luz, a noite em que pude ver que os meus heróis eram mesmo de carne e osso como eu, correndo como loucos para derrotar por 1-0 o Fortuna Dusseldorf, na 2ª mão dos Quartos-de-Final da Taça dos Vencedores das Taças. Com o passar dos anos, a paixão cresceu, com a família que ganhei via casamento, com a malta da bola, com muito sofrimento e muita alegria à mistura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comovo-me cada vez que o amigo Januário, do alto dos seus oitenta e muitos, tira do bolso com emoção, a carteirinha de cabedal já escura do tempo, para me mostrar vezes sem conta o bilhete sagrado de 65 que testemunha a goleada em que espetámos 5 aos todo-poderosos de Madrid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda recentemente, na época passada e para a Liga dos Campeões, em excursões de carro cheio e muita ilusão, protagonizámos devotas romarias à Luz e Deus recompensou-nos dando-nos a graça de termos podido presenciar e viver noites mágicas que ficarão para sempre gravadas a fogo no lugar mais lindo dos nossos corações. Ver tropeçar os gigantes ingleses do Liverpool e cair tombados os milionários de Manchester, para honra e delírio de todos nós! Absolutamente memorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócio com as quotas em dia, se faz favor!, porque também quero ser parte deste sonho lindo, porque também quero ajudar com a minha parcela e sobretudo porque me dá um gozo enorme passear à volta do estádio, contemplar a relva e pensar que aquele tijolo, aquele metro quadrado de verde ou as meias que o Petit calçou no dérbi também são minhas! Acho que ninguém leva a mal a abstracção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta relação de benfiquismo não é cega. Sou incapaz de dizer que jogam quando todos vêm que não jogam mesmo. Como sei que o Mantorras está arrumado, que o pequeno italiano tem lesões a mais, que o Gomes às vezes passeia em vez de jogar, e que este engenheiro comigo não passa mesmo no exame. Sei distinguir a verdade do embuste. Esforço-me por ser clarividente e esta conversa toda não tem como objectivo a pregação do Benfiquismo como ideologia suprema (bem podia!) mas sim porque serve de passadeira para o que quero hoje desabafar convosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que o Veiga a mim nunca me enganou. Os fatinhos impecáveis, o sorriso malino, a poupa estucada em laca, o sotaque, meus amigos, o sotaque! Pois é! Até o Benfica enfia barretes! Se o homem é sócio e Presidente de uma Casa do Porto no estrangeiro. Pelo amor de Deus… o que é que ele anda ali a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois agora com a história do João Pinto ter ido para o Sporting veio tudo ao de cima e o que deu à costa é tudo menos bonito de se ver. Só em 3 anos, de 97 a 99, o senhor Veiga omitiu ao fisco proveitos na ordem 9 milhões de euros. O esquema até era bem simples e consistia na criação de empresas em paraísos fiscais para facturar as comissões de transferências de jogadores de futebol dos quais era agente. Com estas offshores desviava elegantemente os proveitos obtidos em solo luso para lugares tão exóticos como ilhas das Caraíbas, evitando assim a liquidação do imposto em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vivenda de 70 mil contos em Birre barbeada recentemente pelos funcionários judiciais era pertença de uma destas empresas offshores, sedidada nas ilhas virgens britânicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu-nos uma administração fiscal cada vez mais atenta e até que enfim! bem dirigida que conseguiu apurar em auditoria quem era o cérebro destas operações malévolas de engenharia financeira que visavam a fuga grosseira aos impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças à oportunidade da actuação podemos admirar a gravidade e extensão do chamemos-lhe furto: de 2002, 3,9 milhões de IRC; de 2000, 4,7 milhões de euros de IRS, e 1,4 milhões em IVA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais grave de tudo isto é que muita gente foi conivente com a situação e na ânsia de melhorar o plantel, calar as hostes e subir na tabela classificativa, “cá vai disto!”. Ou não me digam que os dirigentes dos três grandes que com ele negociaram não suspeitaram das contas do estrangeiro onde depositavam as comissões das transferências?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegamos ao cerne da questão, ao âmago do problema. Nos países nórdicos, nas sociedades mais evoluídas do mais evoluído dos continentes em termos de funcionamento social, quem foge ao fisco é ladrão e ponto final. Quem foge ao fisco rouba e o verbo é mesmo este e não outro. Roubar! Em Portugal, o portuguezito que dá a banhada às finanças é herói e gaba-se do feito frente aos amigos. Quem nunca assistiu, num desses balcões por aí espalhados e já depois de umas cargas etílicas, à triste dissertação de um desses infelizes, vociferando à boca cheia as mais inomináveis barbaridades sob os seus feitos de fuga aos impostos. Quem nunca ouviu o inenarrável: “quer com factura ou sem factura? É que com a factura ainda leva com o IVA?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns tristes que até há bem pouco tempo, passavam impunes. Mas com a crescente informatização dos sistemas da administração fiscal, com a adopção de processos de funcionamento mais céleres e eficientes, com as reformas do património e constantes adaptações, com a contínua formação dos novos quadros e o indispensável cruzamento de dados, muita coisa há-de mudar nos próximos anos. Para bem de todos nós, os pagantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque neste esquema todo quem se lixa é o mexilhão, e os trabalhadores por conta de outrém que ao fim do mês o recebem já com desconto, sabem do que estou a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a coisa, como dizem agora os Gift, é “fácil de entender”! As sociedades são como as pessoas. Imaginem agora que eu me juntava com 3 amigos e íamos viver juntos para um apartamento. Do dinheiro que ganhávamos fazíamos uma colecta da qual tirávamos apenas o estritamente necessário para pagar aquilo que era despesa de todos: o medicamento, a aula de formação, a diária do guarda, e havia de entre nós, um desses inteligentes que se escapava e deixava de meter a sua parte na terrina de loiça em cima do frigorífico que é de todos. O que é que acontecia? Das duas, uma: ou deixava de chegar para tudo, ou tínhamos de cortar nalguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É imperioso que o português que contribui tenha a satisfação de pensar que é ele que faz mover este país, que é ele que paga a escola, a esquadra, o tribunal e o hospital. É ele que com o seu humilde e esforçado contributo, faz a engrenagem seguir em frente e continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também é imperioso que a captação de impostos e a fiscalização redireccionem as baterias em força para o trabalho independente, para o comércio e a empresa, para aqueles que têm margem de manobra e mais facilidade em criar esquemas paralelos. Essa deve ser a próxima grande batalha que se quer dura e eficiente. Pagando todos, libertamos aqueles que pagam agora, tantas vezes com tanto custo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente que como diz o povo, “quem não deve, nada terá a temer”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116473489824782810?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116473489824782810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116473489824782810' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116473489824782810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116473489824782810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/11/9-desabafo-29.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116419044232095518</id><published>2006-11-22T10:12:00.000Z</published><updated>2006-11-22T10:23:51.633Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;8º Desabafo – 22.11.2006 – Época de exames&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/8%3F%3F%20Desabafo%20%3F%3F%3F%2022.11.2006%20%3F%3F%3F%20%3F%3Fpoca%20de%20exames.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 288px; height: 149px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/8%3F%3F%20Desabafo%20%3F%3F%3F%2022.11.2006%20%3F%3F%3F%20%3F%3Fpoca%20de%20exames.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem me dá o grato prazer de me ouvir perguntava-me há dias, “já falaste no País… quando é que voltas a Portalegre?”. A dúvida é pertinente e reveladora. Quem ouve faz parte do processo comunicacional. Se ouve é porque gosta de ouvir e é nessa medida que se acha no direito, e bem!, de influenciar sobre aquilo de que falo. Mas se me permitem, parece-me não ser essa a mais importante das questões. O mais importante não é saber sobre onde se fala mas sim sobre o que se fala. Até porque concordarão certamente comigo quando digo que a realidade da cidade e do distrito é muitas vezes parca em acontecimentos que valham realmente a pena pensar sobre. Assim como há inúmeros acontecimentos nacionais e internacionais cujas ondas de choque nos chegam a atingir, de uma maneira ou de outra, por tabela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, o mais importante nestes desabafos, nestas crónicas de cidadãos que se presumem informados (como diz o jingle publicitário) é no meu modesto entender, o poder dar a visão, a visão sempre pessoal e de um modo muito particular, de tudo aquilo que acaba por marcar os nossos dias e a nossa vivência. No meu caso, será a visão de um beiranense, que é simultaneamente marvanense, lagóia, alentejano, português, europeu, e em última instância terráqueo. E porque a crónica é a mais íntima de todas as peças jornalísticas, aquela em que todos os outros estilos cabem, aquela onde nos podemos literalmente esticar, é aqui que partilho convosco, caros ouvintes, aquilo que me engasga ao pequeno-almoço, que fala comigo durante o dia e muitas vezes, se instala debaixo da almofada para não me deixar adormecer. Na ausência de oportunidade de definir logo de início o meu propósito nestes pouco mais de cinco minutos semanais em que fazem o favor de me aturar, manifesto neste editorial informal o meu verdadeiro objectivo: estando longe de vos pedir que concordem com o que digo, o que eu gostava mesmo é que os desabafos da quarta-feira servissem para acender o rastilho do pensamento em cada um de vós, seja ele qual for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como tem estado mesmo junto à boca do forno, eis assim que regresso ao tema da educação, nesta vez na perspectiva do professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito que defendo que a sociedade que maltrata os seus professores, compromete seriamente o seu futuro, ao comprometer a vida das gerações vindouras. A classe docente representa um dos vectores da sociedade cujo desempenho depende em muito das condições em que exerce a sua actividade. Para falar depressa e bem, convêm que estejam contentinhos e preocupados em fazer apenas aquilo que devem: ensinar, e já agora, o melhor que podem. Convém que estejam motivados, bem pagos, que se sintam em casa, que a sua relação familiar seja estável, que não se estejam a divorciar, que o clube de que são adeptos ganhe em todas as provas onde entra e que não haja chicotadas psicológicas no balneário. Por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim falo. Eu sei que assim é! Sempre fui o gajo das letras. Matemática? Só a cacete! Recordo com aflição o fim das tardes de Verão em que a tortura maternal se esforçava, para meu bem, em me explicar as inúmeras propriedades da multiplicação ou as vantagens de fazer um conta de dividir à moda antiga. Provas dos nove? Raízes quadradas? Unidades de volume? De massa? De capacidade? Sistema métrico? Tabuadas? Horror! Um calvário, um caos tremendo, um suplício. Por favor não, e ela bem tentava, com laranjas e maçãs, levar o petiz à certa, mas ele era mais livros, textos e composições. Paciência! Cada um nasce pró que nasce. Mas eu juro por Deus que me esforçava. Pois essa minha relação, chamemos-lhe de esforço, com a matemática, havia de sucumbir definitivamente no segundo ano do ciclo com uma professora a quem a vida não lhe corria bem e à qual baptizámos, esteja ela onde estiver, de Farrusca, acho que pelo tipo de penteado exótico que ostentava a senhora. Como a vida estava má para ela e não estava para se chatear connosco, a dita cuja lembrou-se de nos ensinar as fracções mandando fazer cópias. Cópias? Sim, cópias das páginas inteiras dos livros, nas aulas e nas férias, deitando por terra a minha aspiração de alguma vez entender tal bizarra engenharia. “Os desenhos também se copiam?” perguntava eu, desajeitado. Risos. “Sim, copiar tudo!”. Percebem a relação? Professora descontente, aluno incompetente. As fracções? Haveriam de entrar já muito mais tarde, pela mão de um colega de finanças e a razão do imposto sucessório, à custa de muito gozo e de ouvir vezes sem fim a ladaínha: “onde é que já se viu, sair doutor da faculdade sem saber as fracções! Ah!”. E não! Não valia a pena explicar que o curso era de letras. É comer e calar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estes são tempos difíceis para os professores que se querem contentes… Quem esteja atento aos meios de comunicação reparará certamente que os casos são mais que muitos e todos eles dão panos para mangas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relatos da Universidade de Évora dão-nos conhecimento de uma história de honra à moda antiga. O romance começou em 2004, quando um docente da instituição reprovou um aluno do curso de Engenharia Geológica. Não achando piada nenhuma à avaliação final, o aluno só não fez logo a folha ao homem porque os colegas se interpuseram. Mas a coisa não ficou por ali.  Chamadas telefónicas? Às dezenas numa noite, sempre de madrugada, como convém! Pressão a toda a linha, como nos filmes de espionagem, durante dois anos e meio para terminar há cerca de um mês ao melhor estilo marcial asiático com agressão pelas costas, derrube ao chão, arraial de murros e pontapés, num ensaio que deixou o pobre do docente em casa de baixa médica, em total parafuso mental, sem conseguir dormir uma noite tranquila. Pudera! Apesar da quarta-queixa crime, o aluno continua em funções, a terminar a licenciatura. Bem ao melhor estilo lusitano! O resto da estudantada vive clima de revolta e insegurança. O reitor justifica-se que não há nada a fazer. Apesar da legislação que rege as universidades prever a autonomia disciplinar destas intituições, nada pode ser feito enquanto não for criado um regime definido por lei, sob proposta do Conselho de Reitores. Pois esse Estatuto Disciplinar do Ensino Superior ainda está por legislar, apesar da proposta já ter sido apresentada e ter atravessado 3 governos. A única lei de que se podem valer é de 1932, um bocadinho desadequada, portanto. O comunicado interno refere que a lei não permite que a Universidade se constitua como queixosa, nem que actue disciplinarmente. “Nem nos exageros das praxes, se pode sancionar os malfeitores”, referiu o responsável máximo do estabelecimento. De mãozinhas e pézinhos atados. Não sou ninguém para dar conselhos, mas “ó setôr, vá lá dando uns dezitos porque senão a malta ainda se zanga e aí a coisa fica feia e sobra para si”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Liceu Maria Amália, em Lisboa, também foi durinho. O aluno entrou pela aula de história adentro de capacete na cabeça, agarrou a setôra por trás e apontou-lhe a pistola de alarme à cabeça, gritando “isto é um assalto!”. A brincadeira só foi desmascarada quando se ouviram os risos dos colegas vindos do corredor. A pobrezinha, de 54 anos, ainda agora deve de estar a tremer. E apesar da suspensão do aluno, geralmente pacato e normal que “só queria brincar com a professora”e da queixa apresentada na PSP, a verdade é que de costas para a entrada, há-de ser difícil voltar a leccionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria a minha tia “fazia cá falta um Salazar, para ver se o respeito era outro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o respeito devia de ser outro, até concordo. Que a classe docente está debilitada. Não tenho dúvidas. Mas também me parece que esta perda de força também deve ser imputada aos próprios professores. Quem se quer respeitado, deve-se dar ao respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo com atenção a novela da proposta governamental da alteração ao Estatuto da Carreira Docente. Os professores na rua, em manifs, gritando slogans de protesto,  promovendo abaixo-assinados recordistas e fazendo declarações de guerra à Ministra. A bruxa, a má, a velhaca. A culpada de todo o infortúnio. Convencidos que são donos de toda a razão, esquecem-se contudo que para a sociedade em geral que pouco pesca do assunto, aquilo que o governo defende nesta matéria faz, em muitos casos, todo o sentido.  Senão vejamos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ter de passar a fazer uma prova nacional de avaliação de conhecimentos e competências para aceder à carreira de docente? Porquê não? Se já se fazem em tantos outro serviços.&lt;br /&gt;- Ter um período probatório de um ano? Parece-me perfeitamente razoável.&lt;br /&gt;- Como me parece bem que em caso de inexistência de serviço lectivo no quadro de zona, possam vir a ser afectos a agrupamentos situados em zonas limítrofes.&lt;br /&gt;- Como me parece completamente insensato serem contra o facto de se estar a criar a distinção entre professores de primeira e de segunda, quando todos nós sabemos que há de facto professores que se aplicam, que trabalham e se esforçam mais do que outros. A evolução segundo o critério unicamente temporal sempre valorizou a mediocridade. Não deve haver medo de ser julgado pelo nosso desempenho quando estamos conscientes do esforço que fazemos.&lt;br /&gt;- Avaliação de desempenho anual, em vez de 4 em 4 anos?&lt;br /&gt;- Permitir que os pais dos alunos, enquanto interessados e intervenientes no processo educativo possam dar a sua palavra em termos de análise de desempenho?&lt;br /&gt;- Ter de solicitar autorização com cinco dias de antecedência para faltar, e entregar o plano de aula que permitirá a substituição e condução da aula por colega a designar?&lt;br /&gt;- Ter dispensa para formação só na componente não lectiva do horário do docente, ou durante os períodos de interrupção da actividade lectiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos olhos dos comuns mortais, tudo medidas coerentes, duras mas justas e com uma notável coragem política. Porque em tempos difíceis, é preciso ajustar, racionalizar, redefinir. Em tempos de mudança é preciso saber-se adaptar. Seria bom se os docentes do nosso país soubessem responder a este desafio dos novos tempos com um resposta de qualidade e de inteligência que sei que está perfeitamente ao seu alcance. Com uma resposta de classe, de nível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gerações futuras agradeceriam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116419044232095518?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116419044232095518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116419044232095518' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116419044232095518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116419044232095518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/11/8-desabafo-22.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116359021222714364</id><published>2006-11-15T11:29:00.000Z</published><updated>2006-11-15T11:34:33.850Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;7º Desabafo – 14.11.2006 – A recompensa que ninguém queria receber&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/1053859430_p.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 230px; height: 165px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/1053859430_p.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Faz neste mês precisamente quatro anos que o país acordou assustado para um escândalo sexual que haveria de abalar os alicerces da nossa sociedade e de deixar bem exposta a ferida sob as lacunas do nosso sistema judicial. Foi há quatro anos que um rapazinho destemido, encostadinho aos ecrãs das nossas casas, confessou de costas viradas e voz distorcida, aquilo que muitos suspeitavam e outros sabiam há muito: na Casa Pia de Lisboa havia lobos que sob a pele de cordeiros se alimentavam dos escombros de muitas infâncias infelizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrou-se assim um segredo há muito conhecido mas sempre silenciado por misteriosas forças de bloqueio, pondo fim a uma infeliz tradição que desvirtuava por completo uma história plena de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundada no dia 3 de Julho de 1780, no reinado de D. Maria I, para dar resposta aos problemas sociais decorrentes do terramoto que devastou a cidade de Lisboa, recebendo crianças pobres, órfãs e abandonadas, a Casa Pia haveria de se transformar com recurso a audaciosos métodos pedagógicos, no primeiro estabelecimento de educação popular do País e na mais significativa instituição de assistência a menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo hoje a maior instituição portuguesa dedicada ao acolhimento, educação, ensino e inserção social de crianças e jovens sem apoio familiar normal ou em risco de exclusão social, tem à sua responsabilidade cerca de 4700 educandos, distribuídos por dez Estabelecimentos e outros diversos equipamentos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estatutos gabam-na de ser uma escola global onde, a par do acolhimento e do sustento, se preparam os jovens para uma sã integração social cultivando a destreza das mãos, a inteligência, o desenvolvimento físico, a formação espiritual, moral e religiosa, os valores do trabalho e da solidariedade tanto quanto os da cultura, da ecologia ou do desporto. Respira-se orgulho ao se identificar como um estabelecimento que recebendo como matéria-prima crianças e jovens na maioria dos casos excluídos do sistema escolar normal conseguiu produzir através dos tempos, incontáveis personalidades que se distinguiram nos mais variados ramos do saber, das artes, da política, do desporto, da vida económica, social e cultural do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro anos haveríamos todos de saber que a vida é bem diferente do que se sonha no papel. Esse turbilhão informativo, essa avalanche de novidades que a todos deixou boquiabertos, haveria de levar consigo sob o manto da suspeita, apresentadores de televisão entradotes, médicos conceituados, humoristas consagrados e até eminentes políticos e embaixadores. Todos suspeitos mas todos isentos porque essa presunção de inocência até prova em contrário é um trunfo que vale por dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós sabíamos que esse apresentador de televisão até já tinha confessado em entrevistas que com o passar dos anos os seus apetites no que diz respeito a carne humana tinham mudado e que chegado perto dos quarenta, estava cada vez mais aberto a propostas ousadas no campo sexual; como todos nós sabíamos que esse médico de barba grisalha e ar introvertido, tinha currículo bem conhecido em rotas de perversão do bas-fond alfacinha. Todos inocentes mas esse verdadeiro humorista português há muito que insinuava que as suas orientações sexuais iam num sentido bem diferente daquele que a grande maioria dos portugueses tinha como pré-definido. Nada de apontar o dedo, mas sim, sim, o nosso embaixador há muito que era conhecido pelas autoridades por gostar de meninos e sobretudo por ser exímio em esgueirar-se das acusações e sair de cara lavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque um embaixador, meus amigos, não é propriamente o Zé da Esquina. Tal como o solo das embaixadas noutros países é considerado território nacional português, os embaixadores são também a cara do Estado e de todos nós quando em exercício das suas funções no exterior. Quero eu dizer com isto que não chega a embaixador quem quer, mas quem pode. Ou se preferirem de outra forma, é mais fácil apanhar um de nós do que a um embaixador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assim que a coisa estoirou, e bem à maneira de velha máfia siciliana, a pirâmide hierárquica ruiu, os chefes, os capos, a pesca grossa saltou da embarcação rumo a alto-mar e quem ficou preso nas redes foi um tal de Bibi, angariador-mor, pivot da organização, mestre de cerimónias e quando fazia falta, motorista também, aquele que levava os meninos a passear para o tal apartamento na linha ou para a quieta casa de Elvas (e tão perto que Elvas ficou então!). Na parte que me toca, a vergonha chegou cá!&lt;/span&gt;&lt;a name="conteudo"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Tido inicialmente como o mau da fita, escondido detrás da gola alta de um quispo vermelho, respondendo nervoso e de sorriso enigmático às perguntas da primeira repórter, haveria depois de contar a sua história, haveria depois de dizer que também ele tinha sido vítima do processo, que também ele fazia parte deste lamentável historial e nós passávamos assim a saber que os abusos sexuais não eram de agora, mas sim prática corrente de há muitas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito que eram conhecidos os meninos da Casa Pia. Há muito se falava nessa infame tradição e nos brutais ritos de passagem a que eram sumetidos. Os relatos trémulos que encheram os nossos dias de então falavam de medo, de noites sozinhas no escuro dos lençóis à espera… de corpos nus tremendo de frio nos corredores intermináveis quando só o luar ousava entra pelas janelas altas, de gritos abafados nos chuveiros, de pedidos de ajuda que mais ninguém podia ouvir, de dias e meses e anos a sofrer em silêncio, sem uma mão amiga para os consolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, parece que Deus está mesmo longe demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o Estado, esse Estado que somos todos nós, começou a pagar as indemnizações fixadas pelo Tribunal Arbitral em Abril último, assim que se confirmaram as provas do abuso sexual, para tentar compensar a sua negligência por não ter protegido quem tinha à sua guarda e cuidado. No total, foram atribuídas 44 indemnizações: 39 pelo valor máximo (50 mil euros), duas com 25 mil euros e três com quatro mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais que nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao folhear a imprensa escrita, deparo estarrecido com a declaração de Catalina Pestana, actual Provedora, que do alto do seu ar de sargento reformado, disse com o maior dos desplantes que “procuro fazer como se eles fossem meus filhos e lhes tivesse saído um prémio no totoloto”. Eu sei que há dias infelizes, não duvido da boa vontade da senhora ao preocupar-se na forma como os jovens investem o dinheiro e na sensatez do seu desejo em que a compra de habitação própria deva ser uma preocupação para todos, mas também sei que há coisas que não se dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como há coisas que o dinheiro não paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é impossível achar justo indemnizar esta meia centena quando há muitas outras centenas que hoje constituíram famílias, refizeram as suas vidas e hão-de levar consigo esse segredo para baixo de terra. Falam com ele todos os dias e há-de morrer com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esses e todos os outros que foram infelizes protagonistas ou figurantes deste terrível romance, a recompensa ideal (e já que o tempo não volta para trás), nunca será pecuniária mas sim penal, se aqueles que lhe roubaram a alegria de viver apodrecessem numa cela qualquer, consumidos pela culpa, castigados por uma justiça atenta, isenta, mas dura e efectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria assim num cenário ideal. Seria assim se vivêssemos no país com que todos sonhamos dia-a-dia. Mas como referi há pouco, aquilo que se quer quase nunca é o que se tem e ou muito eu me engano ou os anos hão-de passar, a memória há-de esquecer, a poeira há-de assentar, as indemnizações hão-de arder e pouco ou nada há-de mudar no meio desta história toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já seria suficientemente bom e gratificante se a segurança e o cuidado dos responsáveis, deixassem no futuro, os meninos da Casa Pia terem direito àquilo que todos os meninos ambicionam: a oportunidade de se fazerem homens num ambiente de afecto, sem traumas e perseguições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116359021222714364?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116359021222714364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116359021222714364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116359021222714364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116359021222714364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/11/7-desabafo-14.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116298439277658279</id><published>2006-11-08T11:12:00.000Z</published><updated>2006-11-08T11:17:46.976Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;6º Desabafo - 08.11.2006 - Tempos de Mudança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/6%3F%3F%20Desabafo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/6%3F%3F%20Desabafo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vivemos claramente numa época de viragem. A sociedade portuguesa, tal como hoje a vemos, não é a mesma que durante épocas nos habituamos a olhar sob um prisma conservador, pejado de pressupostos e dogmas, certezas que não devíamos sequer ousar questionar. Bem sei que todas as gerações têm a tendência de se verem a si próprias como fracturantes e inovadoras, mas em relação aos tempos que correm, ainda alguém duvida que a tradição, como dizia o tal reclame, já não é mesmo o que era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senão vejamos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescemos a ouvir dizer às mães “estuda filhinho… para seres alguém na vida, para chegares a doutor, para teres dinheiro e felicidade e poderes ter tudo o que queres. Para que os outros respeitem até o chão que tu pisas, para que sejas imitado e considerado, para que sirvas de modelo aos mais pequenos, para que as outras mães te invejem e as suas filhas te desejem. Para que sejas um homem. Para que sejas alguém. Não te preocupes com os sacrifícios que nós cá nos desenrascamos. Há pr’ali umas poupanças e se for preciso, para teu bem, nós até vãos de escadas varremos. Tu trabalha duro que nós cá estaremos.” Pois é, acreditava-se assim que o ensino era a estrada mais segura para o sucesso. Um curso superior era, para além de tudo o mais, o garante de emprego e de estatuto. Estudar muito para tirar um curso servia de passaporte para a estabilidade financeira e já agora emocional. Atrás disto viria tudo o resto. Mal feitas as contas, dos meninos que se fizeram homens assim, teríamos forçosamente que os separar em duas alas, os que estudaram para ser doutores e os que não. Desses que não estudaram, dois grupos emergiam: os que se safaram e os que ficaram a ver navios. Simples e óbvio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois os tempos passaram e hoje não são apenas alguns mas sim a grande maioria que é literalmente empurrada pela porta das faculdades adentro, para serem doutores à força. Tem mesmo de ser porque a escola já não é a 4ª classe, isso do nono ano já lá vai, com o 12º não te safas e estuda mas é senão nem a doutor chegas. A Universidade deixou há muito de ser um espaço de descoberta e de experiência, uma terra de dúvidas e crescimento, para ser um domínio de certezas, para se tornar num upgrade dos liceus, uma liga dos semi-campeões onde se fazem mais 3 ou 4 aninhos para o canudo. A imagem cola: uma fábrica de canudos! E a grande maioria dos jovens universitários entram temerários e imberbes, ainda com o cordão umbilical por cortar, receosos mas depressa se ambientam. Começam as praxes, com um bocado de sorte arranham umas letras e entram na tuna, festas daqui e dali, Natal, ano novo e exames, o Carnaval, a Páscoa, a Primavera, as esplanadas, o prazer da vida boémia e eis que chegam as férias de Verão. Praia. Época de exames e tá-se bem. Os paizinhos patrocinam a roupa de marca, o portátil e os gadjets de última hora, telemóvel 3G topo de gama, o desportivo comercial que os autocarros estão fora de moda, quarto, cama e as férias com a namorada do último semestre. Ao fim dos 4, 5, 6, 7 anos, tocam as doze badaladas no relógio da torre, quebra-se o feitiço e cai o maçarico de cú num mercado de trabalho desertinho de o explorar até ao escalpe, sugando-lhe as ideias e a vivacidade em estágios intermináveis que o obrigam a saltar de patrão para patrão, à espera de um poiso mais fixo. Uns safam-se. Outros, infelizmente não e chegam mesmo, nas noites mais frias e sozinhas a pensar a mais elementar das questões: Será que valeu a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dos mitos-base da nossa sociedade que olha agora abismado para o seu fim, é a aura mística dos empregos do Estado. Como disse alguém bem meu conhecido, definindo depressa e bem, num exercício louvável de economia de palavras: ganha-se pouco mas também se faz nenhum e disso a malta gosta! O espectro salazarista que cobriu de negro quase todo o século vinte português, curiosamente ajudado pela aura naif pós-25 de Abril, ajudou a criar a ideia que o Estado era o paizinho da malta toda. Trabalhar para o Estado era estar seguro, era garantir uma evolução lentinha, cinzentinha, mas segura, com o que mais interessa a cair na conta bancária ou levantado em papel-moeda todos os santos dias do mês, sem atrasos nem reclamações. Trabalhar para o Estado era, desde que um gajo não se mexesse muito e se Deus ajudasse com a quota-parte da saúde, uma certeza até à reforma. Era fazer o que o Eusébio fez com o Benfica: um contrato para toda a vida. Bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade de hoje é que todos sabíamos que a coisa não estava bem. E antes que estivéssemos como na Argentina, a subir a Rua do Comércio ou descer o Atalaião batendo em tachos e panelas, a chorar os dinheiritos que bateram asa do banco, o rapaz Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal, não está com mais nem meias e chega-se à frente. Alvo a abater, escusado será dizer, classe média em geral, com os funcionários públicos e os trabalhadores por conta de outrem à frente da largada. Para os mais distraídos, o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, PRACE para os amigos, apresentado há oito meses e agora mais conhecido em pormenor, diz que em vez de 518 organismos, os Ministérios passarão a ter apenas 257, um emagrecimento como agora lhe chamam, o que significa que 261 vão à viola. Encerrados, fundidos, reestruturados ou externalizados, chamem-lhe o que quiserem, traduzido em miúdos significa que 135 807 funcionários públicos estão prestes a acordar do sonho lindo que viveram para descobrirem que são supranumerários. Ser supranumerário é ser mais que o necessário, é não fazer tanta falta, é ser acessório. É estar a mais. E assim, dentro em breve, 41 mil do Ministério da Saúde, mais 27 mil da Segurança Social mais outros tantos mil de sabe-se lá de onde, vão passar em dois meses a perder 33% do salário base para depois, não fazendo falta onde estão, a outro lado irem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém duvida que a coisa estava mal. É impossível não concordar que é ridículo só de pensar que 2 anos depois do fim do serviço militar obrigatório, ainda existe um Gabinete de Objecção de Consciência, onde 11 almas labutam arduamente todos os dias da semana, das 9 ao meio-dia e meia e das duas à cinco, para reencaminhar no serviço cívico quem já não há para reencaminhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa estava mal, mal e todos concordamos. Mas há coisas, senhor 1º Ministro, que não se fazem e uma delas é mudar as regras do jogo depois deste começar. Se a coisa tinha de ser feita, que tinha, que ao menos fosse feita com visão, espaçada no tempo, dando margem para que alguns saíssem e que outros tivessem apoios para se poder mudar. Porque o que o senhor está a fazer aos funcionários públicos, é uma reedição da velha história em que o marido descobre no seu próprio leito conjugal, a felicidade da mulher com quem casou só que nos braços de outro e, tolhido pelo ciúme e pela desgraça, pega na caçadeira e convida o prevaricante a escolher um salto pela janela do nono andar ou o chumbo quente que está prestes a sair pelos canos sobrepostos. Não se faz! Não é por nada, mas não se faz! “Prontos!”, como se diz agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus teóricos dizem que não é pelo excesso de pessoal, que não é pelos salários, que é a despesa inerente à função pública e à pala disso mudam-se sistemas de carreiras e reformas, vínculos, remunerações e regime de avaliação do desempenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se o senhor um pai de família, contas de carro e casa para pagar, as prestações das últimas férias de Verão e da consola que no Natal passado fez as delícias do filho mais novo. Com um afilhado para casar e um sobrinho a caminho para presentear. Com a filha a dar o salto para o superior, em cima das contas óbvias: água, luz, tv cabo e gás. A contar ao cêntimo o que há-de cair no dia 20 e de repente… prateleira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prateleira! Encarando uma saída improvável, voltando a fazer as malas, quebrando um elo familiar para se instalar longe da mulher e filhos, a muitos quilómetros de distância. Isto para quem quer, porque a porta da rua está ali bem à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe-me o desabafo mas não me parece justo. É que são muitos, sabe? E dá-me a sensação que convencido que está a fazer o que deve ser feito, é capaz de estar a rebelar contra si aqueles que o ajudaram a estar onde hoje está. Nestas coisas é preciso cuidado… A ver vamos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116298439277658279?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116298439277658279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116298439277658279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116298439277658279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116298439277658279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/11/6-desabafo-08.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116250704885914981</id><published>2006-11-02T22:36:00.000Z</published><updated>2006-11-08T11:07:57.740Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;5º Desabafo – 31.10.2006 – Aborto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/5%3F%3F%20Desabafo%20-%2031.10.2006%20-%20Aborto%20-%20Imagem.2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/5%3F%3F%20Desabafo%20-%2031.10.2006%20-%20Aborto%20-%20Imagem.2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vivemos num tempo em que a esquerda e a direita se confundem. Eu próprio já vivi na pele “regimes” caseiros de esquerda que vestidos sob a pele de cordeiro, de eternos defensores dos desfavorecidos, aplicavam a mais dura escola de opressão, tão característica dos regimes totalitários de direita. Serve o presente como intróito para uma questão bem actual. Porque se há característica que reconheço nos socialistas em geral e nos do meus país em concreto, é a persistência. Acho-lhes piada e sendo assim, ano e meio depois de ter assumido a maioria parlamentar e à terceira tentativa, o Partido Socialista conseguiu aprovar a proposta para a convocação de um referendo ao aborto, iniciando um processo que irá culminar com nova consulta aos portugueses, no início do ano que vem, e a apenas 8 anos da última investida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E irá ser assim: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para já, para já, e tirando assim um primeiro comentário a talho de foice, não posso deixar de dizer o quanto me aborrece o facto de cada vez que se fala em tal assunto, parece que se esquecem que nós, homens, também existimos e temos cabeça entre as orelhas. Cá para mim, escusam de tirar as bandeiras e andar aos gritos pelas ruas que “a barriga é minha e eu faço com ela o que bem me apetecer”, como se fosse mais uma batalha pela emancipação e libertação das mulheres, porque esta questão, minhas amigas, é muito mais profunda, muito mais vasta e desculpem lá estragar-vos o arraial, mas é sobretudo uma questão de vida, de arquitectura ética e ideológica e aí, nós, os homens, também temos uma opinião a dar. Não é, em definitivo, uma história de mulheres, é um assunto de humanidades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A meu ver, o aborto, tal como a eutanásia ou a pena de morte, são questões de tal maneira profundas que não pode haver uma só alma viva que consiga acreditar em absoluto na posição que defende, seja ela qual for. Creio que se houvesse assim um que fosse tão certo, ao ser confrontado com uma bateria de argumentos do lado contrário, iria tremer e hesitar, porque quando nós humanos nos armamos em deuses e pensamos decidir sobre a vida e a morte, seja para servir corporações, interesses ou a nossa própria visão, entramos num território que não é nosso e nos está vedado põe essa simples condição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas acho graça a estes bailes mandados e vibro com o corrupio que se instala. Faz-me lembrar aqueles circos que visitavam antigamente as aldeias do interior, numa roulotte a cair de velha em que toda a família fazia de tudo, e só a meio do espectáculo associávamos as coisas e descobríamos defraudados que o trapezista era também o mágico e o cobrador de entradas. As coisas que um simples bigode não faz!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brigam os políticos entre si, os comunistas e os “cêdê esses”, os do Sócrates que se riem e o Mendes que diz aos seus “vocês é que sabem”, brigam os defensores do sim e do não, e ainda falta a Igreja, o papa e o gajo do Sporting que vai ao meu lado no autocarro, os comentadores da televisão e a porteira do prédio que até tem uma prima que já foi a BADAJORGE, (assim mesmo) e resolveu a coisa! A coisa! Todos sabem, não pensam, sabem que têm razão. Ou será que não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Do lado do Sim dizem que já chega de tanta mentira, de fechar os olhos e fingir que não vemos, que somos um sociedade evoluída, estamos no século XXI, e as mulheres, coitadinhas, nas mãos de bruxas em clínicas manhosas, a sofrer… e algumas a rebentarem com as entranhas numa latrina qualquer perdida no nada, pensando que com o desmancho anulavam uma falsa partida infeliz para uma vida que não querem. Não vêm que não podemos fingir que não existem, que toda a gente sabe que a Clínica dos Arcos rivaliza com o Corte Inglês pelo título de sítio mais “in” e português de Badajoz? Que as mulheres é que sabem, elas é que mandam e tu está calado e vê a bola e não te metas. Que tem que ser, que é tudo as limpas, esterilizado, asseado, discreto, pago com Multibanco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Do Não, a Igreja Canónica, de bíblia na mão, a mesma que vê a SIDA galgar fronteiras e o mundo, subindo tresloucada África acima, invadindo a Europa e arrasando os Estados Unidos, e diz que não ao preservativo. As beatas com xailes por cima dos ombros e lenços na cabeça, e os jovens, de guitarras na mão e crucifixos de Taizé ao pescoço, a cantarem exaltados que a vida é que sim, é que sim. Vida sim e morte não!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Está um gajo nisto… Novembro é um tiro, o Natal agora com as campanhas começa em Setembro e quando damos por nós, temos, literalmente, o menino nas mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que fazer? A quem ouvir e Meu Deus, já agora… para onde é que eu vou? Para que lado é que caio ou para onde me viro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há 10 anos atrás, recém-licenciado, recém-regressado do exílio universitário de Lisboa, recém-entrado no mercado de trabalho, enfim, na condição de recém-tudo, com um namoro reincidente de 8 ou 9 anos no historial, também eu enfrentei a dúvida, olhos nos olhos. A minha então namorada e hoje mulher, engravidou. E é engraçado, porque como todos os jovens, também nós já tínhamos passado por sustos e hesitações, também nós já tínhamos comentado, em conversas informais de fim de tarde ou noite dentro, que faríamos se? Que seríamos nós capazes de fazer se? E houve um dia em que o se, se tornou verdade e eu, acabado de entrar na casa dos vinte, dou por mim lívido e periclitante, a ouvir estarrecido da boca do farmacêutico novato dos Assentos (era a farmácia onde ía menos gente conhecida, grau zero de suspeita!) que era positivo! Era o quê? O teste era positivo! Ela, encolhida, colada ao banco do carro, olhava para mim do outro lado da estrada através do vidro com um olhar de ferro e desespero, à espera de um esboço de felicidade meu que a tranquilizasse… mas ao ver a minha pressa, teve a confirmação que haveria de segundos depois de ouvir da minha boca. Choro! Eu já sabia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois de passado o primeiro avanço do estado de choque e assolados por uma estranha tranquilidade que se apoderou de ambos vinda sabe-se lá de onde, acabamos por nessa mesma tarde por dar a conhecer o segredo à família inteira e só não dissemos a mais familiares pessoalmente porque os meus primos mais próximos estavam na Covilhã. Nunca desde o primeiro segundo, fomos capazes de vislumbrar outro caminho senão o da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pois essa vida que ambos começamos logo a amar com tanta força, quis Deus que não tivesse seguido todo o percurso até nós e voltou para onde tinha partido… para anos depois regressar sobre a forma de menina que os meus amigos que me ouvem já conhecem de outros desabafos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O doloroso processo que se seguiu a esses dias foi por nós ultrapassado, juntos, com a férrea convicção do dever cumprido e de ter feito o que deveria ter sido feito. Sem sombra de arrependimento a pairar sobre nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Porque por muito mãe que seja uma mãe, bem cedo terá que compreender, se boa mãe for, que esse coração que às 5 semanas começa a ser formado, há-de dentro em breve bater por si próprio e já não lhe pertence a ela. Porque apesar de minúsculo, se só a natureza falar, há-de um dia sair para fora e seguir o seu caminho, que é o bem mais precioso que todos temos, o de podermos seguir a nossa própria vida como queremos, com todo o bem e todo o mal que nos espera pela frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116250704885914981?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116250704885914981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116250704885914981' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116250704885914981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116250704885914981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/11/5-desabafo-31.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116176792709964407</id><published>2006-10-25T10:14:00.000+01:00</published><updated>2006-10-25T17:07:40.133+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;4º Desabafo - 25.10.2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/report02.5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/report02.5.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O boletim meteorológico anunciava chuvas intensas e ventos fortes, cheias, derrocadas e árvores caídas… estava mesmo a pedir um domingo caseiro de volta de jornais e revistas, com um bom filme ou um disco por companhia. Ainda assim, e porque promessas a crianças não se rompem, fiz-me à estrada e desafiei o temporal, em direcção à feira, junto ao Pavilhão do Nerpor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste domingo de manhã, o coração de Portalegre estava deserto e mais parecia uma cidade fantasma do Novo México, daquelas onde só os novelos de arbustos se atrevem a atravessar as avenidas poeirentas ao sabor do vento. Quase sem rastro de vida… Estaria eu noutra dimensão, numa metrópole perdida no nada, teletransportado para o futuro próximo dum planeta longínquo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso! A resposta é bem real e encontrei-a pouco depois, ao chegar à Rotunda do Modelo, que mais parecia a segunda circular em noite de derby alfacinha, tal era o rodopio de carros. Tinham todos marchado para o mercado porque nem o mau tempo afasta as gentes desta visão campestre da loucura despesista, típica das grandes catedrais de consumo. São mesmo aos milhares os que peregrinam, todos os terceiros domingos de cada mês, rumo aos terrenos junto ao Parque de Leilões de Gado, transformados então num gigantesco free-shop, disponível e acessível a todas as bolsas. A todas, ou a algumas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos antes parei no Rossio e dirigi-me a uma máquina Multibanco, assombrosa maravilha do admirável mundo novo que em troca da habitual lambidela no cartão me devolveu o câmbio pretendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No regresso ao carro, já confortavelmente abastecido, quase tropecei no vulto abrigado no chão, ao canto dos arcos, junto ao supermercado. Não sei se a vergonha se o pudor, mas um dos dois desviou-me o olhar… Ainda assim ficou a imagem fotográfica que me acompanhou por segundos. Era um homem, na casa dos quarenta anos e ali naquele cantinho, sobre o mármore frio, decidiu fazer o seu quarto. Deitado num colchão ali deixado por caridade, porte atlético mas debilitado, aparentado fortes desordens mentais, roía apático um biscoito duro que caiu do saco de plástico rasgado. Pareceu-me distante, mas eu, como os outros, limitei-me a passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café do outro lado da rua pareceu-me familiar e convidou-me a uma bebida quente e reconfortante. Nessa manhã fria, soube-me bem o calorzinho dentro de casa. “Café, por favor” pedi ao empregado que me olhava endorminhado do outro lado do balcão. Aproveitei o compasso de espera para olhar em redor e apreciar de novo o quadro. Na mesa do canto, junto ao vidro, quatro amigos de uma nova república da velha União Soviética conviviam em amena cavaqueira na língua-mãe, rindo e gesticulando num pequeno-almoço de reforço à base de médias Sagres e bagaços, para matar as saudades e dar força para seguir em frente. As almas restantes assistiam com distante desinteresse à Corrida do Tejo na televisão. Não resisiti e perguntei: “Está ali há muito tempo deitado?”. “Sexta-feira, quando daqui abalei, já ali estava”, sussurrou o empregado. Movido pela hipótese de debate, um sexagenário deslizou da outra ponta do balcão, aspecto impecável, cabelo alvo puxado para trás, casaco de quadrados, guarda-chuva debaixo do braço, e arrematou com ar de escárnio: “Há belas vidas…”. O funcionário voltou à carga com desdém: “não sei como, mas ele lá arranjou o colchão!”. O reforço não se fez esperar, na excitação de um tribunal marcial, e detrás dos óculos “cú-de-copo” e do bigode aprumado, um terceiro interlocutor arrematou: “Nunca tinha visto cá disto. Com os anos que tenho… Nem parece de cá.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a tivesse puxado, sei que a conversa daria certamente para encher a manhã das mais grotescas e distantes banalidades, mas para mim, já chegava. Paguei, virei costas e atravessei a estrada em direcção a ele. Ao chegar, estiquei a mão e disse-lhe “Toma. Não o desperdices em tabaco. Aproveita para tomares uma coisa quente… um café ou uma sopa”. O olhar espantado mas agradecido e o sorriso desdentado foram despedida suficiente para ficarmos os dois bem. Sei que não é por aqui a salvação nem o rumo a seguir, mas ao menos sei que nos ajudou a passar o domingo, a ele e a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se continua lá. Faço votos para que não. Como votos faço que da próxima vez, estejamos todos mais atentos e cooperantes. Que não os olhemos como um bicho raro, que não façamos como se nada fosse, como se não existisse vida dentro daqueles escombros. Porque seja por onde for, dê por onde der, há-de haver uma forma de reintegrar e ajudar, de conciliar e prevenir, de assegurar que não voltará a acontecer. Pelo menos aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não viva actualmente na cidade, embora não seja um portalegrense porta-estandarte, foi aqui que nasci e sinto, como muitos dos que vivem nos concelhos limítrofes que esta é e há-de sempre ser A minha cidade. E embora esteja mais bonita, organizada e cosmopolita, há modas que não queremos mesmo importar e esta, de ver e passar incólume por vidas estilhaçadas ao longo das ruas, deve-nos a todos envergonhar e dar que pensar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116176792709964407?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116176792709964407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116176792709964407' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116176792709964407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116176792709964407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/10/4-desabafo-25.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116112065884398555</id><published>2006-10-17T22:25:00.000+01:00</published><updated>2006-10-17T23:28:48.146+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;3º Desabafo - 18.10.2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/Capela_dos_ossos_esqueletos1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/Capela_dos_ossos_esqueletos1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De visita a Évora para casar um amigo, sábado passado, desconhecia ainda que acabaria durante o fim-de-semana por estar envolvido em acontecimentos que me iriam fazer sentir na pele, a mais vasta gama de sentimentos que pode experimentar o ser humano: da mais esfusiante alegria à mais profunda das tristezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Évora é uma cidade magnífica e o tal Templo de Diana, junto ao qual se celebrou a cerimónia nupcial, é imponente e faz-nos vibrar mas não sabendo bem porquê, dei por mim a admirá-lo com uma pontinha de inveja a toldar-me a razão. Ser isto parte do Património Mundial e eu ver o meu Marvão, o Marvão das deslumbrantes vistas donde Saramago viu o mundo inteiro, a ficar à porta… Desculpem, mas não me conformo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um casamento é sempre um momento enternecedor e chega a comover-nos o poder ser cúmplices da felicidade transbordante dos jovens nubentes. Saber que há alguém no mundo que consegue esquecer, nem que seja por momentos tudo o que há de mau, e sorrir daquela maneira magnética… Por muito marretas que sejamos, temos mesmo de acreditar no poder transcendente e contagiante do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolvidos por esta vibrante onda de energia positiva, levitantes na fase pré-copo de água, entre um salgado e um vermout, bem vestidos e bem dispostos, somos tomados de assalto pela triste novidade que viperina e sorrateira se instalou nas mentes incrédulas. Num ápice e de um só golpe, sem deixar réstia de esperança ou fôlego, o coração tinha traído mais um jovem e prestigiado marvanense. 50 anos recém-cumpridos há dias. Respeitado e sem vícios, sempre afável e cordial, partiu como um cavalheiro, enquanto passeava pelos campos, provavelmente preparando com devoção a caçada do domingo seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei para um pequeno-almoço em família seguido de passeio dominical pelos encantos eborenses. A ampla Praça do Giraldo e claro, esse inevitável lugar mágico e sempre de paragem obrigatória nas longas jornadas de viajem para férias nas terras do Al-Gharb, quando se demorava um dia inteirinho e se passava por dentro de todas as localidades: a capela dos ossos, junto à Igreja de São Francisco! Apesar de não a visitar há anos, há já muitos anos mesmo, o poder daquele lugar é de tal forma inebriante que jamais o esqueci. Estranhei o acesso ter mudado de lugar e não consegui evitar o sorriso ao ver que houve desde a minha última visita, alguém bem português que entendeu a fonte de receita e ossos, hoje, não há gente crescida que os veja ali por menos de euro e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À entrada, a inscrição intimida e anuncia que a dimensão que se segue exige respeito e contemplação: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Poucos minutos depois de entrar e acabado de passar o arrepio da praxe, acabei por compreender então a óbvia estranheza que o insólito e macabro décor me transmitia em criança. No fundo, a razão por que carga de água, três monges do séc. XVII se lembraram de conceber este monumental portento de arquitectura penitencial, ao reunirem de uma assentada perto de 5000 estruturas ósseas, verdadeiros alicerces que serviram de roupagem terrena a outros tantos viventes, não é mais que aquela que eu ouvi tantas vezes sair em sussurro da boca do padre da aldeia, nas quartas-feiras de cinzas, enquanto fazia o sinal do cruz na testa do fiel:”lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A efémera fragilidade da vida humana. Elementar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de funerais e aí penso que não serei muito diferente da maioria dos ouvintes. Deixam-me nervoso e custa-me particularmente ver que muitas vezes, muitos dos que se dignam a prestar esse último adeus, tudo fazem para que a solenidade do acto seja tudo menos solene. Aproveita-se para se falar de tudo e de nada, alvitra-se o tempo, o estado do país e do futebol e às vezes chega-se ao ponto de se comentar a saúde deste ou daquele que se perfila para ser o próximo nessa inexorável caminhada face ao nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso ao meu concelho, no domingo e em silêncio como sempre, acompanhei o cortejo fúnebre imerso nestas considerações. O silêncio doloroso reinante nos minutos derradeiros da cerimónia, vai-se tornando em murmúrio e depois em diálogo, à medida que os acompanhantes abandonam o cemitério e se aproximam da povoação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para trás ficam as lápides alvas, as flores artificiais e o vazio sepulcral. Junto à civilização, mergulhamos na centrifugadora existência dos nossos tempos, de escravos dos horários e das coisas físicas, das guerrilhas diárias do acordar ao deitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecemos assim os frades, as cinzas e a voraz vertigem que no espaço de um dia, e volto ao início do meu raciocínio, nos mostra quão rápida é a viajem do dia para a noite, da luz para a treva, do tudo para o nada. É pena…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resisto a deixá-los com o poderoso soneto do padre António da Ascenção Teles que decora em quadro de madeira antiga, um dos pilares da dita capela dos ossos:&lt;br /&gt;Aonde vais, caminhante, accelerado,&lt;br /&gt;Pára… não prosigas mais avante,&lt;br /&gt;Negócio não tens mais importante,&lt;br /&gt;Do que este à tua vista apresentado.&lt;br /&gt;Recorda quantos desta vida tem passado,&lt;br /&gt;Reflecte em que terás fim similhante,&lt;br /&gt;Que para meditar causa he bastante,&lt;br /&gt;Terem todos os mais nisto parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pondera que influído d’essa sorte&lt;br /&gt;Entre negociações do mundo tantas,&lt;br /&gt;Tão pouco consideras na da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se os olhos aqui levantas,&lt;br /&gt;Pára… porque em negociações deste porte&lt;br /&gt;Quanto mais tu parares, mais adiantas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116112065884398555?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116112065884398555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116112065884398555' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116112065884398555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116112065884398555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/10/3-desabafo-18.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116043681944309404</id><published>2006-10-10T00:28:00.000+01:00</published><updated>2006-10-10T01:13:29.830+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1º Desabafo - 4 de Outubro de 2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/johnson1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/400/johnson1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A notícia é do género das tão más, tão más que se chegam a tornar realidade. E a realidade, crua e dura, chegou como um soco no estômago: a direcção da multinacional americana Johnson Controls, uma das líderes mundiais na produção de componentes para automóveis, confirmou oficialmente o fecho das suas fábricas de Nelas e Portalegre, em Agosto do próximo ano, empurrando 875 trabalhadores, 225 dos quais da fábrica de Portalegre, para o desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que nos tomou a todos de surpresa, ninguém pode dizer que este era um cenário de todo imprevisível. Embora os teóricos das ciências empresariais se esforcem por nos convencer do contrário, a verdade é que as leis do mercado e os princípios gerais que regem o funcionamento das economias são conceitos relativamente simples, compreensíveis até para criancinhas acabadas de entrar para a escola. E a coisa resume-se a isto: há os senhores muito, muito ricos que vivem para lá do atlântico, que querem gastar o menos possível para fabricar os produtos que vendem, com o objectivo de ganhar cada vez mais, que se instalam num determinado país mas descobrem a dada altura que há outros países no Leste da Europa, com trabalhadores aos quais têm que pagar menos para fazer basicamente o mesmo e, sem mais, é armar a trouxa e zarpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, é um baile de secretários de estado e ministros por um lado, dirigentes partidários e sindicalistas por outro, uns a tentarem justificar, outros a tentarem legitimar actuações e procedimentos mas a verdade, como disse em tom amargurado uma trabalhadora da fábrica de Nelas, ao tentar justificar a fraca afluência de trabalhadores no plenário com os dirigentes sindicais, a verdade, verdadinha é que os homens decidiram fechar e já está! Podem-se desenhar soluções, estratégias e caminhos a seguir, mas parece-me que para além de lutar por indemnizações o mais justas possíveis, pouco mais haverá a esperar desta gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia, como a vida, é mesmo assim e assusta a rapidez e a frieza como cenários supostamente idílicos se transformam num curto espaço de tempo, em terríveis pesadelos. Recordo-me que em dado momento, nos idos anos 80, em que o escudo era bem mais forte que a peseta, se falava num negócio de ouro na localidade da Portagem: umas bombas de gasolina! Nos cafés e nas conversas de esquina, se alguém perguntava por uma oportunidade de negócio, lá vinham à baila as bombas da Portagem que a estrada prometia, eram muitos camiões, era um local de passagem, as bombas mais próximas estavam longe e fora de rota, mil e uma razões para enriquecer, ali à mão de semear. Pois bem… os anos passaram e as bombas nunca chegaram e ainda bem para quem não investiu porque as voltas do mundo, dos governos e do mercados ajudaram a formar uma Espanha mais forte e hoje, a bomba de gasolina de sonho existe mas está do outro lado da fronteira, a rir-se de nós enquanto recebe de braços abertos as filas portuguesas em romaria de fim-de-semana para atestar. A do lado de cá, se existisse, estava como o do reclame, “a vê-los passar!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da Johnson, todos sabíamos que não seria uma daquelas longas histórias de relação entre fábricas e famílias, estilo conto de fadas moderno em que as fábricas casam com as cidades e as regiões. A história em que o avô foi fiel de armazém, o filho que entrou pela sua mão chegou a chefiar uma fase de montagem e o neto até foi director de produção. Todos sabíamos que esta era uma história com fim à vista e o fim poderia estar tão próximo como se veio a provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de deixar uma palavra especial para os trabalhadores. Vivi muito de perto o drama do desemprego. Tal como muitas das vossas famílias, também a minha caiu nesse drama num volte-face do destino, à meia-noite de um 31 de Dezembro de 1989, em que se abriram as portas da Europa e se fecharam as do emprego para muitos dos habitantes da freguesia da Beirã, no meu concelho de Marvão, que trabalhavam na área das alfândegas. Sei de perto o que se sofre. Sei que o que mais dói, não é o ter que fazer e refazer contas, o ter que dizer que não aos filhos, o ter privações, o ter que aceitar a piedade dos outros, às vezes mesmo, o ter de partir. O que mais dói é o vazio que se instala lentamente dentro, o não ter que fazer, o ver as horas e os dias sempre iguais, o ter de lutar em silêncio, contras as filas e a indiferença. O duro é sentir-se inútil. E é essa a grande batalha de todos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o ditado que não há porta que se feche que não se abra uma janela. Há que erguer o olhar e seguir em frente, há que ter fé numa autarquia consciente e informada que está do lado dos seus munícipes, há que não desistir e procurar outras formas de triunfar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a lição da Johnson deve ser aprendida por todos nós, porque nestes tempos que correm não há eldorados, não há soluções milagrosas, não há empregos que caem do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para isso, a nossa saída estratégica tem de passar invariavelmente por empresas de pequena dimensão e não por grandes estruturas, tem de passar pela exploração consciente dos nossos recursos endógenos e não pela produção de bens que podem ser a fabricados em qualquer outra parte do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa saída passa por sermos autênticos e racionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não tenhamos vergonha de copiar o que é bem feito, por quem o faz bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso-me enganar, mas parece-me o futuro não está lá fora. O futuro tem que nascer de dentro. De dentro de nós próprios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116043681944309404?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116043681944309404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116043681944309404' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116043681944309404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116043681944309404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/10/1-desabafo-4-de-outubro-de-2006-notcia.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35768202.post-116043578530058027</id><published>2006-10-10T00:10:00.000+01:00</published><updated>2006-10-10T15:54:32.266+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;2º Desabafo - 10 de Outubro de 2006&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/1600/os_cinco02.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4875/3985/320/os_cinco02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Enquanto vereador responsável pelo Pelouro da Educação, dou por mim a programar os prolongamentos de horários dos catraios. Para os ouvintes mais distraídos e aqueles que não tenham tido ainda a alegria de serem pais e andarem metidos nestas andanças, a coisa resume-se a isto: o Governo, que tem mais com que se preocupar, passou a bola do 1º ciclo, que para mim será sempre a escola primária, para as autarquias. Fecha-se assim os olhos a uma óbvia obrigação estatal de enturmar os petizes no mundo da escolaridade, ao mesmo tempo que se liberta de uma importante carga de trabalho e responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, agora os meninos não saem às 15. Agora, depois da meia tarde e até às 17.30, têm as suas vidinhas ocupadas com prolongamentos onde, para além de actividades de carácter obrigatório como o Inglês para o 3º e 4º ano e o apoio ao estudo, existem outras matérias que os municípios entendam como enriquecedoras e adaptadas aos seus mais jovens descendentes. O dinheirito para assegurar os docentes, chega via Ministério da Educação, após realização de formal candidatura e depois são as câmaras ou outra entidade que se perfile e reúna os requisitos, a escolher o quê e como. O leque de áreas é tão diversificado que pode ir da Robótica ao Espanhol. Nós, em Marvão e por convicção, optámos pelo Inglês logo desde a 1ª classe, a Actividade Física e Desportiva, a Música, a Expressão Plástica e a Animação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a coisa não fica por aqui. Para além de tudo isto e porque os pais querem, os filhos sonham e a obra nasce, há também agora, em regime extra-curricular e depois das 18 horas: o Ballet, o Hip-hop e o Judo, a Escola de Música e o Futebol do Grupo Desportivo Arenense. Muito por onde escolher que isto de viver no interior não pode ser sinónimo de um viver inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado a olhar para o horário, cada actividade com sua cor, tudo programado ao milímetro para que quem queira mesmo alinhar em tudo não tenha que deixar alguma para trás, dou por mim a pensar se a coisa fará sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo então como era no meu tempo. E lembro com saudade como eram longos aqueles minutos antes do bater das 3, em que se escancaravam as portas da escola para nos revelar um mundo inteiro de brincadeira à nossa espera, até que se fizesse noite. Essa legião de incautos rebeldes em ponto pequeno, corria então em liberdade, a explorar um mundo que se reinventava dia-a-dia. Não havia cancho ou buraco que não conhecêssemos como a palma das nossas mãos. Era o tempo dos esconderijos em que sonhávamos com os cinco e os sete, as naves espaciais e os cóbois dos filmes da tv espanhola onde brilhava esse ser supremo chamado John Wayne, um tempo que a televisão era um luxo e não um mal necessário. Nesse horário mágico entre as 3 e as 7 ou 8 ou meia-noite até, em que nos esquecíamos de protocolos e refeições, éramos espiões e exploradores, homens da idade da pedra e indígenas da Amazónia, o Sandokan, o Arzowei ou o Tarzan, o Marco, a Heidi e o Wickie, ladrões de pêras e tangerinas, sempre de fisga no bolso e com mais uma esparrela por armar. Mas haveria alguém nesse mundo que não fosse capaz de fazer uma barraca com 3 tábuas, meia dúzia de pregos ferrugentos e um resto de chapa de zinco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse consentido espaço à rebeldia, nessa Terra-do-Nunca em que o nosso Capitão Gancho, o nosso único medo era o comboio, aprendemos o que era o companheirismo e a amizade. Tenho a sorte de conviver quase diariamente com muitos desses meus amigos de infância. Sou colega de trabalho de alguns. A vida quis assim e sinto-me afortunado por assim ser. Vivemos tanto perigo e tanta aventura, descobrimos tanto juntos que sabemos todos que por mais voltas que o mundo dê, haveremos sempre de estar lá, uns pelos outros. Porque nessa gruta do alto da Beirã fumamos convictos o primeiro cigarro, um Kentuky mal amanhado comprado pelos mais velhos na tasca da Ti Aurora; na Broca, partilhámos o tanque com vacas e bezerros, nessas tórridas tardes de Verão e esse dia não era dia se não fossemos todos às melancias. Expostos, por nossa conta, mas com uma alegria transbordante a fervilhar nos corpos franzinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito piamente que é na infância que reside a centelha de divindade que há em todos nós. Acredito que no fundo, é o único período da nossa vida em que somos verdadeiramente livres de horários, contas e obrigações. É o momento em podemos fazer como dizem os espanhóis, lo que me der la gana. Porque a partir daí, a corrermos uns contra os outros e contra o tempo e o que ficar para trás, que feche a porta que dos fracos não reza a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, com uma diferença de vinte e poucos anos, sigo para a escola de mão dada com o meu tesouro, a minha Leonor, sabendo que a entrego e preparo para um mundo que já nada tem a ver com o meu de então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão mais cultos, mais pragmáticos, mais sofisticados, mais organizados, em suma, mais preparados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que são mais felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será mesmo por aqui o caminho?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35768202-116043578530058027?l=desabafomarvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/feeds/116043578530058027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35768202&amp;postID=116043578530058027' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116043578530058027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35768202/posts/default/116043578530058027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desabafomarvao.blogspot.com/2006/10/2-desabafo-10-de-outubro-de-2006.html' title=''/><author><name>Pedro Sobreiro (Tio Sabi)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14074668125669319480</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_sbItnDel1vk/TQ3wssAJVNI/AAAAAAAAHLs/6lpSVVOdnmg/S220/Pedro%2BSobreiro%2BDez.%2B2010.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
